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10 DE JULHO DE 2012

Publicado: Terça, 10 de Julho de 2012, 09h25 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h25 | Acessos: 1592

Clipagem ASCOM
Recife, 10  de julho de 2012

:: JORNAL DO COMMERCIO

Os baianos da Capunga

Eles se instalaram em belo sobrado da Rua das Graças. Vizinhos do excêntrico intelectual Bebé Seixas. Bem defronte de terreno baldio, um dos nossos precários campinhos de improvisado bate-bola. Logo a notícia da sua chegada repercutiu na minha turma, lá na Vila dos Bancários. É que “os baianos” – como ficaram inicialmente conhecidos – eram bons de bola, reforçando o time da Capunga, um dos nossos mais tradicionais adversários. Melhor em relacionamento do que seu irmão mais velho, Carlos Aloysio, temperamento mais conservador, Arthur, espírito boêmio, curtidor de um bom violão tocado por Jonas Ferreira Lima, entrosou-se logo com a velha guarda da turma da Capunga, passando logo, pela sua ativa participação em todos os eventos, esportivos e farristas, à condição de cidadão honorário daquela comunidade. Quando o velho Deba promovia suas patuscadas à frente da Igreja das Graças, levando ao desespero o padre Nivaldo, Arthur estava sempre por lá, em assídua cumplicidade.
Depois, como consequência natural do seu talento futebolístico, os dois irmãos, rubro-negros desde a Bahia, ingressaram nas divisões de base do Sport Clube do Recife. Arthur, como médio volante, Carlos Aloysio, como ponta-direita. Tiveram participação em importantes títulos conquistados, chegando Carlos Aloysio a integrar a equipe de amadores do Leão da Ilha.
Alguns fatos já auspiciavam em Arthur, o escritor. Sua participação, ainda bem jovem, no Curso Torres, como professor de literatura e, por conta disso, suas aparições no programa Hora do Coquetel, de Alex, na TV Jornal, onde abordava temas culturais.
Depois, seus primeiros livros, reunindo suas antológicas crônicas. Um desses lançamentos ocorreu, recordo-me bem, nos terraços do Country Club, com grande afluência dos seus leitores. Passagem pelos quadros do antigo Instituto Joaquim Nabuco, precursor da fundação do mesmo nome, em atividade de pesquisador sob os auspícios de Mauro Mota. Depois, participação, juntamente com Jommard Muniz de Britto, Astrogilda de Carvalho Paes de Andrade e Marcius Cortês, na equipe educacional de Paulo Freire, responsável pela implantação do seu revolucionário método de alfabetização de adultos. Depois ingressou na advocacia construindo, mercê da sua competência e seriedade, um prestigiado escritório que, hoje, divide com os filhos, ambos destacados profissionais do direito.
Semanalmente, às quartas-feiras, no Jornal do Commercio, Arthur Carvalho continua a nos brindar com deliciosas crônicas nas quais, ora crítico, ora nostálgico, aborda fatos do cotidiano recifense num estilo coloquial que o faz o mais autêntico “cronista da cidade”.
Vez em quando, nos braços da saudade, retorna aos tempos da Capunga, trazendo ao palco das recordações os personagens, alguns bem folclóricos, daquela sua movimentada cena juvenil. Prematuramente falecido, seu irmão, Carlos Aloysio, nos deixou, assim como já não estão entre nós tantos outros “heroicos” participantes daqueles momentos felizes.
k Edgar Mattos é advogado

ROTEIRO JC 

A primeira coisa bela (ITA, 2010). De Paolo Virzi. Valério Mastandrea, Micaela Ramazzotti. Homem desinteressado pela vida e afastado da família recebe o pedido da irmã para ir ver sua mãe, uma doente terminal. Cinema da Fundação. 17h50, 20h10. 12a.

:: DIARIO DE PERNAMBUCO

Letras às terças

Recife ontem: um álbum
Na segunda metade do século 19 dois artistas inventaram de retratar, em bela aquarelas, nossa cidade, tal qual seus olhos a viam: real e poética ao mesmo tempo. Transfigurando paisagens e personagens, Carls e Schlapritz nos deixaram, em seu Álbum de Pernamuco para os amantes das artes, aspectos da vida cotidiana de uma cidade ainda em construção, testemunhos de uma vida que corria mansa para pessoas e coisas. Com a chegada da fotografia, o Recife passa a ser documentado de modo, digamos, mais realista, embora a arte esteja ligada às imagens que nos deixaram do Recife e arredores, artistas como Claudio Dubeux e Berzin, em fotos reunidas e editadas pela Companhia Editora de Pernambuco, sob forma de belos álbuns.
O Álbum de Berzin, lançado na Livraria Cultura, na semana passada, é formado por fotografias pertencentes ao Museu da Cidade do Recife e Fundação Joaquim Nabuco, organizadas por Fabiana Bruce da Silva. O Álbum é uma série de documentos ligados ao Recife, em sua paisagem, em sua arquitetura de tempos nem tão antigos assim, mas quando o uso da cidade respeitava antes de tudo o direito do cidadão a a construir e escolher o ambiente em que vivia, a busca da tranquilidade, a beleza e o direito de ser feliz, no seio de uma paisagem familiar e harmoniosa. Berzin ficou para sempre um Recife que está desaparecendo, por força da ganância de alguns, por tentativas de reformas insanas e pelas quais, em nome do progresso ( que progresso, exatamente? ) se descaracterizaria de modo irremediável, a cidade, pensando-se em inserir em meio a belas praças, como a do Entroncamento, vias de grande circulação, como foi feito, inutilmente diga-se de passagem, com o a Praça Sergio Loreto, hoje quase inexistente. Ou como quando se destruiu inteiramente e para nada, um bairro inteiro, como o de S. José com suas ruas estreitas e risonhas onde à noite as pessoas colocavam cadeiras nas calçadas para ver passar a vida. Que haviam escolhido.

VIVER 

A primeira coisa bela (ITA, 2010). De Paolo Virzi. Valério Mastandrea, Micaela Ramazzotti. Homem desinteressado pela vida e afastado da família recebe o pedido da irmã para ir ver sua mãe, uma doente terminal. Cinema da Fundação. 17h50, 20h10. 12a.

:: FOLHA DE PERNAMBUCO
PROGRAMA
EM CARTAZ

A primeira coisa bela (ITA, 2010). De Paolo Virzi. Valério Mastandrea, Micaela Ramazzotti. Homem desinteressado pela vida e afastado da família recebe o pedido da irmã para ir ver sua mãe, uma doente terminal. Cinema da Fundação. 17h50, 20h10. 12a.

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