10 de abril de 2012
Clipagem ASCOM
Recife,10 de abril de 2012
DIARIO DE PERNAMBUCO
CINEMA
Habemus Papam (ITA, 2011). Eleito inesperadamente, novo papa não consegue aceitar o peso das responsabilidades. Cinema da Fundação. 16h10,18h15,10a.
Pina (ALE, 2011). De Win Wenders. Documentário sobre a obra da coreógrafa alemã Pina Bausch. Cinema da Fundação. 20h20. 12a.
FOLHA DE PERNAMBUCO
PROGRAMA
Habemus Papam (ITA, 2011). Eleito inesperadamente, novo papa não consegue aceitar o peso das responsabilidades. Cinema da Fundação. 16h10,18h15. 10a.
Pina (ALE, 2011). De Win Wenders. Documentário sobre a obra da coreógrafa alemã Pina Bausch. Cinema da Fundação. 18h20,12a.
JORNAL DO COMMÉRCIO
ROTEIRO JC
Habemus Papam (ITA, 2011). Eleito inesperadamente, novo papa não consegue aceitar o peso das responsabilidades. Cinema da Fundação. 16h15, 18h15. 10a.
Pina (ALE, 2011). De Win Wenders. Documentário sobre a obra da coreógrafa alemã Pina Bausch. Cinema da Fundação. 20h20,12a.
BLOG DE JAMILDO
Não houve notícia sobre a Fundaj.
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REVISTA ALGOMAIS
ENTREVISTAS
“A vida de perto é uma tragédia. De longe, uma comédia”
Fátima quintas
LITERATUR A | Presidente da Academia Pernambucana de Letras conta seus segredos de escritora e analisa a cena literária local
Filha de um renomado historiador, Fátima Quintas começou cedo sua trajetória pelo mundo da ficção literária. Antes mesmo de saber ler, a escritora conta que já rabiscava os livros da biblioteca do pai. Aos sete anos, começou a trocar cartas intimistas com sua mãe, que a estimulava a se expressar por meio das letras. Em um pacto silencioso, aprendeu a ler romances históricos, como Menino de Engenho, de José Lins do Rêgo.Já adulta, passou a escrever para o Jornal do Commercio contos e crônicas semanais. Atividade que nunca mais deixou de lado. De lá pra cá já teve mais de uma dezena de livros publicados, e assumiu a presidência da Academia Pernambucana de Letras (APL).Nesta entrevista, ela revela um pouco de sua história, planos para a APL, inspirações e poesia. Algomais | O interesse pela literatura surgiu desde cedo ou foi algo que aflorou apenas na vida adulta?Fátima Quintas | Meu pai foi Amaro Quintas, um grande historiador. Nasci percorrendo a biblioteca do meu pai. Sem dúvida que isto foi um grande estímulo. Além disso, minha mãe era uma mulher muito sábia. Ela, cedo, percebeu que sou uma pessoa muito introspectiva. Ela utilizou um recurso que considero de uma habilidade extraordinária. Ela percebeu que, mesmo aos sete anos, eu gostava de ler e escrever. Todos os dias eu deixava um bilhete sobre alguma coisa que aconteceu durante o dia debaixo do travesseiro dela, e ela respondia, corrigia. Era um pacto silencioso. Meus irmãos não sabiam. Isso durou uns dois ou três anos.
AM | A senhora começou a ler alguma literatura específica?
FQ | Comecei a ler escondido. Eu era muito pequena. Não sabia nem ler. Eu apanhava os livros, rabiscava. A biblioteca do meu pai era imensa. Não posso nem dizer que era lendo, era rabiscando. O primeiro livro que eu li, tinha uns sete anos, foi “Menino de Engenho”, de José Lins do Rêgo. Li pelo título. Então, comecei a ler todos os livros dele.
AM | Houve alguma orientação nessa leitura?
FQ | Minha mãe. Meu pai trabalhava muito, dava 12 horas de aula por dia. Era um pouco às escondidas porque meu pai não gostava que mexesse na biblioteca dele. Já quando era adolescente, meu pai começou a me orientar também, quando tinha mais tempo.
AM | Quando descobriu que queria ser escritora?
FQ | Até hoje não descobri. Sou uma aprendiz de escritora. Acredito que vivemos aprendendo todos os dias. Gosto de escrever, gosto de ler, gosto de ficcionar, gosto de inventar. Para mim, a vida é uma ficção. De perto é uma tragédia, de longe é uma comédia. Se a gente não se inventa é muito difícil.
AM | Você é formada em ciências sociais. Como conciliar esses dois mundos aparentemente tão distantes?
FQ | Sem dúvida foi influência do meu pai. Mas havia algo que me puxava pra antropologia. A narrativa antropológica se aproxima da narrativa ficcional. Isso me encantou. Quando comecei a trabalhar na Fundaj, meu chefe devolvia muitos dos meus relatórios, dizendo que isso não era ficção, era ci-ência. Eu acho que a ciência e literatura estão muito próximas. Essa complexidade do humano só pode ser compreendida pelo humano. Aos poucos, porém, meus relató-rios passaram a ser aceitos. Mas vinha sempre um recadinho: “Não precisa assinar. Todos sabem que é seu”. O que achei ótimo porque criei minha marca.
AM | Você escreve há 24 anos para jornal. De onde surgiu isso?
FQ | Desde 1987 que escrevo todas as semanas no Jornal do Commercio. Mas antes já escrevia esporadicamente. Minha mãe, quando via meu texto esporadicamente publicado, pedia para não fazer isso no jornal. Ela dizia que o texto era para livro porque eu era muito introspectiva, me desnudava demais. Então passei a respeitá-la. Não mandar mais para publicação. Até que Ivanildo Sampaio me convidou para publicar semanalmente, quando minha mãe já não estava mais viva.
AM | Mas você tem um público cativo.
FQ | É verdade. Acho que acabei forçando a um estilo diferente. A sensação que tenho é que há leitores que me amam e odeiam. Recebo e-mails de pessoas que dizem que compram o jornal apenas naquele dia, e até recortam.
AM | Como é seu processo de criação?
FQ | Eu nunca sei o que vou escrever. Crônicas e mesmo contos. Sento e me concentro. Tenho um certo ritual. Adoro velas. Tenho o hábito de acender uma vela, normalmente grossa, quando vou escrever. Acho que é uma forma de meditação. Olho para a vela e começo a escrever.
AM | Mas sai de primeira?
FQ | Se for um conto ou crônica, se não sair de primeira, tenho que recomeçar. É como se eu não pudesse partir minha meditação.
AM | Qual o estilo você mais gosta de escrever?
FQ | Me dá muito prazer escrever contos e crônicas intimistas. No romance existe muito mais fôlego, mas me deliciei muito. Escrevi em quatro dias, durante o Carnaval. Sentei e escrevi o romance. Tinha apenas uma ideia do que seria, mas a história só apareceu durante a escrita. Não sei trabalhar com roteiro. Quando fui reler, depois de uma semana, não modifiquei nada.
AM | E sua relação com o computador? Ele modificou sua forma de escrever?
FQ | Sou da época da máquina de escrever. Me adaptei muito facilmente ao computador. Ajuda muito, principalmente porque você pode repensar, reestruturar. Ele tem uma coisa que acho muito boa. Ele arruma a própria cabeça. Há letras que eu não consigo escrever porque não tem nenhuma arte, como a Arial. É muito dura. Na má-quina era um trabalho duplo, porque escrevia primeiro no papel.
AM | Junto com a tecnologia vieram novas técnicas. Como você analisa isso?
FQ | Me preocupo um pouco com o excesso da técnica. Acho que a criatividade tem sempre que ser superior à técnica. É um canibalismo que não me parece muito bom. O que importa é a criatividade. Se ela se utiliza de algumas dimensões mais modernas tudo bem, mas que não haja esse canibalismo.
AM | E a juventude? O que a internet mudou?
FQ | Me preocupo muito, até por ser professora universitária. Qualquer absolutismo, fanatismo é prejudicial. Acho que a máquina pode ser maravilhosa, mas desde que não venha afogar o homem. O momento atual é muito perigoso porque você percebe que as pessoas estão tendo um código especial. A linguagem está sofrendo modificações e sendo reduzida. Além dos jovens que passam o dia inteiro no computador. Isso é muito perigoso.
AM | Como você vê a literatura pernambucana contemporânea?
FQ | Ninguém pode deixar de ler Gilvan Lemos, Raimundo Carrero. Há inúmeros escritores. Cito esses dois nomes porque são ícones. Temos poetas muito bons. Creio que Pernambuco é um estado que se sobressai na literatura e ficção. Assim como se sobressai em outros setores. É um estado revolucionário.
AM | Como atrair os jovens para a Academia Pernambucana de Letras?
FQ | Quero a Academia de portas abertas. Temos três seminários agendados. Um será sobre a obra de Gilvan Lemos. O outro sobre Raimundo Carrero. Também teremos um sobre a língua portuguesa, e gratuito. Eu quero universalizar a Academia. Não estou pensando em universalizá-la longe do regional. Mas são pontos que se tocam. Não dá pra entender o singular longe do universal.
AM | Existem prêmios literários realizados pela Academia?
FQ | São prêmios pagos por pessoas físicas. Atrai as pessoas, mas são pagamentos simbólicos. Estou querendo lançar agora um prêmio para contos feitos por jovens. Temos que trazer o jovem. Não dá pra entender como temos dois colégios nas redondezas e os jovens não frequentam a Academia. Estamos marcando reuni-ões com os diretores do Damas e São Luís para criar soluções
AM | Também existirão oficinas literárias?
FQ | A oficina de Raimundo Carrero vai vir pra cá. Tenho conversado com ele. Não serão todas as turmas, mas pelo menos uma turma será aqui. Creio que isso fará um bem enorme a Academia. É um fluxo de pessoas que se interessam em literatura.
AM| O acervo da biblioteca está disponível ao público?
FQ | A Secretaria da Educação está nos auxiliando a resolver essa situa-ção. Temos uma biblioteca fechada por falta de informatização. Estamos trabalhando nisso, até porque são mais de 30 mil volumes. Estamos correndo atrás de auxílios.
AM | E o museu?
FQ | Nosso museu foi transformado no Museu da Casa Pernambucana. Tivemos o cuidado de dar o tom de como as famílias viviam no século XIX. Mas também está fechado. Não temos monitores, recepcionistas, sistema de vigilância. Estamos buscando ajuda, até porque não temo receita. Vivemos de doações. Só a manutenção já é caríssima.
AM | O casarão em que a Academia está instalada tem muita história. É possível explorar isso para trazer mais pessoas?
FQ | Se vocês olharem para a casa, pelo lado de fora, vocês vão ver uma miniatura do Teatro Santa Isabel. Dizem que foi projetada por algum aluno de Louis Léger Vauthier. Daí a semelhança. O sí-tio onde a Academia está não é um qualquer. Era a casa do Barão Rodrigues Mendes, que era dono de toda essa área, como o terreno do Colégio Damas, o Parque da Jaqueira. Temos até boas histórias deixadas por ele. Após a morte da esposa, por exemplo, ele entregou a casa para a filha e se isolou no mirante que temos aqui no terreno. A rua Doutor Malaquias tem esse nome porque ele quis homenagear o genro querido dele. Temos as fotos todas aqui, além de outras ótimas histórias. Isso é a história viva. Essa casa tem seus mistérios.
AM | Quais são eles?
FQ | Temos ainda o cofre dele aqui. A única coisa que essa casa não tem é fantasma, mas estamos com um projeto para ter assombrações aqui. Estou me reunindo com um grupo de atores que foi criado baseado em um livro de Gilberto Freyre, Assombra-ções do Recife Velho, e um livro meu, Assombrações e Coisas do Além. Falta um fantasma nessa casa. Porque o Recife é uma cidade de assombra-ções, o maior número de supersti-ções e assombrações está no Recife. Casa velha sem fantasma não existe.
AM | De onde vem a receita da Academia?
FQ | Não temos uma receita para planejar. Mas vamos tentando controlar isso. Atualmente temos apenas três funcionários para cuidar da Academia. Além do museu temos outro grande problema, que é o de manter os jardins. Já tentamos, mas nenhuma empresa quis adotar. A Chesf deu uma grande ajuda e tem feito um trabalho de uma manutenção não sistemática, uma vez por mês. Mas eu falo da manutenção diária.
AM | O Governo do estado auxilia a APL?
FQ | Eduardo Campos tem nos ajudado. Eu gostaria de torna-lo uma figura na história da Academia. Como Paulo Guerra e Eraldo Gueiros são. O primeiro entregou o prédio em regime de comodato; já o segundo, fez a doação definitiva. Quero muito que ele, junto com os deputados, façam um Projeto de Lei para sancionar uma verba permanente para a APL. Não precisa de muita coisa.
AM | Qual seria o valor dessa verba necessária?
FQ | Se tivéssemos uma mensalidade de R$40 mil dava para a gente aliviar, ter fôlego para planejar. É ter o pessoal trabalhando. Já seria uma coisa fantástica.
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