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20 de maio de 2012

Publicado: Segunda, 21 de Mai de 2012, 11h00 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h25 | Acessos: 850

Clipagem ASCOM
Recife, 20 de maio de 2012

:: JORNAL DO COMMERCIO
ECONOMIA

Sem leitura, resta apenas a enxada


“Uma fábrica aqui seria uma riqueza, mas só para quem tem muita leitura. Quem não tem trabalha na enxada mesmo”, resume sabiamente o agricultor Gelson Miguel da Silva, enquanto conduz uma carroça carregada com o equivalente a 50 latas de água, no distrito de Vila Neves, em Jucati, Agreste. A cidade tem um PIB de R$ 51 milhões, 32,7% da população analfabeta e apenas 60 empresas funcionando. Industrialização é um futuro muito distante de Gelson, seus oito filhos e outros 10 mil cidadãos de Jucati. Em municípios assim, a solução precisa ser outra, menos sonhadora.“A interiorização do desenvolvimento em Pernambuco já é uma realidade. Mas não se pode achar que todo o município vai ter o seu processo de desenvolvimento ancorado em fábricas. Glória do Goitá é vizinha de Vitória de Santo Antão. Brejão está próxima a Garanhuns, enquanto Sirinhaém, Ribeirão e Rio Formoso estão no território expandido de Suape. Outras cidades terão que apostar na sua vocação econômica”, defende o presidente da Agência de Planejamento de Pernambuco (Condepe/Fidem), Antonio Alexandre da Silva.
Uma saída apontada por economistas é privilegiar pequenos empreendedores locais em compras públicas. Fomentar o cooperativismo para que agricultores familiares se tornem fornecedores da merenda das escolas é uma opção citada com recorrência. Vários exemplos bem sucedidos já despontam no Estado, como a bacia leiteira e a apicultura no Araripe, o feijão em Lajedo e a ovinocaprinocultura nos sertões do Moxotó e do Pajeú”, destaca Silva.
“Sair da inércia é difícil. Quem o fez, começou a agir 20, 30 anos atrás. E, para a classe política, esperar 30 anos para colher os louros é complicado”, reforça Luís Henrique Romani, da Fundaj. “Quanto menor o município, menos interessado está o empresário em educar as pessoas dele e contratá-las. A experiência mostra que empresas que apostaram em se instalar em áreas afastadas deram com os burros n"água”, sacramenta o professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (Ebape-FGV) Istvan Karoly Kasznar. Ele faz parte de uma corrente de pensamento econômico de que a interiorização industrial só faz sentido quando as empresas são da primeira etapa de beneficiamento de um produto. Por exemplo: uma serraria que vai partir a madeira no Sertão, mas a estante só será feita no Grande Recife.

 

:: DIARIO DE PERNAMBUCO
VIVER

O homem do acervo 
Pesquisador Leonardo Dantas guarda em casa mais de 500 vinis, a maioria de música pernambucana, além de livros de frevo e forró             

Abrindo sobre a mesa de jacarandá um dos livros que editou sobre a história do Recife, o jornalista e pesquisador Leonardo Dantas aponta para uma foto do bairro da Torre, na Zona Oeste da cidade. Mostra a Igreja, a casa espaçosa, uma chaminé. Tudo cercado por mato. A foto é de 1980 e nesses mais de 30 anos tudo mudou ao redor. A vegetação deu lugar às ruas, à praça e às casas - que já estão virando passado, substituídas por edifícios altos. Leonardo Dantas resiste. Mora na mesma casa em que nasceu, a poucos metros da igreja da Torre. Os cômodos são abarrotados de quadros, esculturas, móveis antigos e livros. Ele já editou 377 livros, sendo 47 escritos ou organizados por ele. Sete são sobre a música pernambucana.
Mais conhecido como pesquisador da história da cidade, Leonardo Dantas tem um currículo extenso em 50 anos de trabalho. Entrou para o jornal Diário da Noite aos 16 anos, como revisor. Passou mais de 20 anos nas redações. Foi o criador do Frevança e do extinto Baile da Saudade, que ocorreu por 18 carnavais no Clube Português. Dirigiu a editora Massangana e produziu discos para a Rozenblit. Fez amizades para a vida toda no meio artístico. Claudionor Germano, de 80 anos, é considerado um irmão. “Quando tive problemas de saúde, quem estava do meu lado no hospital, às 5h da manhã, era ele”, conta.
O frevo é sua grande paixão musical. Na juventude, era um bom passista. Chegou a escrever um livro detalhando o método da dança do frevo, para ser utilizado em escolas da rede pública. “Fiz um projeto para retirar o balé das escolas e colocar frevo, maracatu, caboclinho. Foi uma polêmica”, lembra. Nos móveis em que guarda seus mais de 500 LPs há preciosidades quase intactas como álbuns de Capiba autografados e um bom material de música brasileira lançado por empresas de vida curta, como o selo Marcus Pereira Discos.
Tem LPs dos irmãos Raul e João Valença, de Levino Ferreira - que foi seu professor de teoria musical e a quem considera o maior compositor de frevo de rua -, coletâneas de cultura popular e o primeiro disco com gravações ao vivo de frevo, feito em 1980 no Teatro de Santa Isabel. Entre os inúmeros livros, uma cópia de O sanfoneiro do Riacho da Brígida, de Sinval Sá, com dedicatória “ao bom amigo-conterrâneo Leonardo Silva”, assinada por Luiz Gonzaga. (Ele deixou de assinar “Leonardo Silva” quando um criminoso como esse nome apareceu nos jornais).
Apesar do amor ao frevo e à música, Leonardo Dantas não toca nenhum instrumento. “Eu estudava com Levino Ferreira e aí ele disse que eu tinha que comprar um piano. Eu disse que não podia, ele retrucou que comprasse pelo menos um clarinete. Fui à loja e falei ao meu pai o preço de três contos e quinhentos. Ele respondeu: ‘isso é quanto teu pai ganha em um mês!’”. No final da tarde da quarta passada, Leonardo recebeu o Diario em casa para uma conversa. Foram quase três horas que correram fácil, em meio a lembranças e projeções. O carnaval foi tema constante. Confira. (Carolina Santos)

:: FOLHA DE PERNAMBUCO
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