22 de junho de 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 22 de junho de 2012
:: JORNAL DO COMMERCIO
CADERNO C
Febre do Rato tem algo a dizer
Nas primeiras cenas, parece um longa elegantemente europeu: a câmera passa sob as belas praias do Recife. Mas, ninguém se engane, estamos em um filme de Cláudio Assis, e esse trajeto serve só para nos levar às regiões desfavorecidas da cidade: ali estarão os personagens de Febre do Rato: pobres, pontiagudos, anárquicos, como Zizo (Irandhir Santos).
A essas características acrescente-se: poéticos. É a poesia que parece unir todas essas pessoas e as ideias que ali circulam, é por ela que vão em busca da liberação (sobretudo sexual). É isso o que prega o jornalzinho Febre do Rato, editado por Zizo.
A história trata da vida feliz de Zizo, que passa por uma transformação quando conhece a bela e jovem Eneida (Nanda Costa), que insiste em não namorá-lo. Por uma vez, o poeta sentirá com força a rejeição. Não se entregará, porém, à depressão que as convenções reservam ao amante rejeitado.
Afinal, nenhuma rejeição é definitiva: Zizo continuará lutando por seu amor. E o amor, ao longo da produção, estará lutando por si mesmo, como se verifica pelas brigas e reconciliações do outro casal da história: Matheus Nachtergaele e Tânia Granussi.
O que importa, aliás, é menos o destino dos personagens do que a tensão entre barbárie e poesia.
Isso está no roteiro, é pontuado por uma dialogação forte (e com um fraseado riquíssimo), mas se deixa contaminar pela modéstia dos cenários, pela sensualidade dos personagens secundários, de maneira que a rudeza desse universo acaba por se afirmar frente ao mundo normal como o único habitável.
Se, ao longo deste século, Pernambuco tem se feito notar como nossa única garantia de um cinema relevante com as devidas exceções, Febre do Rato não foge a essa escrita: é feito porque tem algo a dizer, não porque tem um negócio a fazer.
Não será no entanto mera mesquinharia indagar porque esse filme de gente rude opta por uma fineza estética que o coloca nos limites do esteticismo. Seria uma maneira de compensar os maus modos dos protagonistas?
E por que a filmagem em preto e branco, maneirismo que só aviva no espectador o desejo de ver essa Recife em cores? Enfim, esse último item parece fazer parte do alto preço que o cinema universal paga pela Palma de Ouro de A fita branca.
CADERNO C
DIA-A-DIA
Trilha do Golpe
A editora Massangana vai reeditar o livro Na Trilha do Golpe, de autoria de vários repórteres do JC. Publicado em março de 2004 como forma de registrar a passagem dos 40 anos do golpe militar no Brasil, o livro tem como organizadores o cientista político Túlio Velho Barreto e o diretor-adjunto de redação deste JC, Laurindo Ferreira.
:: DIARIO DE PERNAMBUCO
POLÍTICA
Frente Popular por um fio
Lançamento da candidatura própria do PSB pode selar o fim da aliança com o PT
O PSB do governador Eduardo Campos oficializou ontem, por meio de uma carta entregue aos partidos aliados, o nome do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio para representar a Frente Popular do Recife nas eleições para prefeito do Recife. A decisão não só gerou mal-estar entre os petistas, que ainda sonhavam com a desistência dos socialistas, como levou a direção do PT estadual a rever a participação de integrantes da legenda no governo estadual. Os petistas classificaram a atitude do governador como um rompimento entre as duas forças políticas.
Na avaliação do PT, a decisão do PSB de lançar candidatura própria repercute negativamente no estado. Os petistas entendem que ao “atacar” o símbolo maior deles no estado, que é a Prefeitura do Recife, e também em Fortaleza (CE), lançando candidatura própria, está mais do que claro o rompimento. “Não é uma coisa específica do Recife. Tudo isso passa pela disputa de 2014”, desabafou o secretário-geral do PT no estado, Rosano Carvalho, ligado ao senador Humberto Costa.
Para os petistas, o ataque” do PSB ao PT é uma articulação orquestrada e uma tática de terra arrasada (de destruir tudo o que existe pela frente para que a tropa inimiga, ao chegar, encontre um ambiente hostil). Eles citaram as cidades de Serra Talhada, Petrolina e Olinda como exemplos dos mais mais graves conflitos. “Os partidos da Frente que estavam conosco estão indo para o PSB”, lamentou Rosano.
Para os socialistas, no entanto, a oficialização de Geraldo Júlio não representa um rompimento entre as duas legendas, mas uma alternativa para garantir a vitória das forças populares no Recife. Na carta assinada pelos diretórios municipal e estadual do PSB, o partido argumenta que se trata de uma saída para o problema e que diante do iminente risco de fragmentação da Frente Popular e da responsabilidade, não restou alternativa ao não ser lançar Geraldo Júlio. O PSB informa que, antes de tomar a decisão, o partido iniciou entendimentos com as legendas aliadas, visando manter a unidade da Frente Popular.
Na avaliação do sociólogo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco Marcondes Secundino, o conflito entre as duas legendas não significa um racha total. “Há os interesses nacionais e o PSB é uma peça importante na base aliada. O racha pode ser pontual, mas refletir em outros municípios”, disse. Segundo o pesquisador, a candidatura do PSB surgiu em função dos vários equívocos do PT. “Essa confusão interna passou a ideia de um partido que não conseguiu resolver seus problemas e colocou a Frente numa situação delicada”, comentou.
Saiba mais
Relação conflituosa entre PT e PSB
1994O PT apoia a eleição ao governo de Miguel Arraes, participa da gestão socialista, mas entrega a Secretaria de Saúde dois anos depois. Na época, o representante do PT era Jarbas Barbosa.
1997Como governador, Arraes envia projeto para o BNDES para conseguir antecipar R$ 700 milhões da venda da Celpe. O PT juntou-se ao então PFL, na época, para protestar contra a privatização da estatal. Dizia ter essa postura em todo país.
1998O PT se divide entre apoiar ou não a reeleição de Miguel Arraes. A tendência de Humberto Costa, que era majoritária, consegue levar o partido à base arraesista por 246 votos a favor contra 239. Humberto se candidata ao Senado, sofre muitos desgastes dentro do PT e perde a eleição.
2004O PSB apoia a reeleição de João Paulo depois de muitos conflitos, mas fica novamente incomodado quando o petista vence a eleição e depois diz que a derrota de Roberto Magalhães não representava a derrota de Jarbas. Na época, Arraes dizia que a derrota era de Jarbas, “sim”.
2006Secretário de Administração do governo João Paulo por dois anos, Danilo Cabral entrega o único cargo de primeiro escalão. Na época, o PSB considerava que a pasta só servia para resolver “pepino”. Não tinha recursos, nem visibilidade.
2006 Ex-ministros de Lula, Humberto Costae Eduardo Campos se estremecemdurante a disputa para o governo doestado, mas se aliam no segundo turno. 2008 O PSB apoia a candidatura de João da Costa a contragosto, mas indica o vice, Milton Coelho, e ganha mais espaços no secretariado. Agora, para disputar a prefeitura o partido deve entregar as duas secretárias (Direitos Humanos e Habitação).
2010Humberto Costa recebe o apoio do governador para disputar o Senado, mas, quando aceita Joaquim Francisco como seu primeiro suplente a pedido de Eduardo, cria mal-estar no PT.
2011 Em meados de setembro deste ano, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, transfere o título de eleitor de Petrolina para o Recife e é colocado como opção para disputar a prefeitura. O PSB foi o primeiro partido a colocar o nome alternativo ao de João da Costa na disputa, mesmo tendo um vice.
2012PSB diz que apoiará a decisão do PT sobre a candidatura à Prefeitura do Recife. Quando os petistas anunciam Humberto como candidato, no entanto, os socialistas sinalizam com candidatura própria. Confirmada ontem.
DIVIRTA-SE
CINEMA
Febre de Cláudio Assis
Em Febre do rato, Cláudio Assis apresenta mais um filme descabido, transbordante e sem concessões. Protagonizado por Zizo (Irandhir Santos), o filme refaz um casamento que nunca deveria terminar, o da poesia com a política. Não a poesia comedida, bem comportada, mas a dos loucos, dos que vivem à margem. A seu lado estão homens e mulheres com quem compartilha os prazeres e amarguras da vida: o coveiro Pazinho (Matheus Nachtergaele), um travesti, as amantes mulheres e seus jovens escudeiros. Mas as maiores inspirações de Zizo estão em Eneida (Nanda Costa) e no Recife.
PROGRAMAÇÃO DO CINEMA
Estreia
Febre do Rato (Brasil, 2012). De Cláudio Assis. Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele. Poeta edita tabloide e se apaixona por garota colegial, com quem lidera um revolta anaquista no Recife. Cinema da Fundação. 16h50 (sab), 18h10 (sex e dom), 20h20. Recife 9. 13h25, 15h25, 18h05, 20h25, 22h45 (sex). 18a.
Especial
O rochedo e a estrela (Brasil, 2011). De Kátia Mesel. No começo do século 17, grupo de judeus imigra para o Brasil, trazendo para Pernambuco a primeira sinagoga das américas. Cinema da Fundação. 16h30 (sex), 18h40 (sab), . L.
Falsa loura (Brasil, 2007). De Carlos Reichembach. Rosanne Mulholland, Cauã Reymond, Maurício Mattar, Djin Sganzerla. Operária se apaixona por músico, com quem passa as noites e a leva a comprometer o emprego e a relação com o pai. Cinema da Fundação. 16h (dom). 16a.
:: FOLHA DE PERNAMBUCO
PROGRAMA
Declaração de amor cinematográfica
Para Cláudio, seu trabalho é o resultado de um pensamento que vem e precisa ser posto para fora
E o Recife finalmente vai ver “Febre do Rato” (Bra., 2011), o terceiro e já vitorioso longa-metragem de Cláudio Assis que agora entra em cartaz no multiplex UCI/Ribeiro do Shopping Recife e no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. Depois de sair, ano passado, com sete Meninas de Ouro, troféu do Festival de Paulínia; de ser triplamente premiado no 22° Cine Ceará, há duas semanas, o longa-metragem vai encarar agora um público mais complicado de ser compreendido. Estreando inicialmente em três praças (Rio de Janeiro e São Paulo, além do Recife), “Febre...” terá de encantar o espectador pagante, um a um, para que este “venda” o delírio de amor e liberdade criado por Assis.
Esse é o processo básico que faz um filme funcionar no mercado. E “Febre do Rato” tem elementos suficientes para isso. Cláudio Assis cumpriu fielmente nesta obra com aquilo que ele vem construindo ao longo de sua carreira. Como disse Matheus Nachtergaele (que no filme vive um coveiro casado com um travesti, Tânia Moreno), durante entrevista no Ceará junto a Cláudio e Maria Glady (uma das amigas/amante do protagonista Zizo em “Febre...”), “o filme é o resultado de uma evolução artística e emocional de todos que o construíram”. “Temos uma raiva bonita e nos reconhecemos na obra de Cláudio. Minhas tintas funcionam na tela dele, e eu gosto de reconhecer as cores que ele coloca na tela”, sintetizou o ator.
Para Cláudio, seu trabalho é o resultado de um pensamento que vem e precisa ser posto para fora. “Nem é questão de amadurecimento. O que persigo com os meus filmes é o caráter e o respeito. É isso o que quero que jovens realizadores vejam neles, e não uma continuidade da novela das oito. Queria ter várias vidas para ajudar esses jovens cineastas”. Já para Maria Gladys, “‘Febre do Rato’ é um filme libertário em tempos moralista e careta”. Matheus completa: “Tempos careta e capitalista. Duas doenças, uma que alimenta a outra. A gente até poderia ser mais louco, mas esse muito pouco já abala a vista das pessoas”.
Esse “pouco”, na verdade, é grandioso, considerando-se a bela fotografia P&B de Walter Carvalho - parceiro também em “Amarelo Manga (2003) e “Baixio das Bestas” (2007) - e o roteiro construído por Cláudio e Hiltinho Lacerda, com seus poemas dilacerantes - além, claro, da entrega absoluta e, por que não, assustadora dos atores, com destaque para Irandhir Santos.
O seu personagem, Zizo é um conjunto de fúria, tesão e espírito libertário. Vive a transar com mulheres mais velhas (Gladys e Conceição Camarotti), e a divulgar sua poesia bradando por liberdade. Até que conhece Eneida (Nanda Costa), uma menina que não cede aos seus encantos e, assim, tira o seu equilíbrio. Para além das questões práticas do enredo, “Febre...” é também uma declaração amorosa de um Recife cuja beleza está na “feiúra”, ou melhor na crueza de um universo que só alguns recifenses conhecem de fato, e que agora ganha uma perspectiva universal pela audácia da poesia e do cinema de Cláudio Assis.
CINEMA
Especial
O Rochedo e A Estrela / De Kátia Mesel / Com Germano Haiut, Geninha da Rosa Borges, Sônia Bieba. “O Rochedo e a Estrela” aborda a expansão do judaísmo em Pernambuco, no século 17. Enfoca principalmente o período holandês e como Mauricio de Nassau favoreceu a liberdade religiosa, permitindo a existência de uma comunidade judaica e a fundação, no Recife, da primeira sinagoga das Américas, a Zur Israel. Cinema da Fundação: 19h10, 20h50 (hoje) / 16h40, 20h50 (sab) / 17h10, 18h50 (dom) / 16h40, 18h20 (ter, qui) / 16h50, 20h30 (qua). Livre.
O que eu Mais Desejo / (Kiseki) / de Hirokazu Koreeda / Com Koki Maeda, Ohshirô Maeda, Ryôga Hayashi. No Japão, na ilha de Kyushu, dois irmãos vivem separados após o divórcio de seus pais. O que o irmão mais velho deseja acima de tudo é que sua família viva junto novamente. Por isso, decide organizar uma viagem secreta. Cinema da Fundação: 16h40 (hoje) / 18h20 (sab) / 20h (ter, qui). Livre.
Shame / De Steve McQueen / Com Michael Fassbender, Carey Mulligan. Cinema da Fundação: 20h30 (dom) / 18h30 (qua). 18 anos.
Estreia
Febre do Rato (Brasil, 2012). De Cláudio Assis. Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele. Poeta edita tabloide e se apaixona por garota colegial, com quem lidera um revolta anaquista no Recife. Cinema da Fundação. 16h50 (sab), 18h10 (sex e dom), 20h20. Recife 9. 13h25, 15h25, 18h05, 20h25, 22h45 (sex). 18a.
:: FOLHA DE SÃO PAULO
ILUSTRADA
"Febre do Rato" vai na contramão da indústria cinematográfica
"Pergunte o que você quiser que eu falo". Quem conhece o cineasta Cláudio Assis sabe que nem é preciso o sinal verde.
Longa não é feito como simples negócio, mas por ter algo a dizer
Poeta de "Febre do Rato" ficou triste ao se ver retratado
O diretor pernambucano de "Baixio das Bestas" e do novo "Febre do Rato", que estreia hoje, é conhecido pelas declarações polêmicas. Já chamou o cineasta Hector Babenco de "imbecil" durante a premiação do Grande Prêmio TAM do Cinema Brasileiro, em 2004, e agora volta as baterias contra "Na Estrada", de Walter Salles, e se diz "chocado" com o encontro do ex-presidente Lula com Paulo Maluf.
Folha - Você adora falar mal do cinema nacional. Por quê?Cláudio Assis - O cinema brasileiro é careta e precisa de atitude. Eu não devo nada a ninguém. Nasci nu e estou vestido. A grande maioria do povo gostaria de fazer e não pode. Quem faz é um bando de filhos da puta! O Cinema Novo morreu faz tempo. Zelito Viana [produtor de vários filmes do movimento] é um cadavérico. Só existe Nelson Pereira dos Santos, que é um homem elegante e de fibra.
Não tem nada de bom no cinema brasileiro de hoje?Não. Vai ver esse "On The Road" aí, essa merda.
Mas você já viu?Nem precisa ver. Não vem nada dali. Esses caras são fabricados e vendidos. Arte não se compra. São playboys da arte. Cannes? Achei foi bom [porque perdeu].
Irandhir Santos faz um poeta que tenta conquistar a jovem estudante vivida pela atriz Nanda Costa em "Febre do Rato"E "Tropa de Elite"?Que porra de "Tropa de Elite"! É uma fórmula americana. Esse cinema está fadado ao fracasso, porque as pessoas estão tentando ser iguais. O cinema precisa sair do eixo Rio-São Paulo. Só tem um cineasta bom no Rio: Eduardo Nunes ("Sudoeste"). São Paulo, só dois, agora que [Carlos] Reichenbach morreu: Beto Brant, pequeno burguês do interior, e Anna Muylaert. Mas não adianta só colocar uma gata nua como fez Beto [em "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios"]. E Zé do Caixão? É um cara do caralho e fizeram uma assepsia nele no último filme. Paulo Sacramento [produtor de "Encarnação do Demônio"] colocou um monte de gostosas, uns truques, mas para quê? Zé do Caixão é bom quando é natural.
O cinema não precisa ter essa variedade de vozes?Não. Precisa é de atitude. Eu só acredito em coisas que mudam e provocam. Não acredito na Coca-Cola.
Em "Febre do Rato", todo mundo bebe cerveja...É Xingu (risos). Mas ninguém sabe disso. Você não consegue ler. Você não vai ver patrocínio da Brahma nunca nos meus filmes.
Não é ser radical demais?Não é radicalismo, é respeito. Para fazer esses filmes, você coloca no computador e ele entrega um roteiro de Hollywood com final feliz. A vida não se dá bem no final.
Você não quer se dar bem?Não, eu quero defender o direito de errar. Arte não é certinha, feita no computador. Por que o filme não pode ser errado? Hoje é tudo enquadrado. Lula visita Maluf, o que é isso, porra?
Ficou chocado?Claro que sim. Só pode ser o câncer, não é possível. Como vou explicar para Francisco, meu filho de sete anos?
É difícil manter a integridade?É impossível. Sou mais que íntegro, mas é uma guerra. Eu não vou ficar rico. Nem beber uísque melhor.
Seu filme estreia em 10 salas. "E Aí... Comeu?", em 550...Eles hoje queimam filmes como a inquisição queimava livros. É tudo besteirol, humor burro. Não sou contra comédia mas... "E aí.. Comeu?"? Respeite minha mãe!
:: REVISTA CONTINENTE
Notícias
Homenagem a Carlos Reichenbach na Fundaj
Escrito por Elisa Jacques
Uma parada cardíaca interrompe a saga de um cineasta justamente na data de seu aniversário, mas não pára a projeção de sua obra. Esse não é um roteiro de filme, é um relato sobre a morte do cineasta brasileiro Carlos Reichenbach, no dia 14 de junho, aos 67 anos. Em homenagem a esse que foi um dos mais importantes cineastas do Brasil, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, Fundaj, no Derby, exibe o filme Falsa Loura em Sessão Especial, no domingo, às 16h. Falsa Loura é a história de Silmara (Rosanne Mulholland), uma bela jovem operária que sustenta seu pai, Antero (João Bourbonnais), um ex-presidiário que foi deformado pelo fogo. Ela tenta manter um relacionamento amigável com ele e com seu irmão caçula, Tê (Léo Aquilla), ao mesmo tempo em que tem uma relação ambígua com a professora de dança Regina (Luciana Brites). Na fábrica em que trabalha, Silmara ajuda Briducha (Djin Sganzerla), uma mulher tímida e solitária. As duas e Regina vão ao show do grupo Bruno e os Andrés, onde Silmara conhece e se envolve com o ídolo da banda Brunode André (Cauã Reymond). Logo Silmara se torna o sonho de suas amigas, por representar a chance de uma rápida ascensão social. A estreia de Falsa Loura em 2007 , é um dos trunfos da obra de Carlão, como era conhecido o diretor. Ele dedicou 40 anos de sua vida ao cinema. 22 filmes marcam a saga de ousadia e erudição cinematográfica na trajetória de um dos principais expoentes do cinema da Boca do Lixo, em São Paulo. No currículo, outros filmes projetaram a fama de Carlão, como os polêmicos Liliam M – Relatório confidencial (1975), A ilha dos prazeres proibidos (1979), Império do desejo (1981), Filme demência (1985), Anjos do arrabalde (1987), Alma corsária (1993) e Garotas do ABC (2003).
Redes Sociais