10 DE AGOSTO DE 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 10 de agosto de 2012
:: JORNAL DO COMMERCIO
OPINIÃO JC
Pimentas do Rubem
Quando necessito restaurar minhas energias, exausto das baboseiras que circulam nestes tempos pré-eleitorais, onde todos são bonzinhos, o mundo é lindo e tudo sairá bem no final da Avenida Brasil, depois de múltiplas fornicações, fingimentos de penca e chifres pra tudo quanto é lado, além da Suelen toda boazuda e safadérrima, amarro-me numa leitura inteligentemente cutucadora, escrita por gente que sabe o que pensa e pensa sem se incomodar com os ibopes dos jumentálicos, adjetivo tão ao gosto da Lúcia Pontual, ex-companheira de trabalho da sempre saudosa Fundação Joaquim Nabuco. Meu último resfôlego mental foi o livro Pimentas: para provocar um incêndio, não é preciso fogo, de Rubem Alves, esse arretado de ótimo quase oitentão, teólogo desfrescurizado, pedagogo libertador, poeta, cronista, excelente contador de histórias, psicanalista antenado, cristão da gota serena. O texto busca comprovar que algumas ideias queimam como brasas vivas, tornando-se asas, buscando mares nunca antes navegados. Nunca entendendo por que as bruxas usam vassouras entre as pernas, preferindo vê-las cavalgando um macio dragão soltando fogo pelas ventas e se orientando pelo oscilar da cauda gigantesca, Rubem certa feita se deparou com flores brancas vulgarmente chamadas trombetas, possuidora de poderes estupefacientes, letais em incontáveis casos. E foi informado por um químico especializado em alucinógenos sobre a existência de uma íntima relação entre tais flores e a lenda das bruxas, inventada desde a Inquisição, quando religiosos ordenados e antifeministas enviavam para a fogueira aquelas pessoas julgadas diferentes pelos metidos a Deus da época. Algumas delas acusadas de terem relações sexuais com o Maligno, porque eram usuárias de poções alucinógenas de plantas psicoativas, aplicadas na busca de sabedoria e experiência. Para evitar alucinações, naquela época inventaram uma versão mais ligth: faziam a poção mágica com uma vassoura de pelos macios, que depois eram usadas para umedecer as mucosas situadas entre as pernas. Daí, o resultado ansiosamente aguardado: os usuários viajavam adoidamente, sempre esfregados nas vassourinhas. Rubem Alves ressalta que bruxa velha, de nariz comprido, cabelos piolhentos e chapéus pretos pontudos era invenção de padre que não apreciava os prazeres da carne. O livro ensina a ver fatos e feitos da vida por ângulos nunca dantes observados. E mostra como o traseiro é visto poeticamente pelos olhos de Carlos Drummond de Andrade: "A bunda, que engraçada, está sempre sorrindo. Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. A bunda basta-se. A bunda se diverte por conta própria. Lá vai sorrindo a bunda..." Certa feita, um engonçado, mais vaidade que caráter, me chamou a atenção porque eu usara o termo "bunda" numa crônica semanal. E eu lhe respondi generosamente com compaixão, certo de que ele era um bunda integral, como recomenda os ensinamentos do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.
Fernando Antônio Gonçalves é professor universitário e pesquisador social
JC OPINIÕES
Nabuco revisitado
A jornalista e socióloga Fabiana Moraes (foto) lança dia 29, às 19h, na Livraria Cultura, no Recife, o livro Nabuco em pretos e brancos, pela Editora Massangana, da Fundaj. O livro-reportagem tem origem em premiada reportagem publicada pelo JC em 2010, Ano Nacional Joaquim Nabuco, que arrebatou os prêmios Cristina Tavares de Jornalismo e o Embratel de Cultura.
JC CIDADES
Razões para não erguer viadutosArgumentos não faltam para convencer o governo do Estado de que a pretensão de construir quatro viadutos transversais à Avenida Agamenon Magalhães representa um retrocesso. Há muitas alternativas à ideia. As justificativas dos contrários ao projeto são o tema da segunda reportagem da série O Futuro da Agamenon.
O transporte público não depende da construção de viadutos para ser viabilizado. Não necessita de elevados como justificativa, independentemente de ser operado por ônibus, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) ou metrô. Pode, muito bem, parar em cruzamentos, como os existentes na Avenida Agamenon Magalhães. Essa é a principal razão para o governo do Estado não construir os quatro viadutos previstos para a via, a principal do Recife, na visão unânime de técnicos e cidadãos contrários à ideia. A avenida representará apenas um eixo do Corredor Norte-Sul, projeto idelizado para interligar com faixas exclusivas de ônibus os extremos do Grande Recife. Na prática, responderá por menos de cinco quilômetros dos 50 previstos para o corredor, que vai de Igarassu até Jaboatão dos Guararapes.
Se o governo quer construir viadutos, então deve assumir essa vontade e não usar o transporte de massa como pretexto. Assim pensam muitos arquitetos, urbanistas, engenheiros, técnicos em transporte e cidadãos contra o projeto. Os viadutos proporcionarão um benefício pequeno e temporário, não justificado pelo investimento: R$ 150 milhões. Os argumentos, inclusive, são embasados por entidades técnicas, como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PE) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE). O que está em discussão não é se o transporte coletivo deve ser prioridade. Isso é evidente. Discutir o modal a ser adotado também foge da questão principal. O que deve ser debatido é a cidade que queremos. A qualidade dos espaços urbanos, das calçadas, ressalta o arquiteto e urbanista Múcio Jucá, que coordenou a elaboração de um documento entregue ao governo do Estado apontando os motivos para os elevados não serem construídos e assinado por profissionais da Unicap, UFPE e Fundaj.
Os argumentos contrários sustentam-se em quatro linhas básicas. A primeira é a imobilidade. Viadutos apenas transferem engarrafamentos.. Vias do entorno da Agamenon, já com problemas históricos de circulação, receberiam um tráfego além da capacidade. Esses viadutos são um verdadeiro desastre. Equivalem às cicatrizes de um Frankenstein. A cidade é para as pessoas, não para os carros. Não é à toa que o governador sinalizou que pode rever a proposta. Acredito que é uma decisão racional e não eleitoral. Afinal, as razões técnicas contra o projeto são irrefutáveis, afirma o presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti.
Saindo da mobilidade, os contrários destacam o retrocesso urbanístico do projeto, lembrando que, enquanto o mundo destrói viadutos, o Recife quer erguê-los. Outro argumento é o prejuízo para os pedestres, que, no lugar dos 60 segundos necessários para atravessar a via, levarão 600 segundos, segundo cálculos do engenheiro civil Stênio Coentro. Finalizando, o aspecto da segurança. As áreas embaixo dos elevados vão virar espaços degradados, como acontece em vários outros pontos da capital.
Um grupo técnico vem tentando conversar com o governo para propor outras soluções, mas nada conseguiu até o momento. A Promotoria de Urbanismo do Ministério Público de Pernambuco também está investigando o projeto para se posicionar favorável ou contrária à obra. Foi a instituição, inclusive, quem provocou o Estado para que encomendasse os estudos de impacto. Pegando carona na aparente dúvida sobre o projeto demonstrada pelo governador Eduardo Campos há duas semanas, os que são contra os elevados realizam amanhã o movimento #OcupeAgamenon, a partir das 10h, na Praça do Parque Amorim. A ideia é abraçar simbolicamente a avenida, expor e discutir ideias alternativas durante todo o dia, sem hora para acabar.
CADERNO C
Deus da carnificina (SUE/POL, 2011). De Roman Polanski. Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly.Os pais de duas crianças que se envolvem em uma briga se encontram para resolver a situação. Porém, apesar das intenções civilizadas, eles acabam se exaltando e a conversa toma rumos totalmente diferentes. Cinema da Fundação. 15h (sex/dom), 18h50 (sab). 14a.
Histórias que só existem quando lembradas. (Brasil, 2011). De Julia Murat. Uma jovem fotógrafa viaja pelo Rio de Janeiro, vai parar em Jotuomba, cidade fictícia onde, nos anos 1930, vive a viúva Madalena. A chegada da jovem fotógrafa pouco a pouco modifica o cotidiano de toda a vila. Cinema da Fundação. 16h40 (dom), 16h50 (sab), 18h30 (sex), 18h40 (dom), 20h30 (sex/sab).
O moinho e a cruz (SUE/POL, 2011). De Lech Majewski. A vida de doze personagens é entrecruzada com o calvário de Cristo. Cinema da Fundação. 15h (sab), 16h40 (sex), 20h40 (dom). 14a.
:: DIARIO DE PERNAMBUCO
VIVER
Deus da carnificina (SUE/POL, 2011). De Roman Polanski. Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly.Os pais de duas crianças que se envolvem em uma briga se encontram para resolver a situação. Porém, apesar das intenções civilizadas, eles acabam se exaltando e a conversa toma rumos totalmente diferentes. Cinema da Fundação. 15h (sex/dom), 18h50 (sab). 14a.
Histórias que só existem quando lembradas. (Brasil, 2011). De Julia Murat. Uma jovem fotógrafa viaja pelo Rio de Janeiro, vai parar em Jotuomba, cidade fictícia onde, nos anos 1930, vive a viúva Madalena. A chegada da jovem fotógrafa pouco a pouco modifica o cotidiano de toda a vila. Cinema da Fundação. 16h40 (dom), 16h50 (sab), 18h30 (sex), 18h40 (dom), 20h30 (sex/sab).
O moinho e a cruz (SUE/POL, 2011). De Lech Majewski. A vida de doze personagens é entrecruzada com o calvário de Cristo. Cinema da Fundação. 15h (sab), 16h40 (sex), 20h40 (dom). 14a.
:: FOLHA DE PERNAMBUCO
PROGRAMA
Deus da carnificina (SUE/POL, 2011). De Roman Polanski. Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly.Os pais de duas crianças que se envolvem em uma briga se encontram para resolver a situação. Porém, apesar das intenções civilizadas, eles acabam se exaltando e a conversa toma rumos totalmente diferentes. Cinema da Fundação. 15h (sex/dom), 18h50 (sab). 14a.
Histórias que só existem quando lembradas. (Brasil, 2011). De Julia Murat. Uma jovem fotógrafa viaja pelo Rio de Janeiro, vai parar em Jotuomba, cidade fictícia onde, nos anos 1930, vive a viúva Madalena. A chegada da jovem fotógrafa pouco a pouco modifica o cotidiano de toda a vila. Cinema da Fundação. 16h40 (dom), 16h50 (sab), 18h30 (sex), 18h40 (dom), 20h30 (sex/sab).
O moinho e a cruz (SUE/POL, 2011). De Lech Majewski. A vida de doze personagens é entrecruzada com o calvário de Cristo. Cinema da Fundação. 15h (sab), 16h40 (sex), 20h40 (dom). 14a.
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