LUIZ E LUZIA (LUIZ GONZAGA E SANTA LUZIA) , O REI DO BAIÃO E A SANTA DA VISÃO
LUIZ E LUZIA (LUIZ GONZAGA E SANTA LUZIA) , O REI DO BAIÃO E A SANTA DA VISÃO
Os 106 anos do mestre Luiz Gonzaga merecem uma homenagem neste dia 13 de dezembro, que é, também, o dia de comemoração à Santa Luzia, protetora dos olhos, da visão, e que merece, do mesmo modo que Gonzaga, uma lembrança, pela data (efeméride) de festa à ela, e por uma “coincidência” entres ambos os homenageados: a cegueira.
Relação entre Gonzaga e Santa Luzia
Luiz (Lua) Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu (PE), em 1912. Protegido da Santa Luzia, ficou cego de apenas de um olho, quando sofreu um grave acidente de carro, em dezembro de 1961, enquanto viajava, com seu filho, Gonzaguinha, da cidade do Rio de Janeiro ao município fluminense de Miguel Pereira, onde ficou um mês hospitalizado.
Em uma de suas últimas entrevistas, antes de sua morte, concedida em 17 de outubro, ao jornalista Marcos Cirano, em um apartamento no bairro de Boa Viagem, no Recife (PE), Gonzagão assim relata o acidente que lhe tirou a visão de um olho:
“Foram mais uns quatro, ou cinco acidentes. Mas, o que eu andei mais perto da morte foi esse que me fraturou aqui (apontando para o lado direito da testa). Eu fiz duas operações, porque atingiu o olho, mas acabei cegando dele. Isso foi na Estrada de Miguel Pereira, Gonzaguinha tava comigo e o anão Salário-mínimo também. E a maior vítima fui eu. Mas escapei com vida. Isso foi em 1962, parece.”
Luiz Gonzaga
Conhecido como o rei do baião, Gonzaga nasceu na fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe. Filho de Januário José dos Santos, sanfoneiro e consertador de instrumentos e Ana Batista de Jesus.
Passou toda a sua infância ao lado do pai, acompanhando-o desde os oito anos de idade aos bailes, onde o ajudava a tocar sanfona. Trabalhou também na roça, nas feiras e tomando conta de rebanhos de bode.
Em 1924, aos doze anos, comprou sua primeira sanfona, fole de oito baixos, da marca Veado e aos quinze já tinha adquirido prestígio na região como sanfoneiro.
Em 1930, por causa de uma paixão frustrada, desentendeu-se com a família e fugiu à pé até o Crato, no Ceará, alistando-se no Exército. Com a eclosão da Revolução de 30 viajou por todo o país com sua tropa. No Exército, ficou conhecido como o Corneteiro 122.
Quando recebeu baixa do serviço militar, em 1939, foi para o Rio de Janeiro, na época a capital da república e passou a cantar e se apresentar no Mangue, zona de prostituição da cidade, onde havia muitos cabarés e gafieiras.
Apresentou-se no programa de auditório de Ary Barroso, bastante popular na época, cantando música nordestina e conquistou a nota máxima, sendo depois contratado pela Rádio Nacional. Em 1941, gravou seu primeiro disco pela RCA.
Em 1945, nasceu o seu filho, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, e no mesmo ano ele inicia sua parceria com Humberto Teixeira.
Casou-se, em 1948, com a professora pernambucana Helena Cavalcanti que havia conhecido nos bastidores da Rádio Nacional.
Como Humberto Teixeira resolveu dedicar-se à carreira de deputado, Luiz Gonzaga encerrou sua parceria com ele, passando a compor com o médico pernambucano José de Souza Dantas, o Zédantas, seu outro grande parceiro. Com Humberto Teixeira, Zédantas e outros, compôs uma grande quantidade de baiões, toadas, xotes, polcas, mazurcas, valsas, deixando registrada na discografia brasileira mais de 600 músicas. Muitos desses discos podem ser encontrados no acervo da Coordenadoria de Fonoteca, do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira (Cehibra), da Fundação Joaquim Nabuco.
Em 1980, cantou para o Papa João Paulo II, em Fortaleza, quando da sua visita ao Brasil. Nessa ocasião, retirou da cabeça o seu chapéu de cangaceiro, que se tornara sua marca registrada e colocou-o, respeitosamente, na cabeça do Papa que o abençoou e disse Obrigado, cantador!
Luiz Gonzaga tornou-se um símbolo cultural brasileiro: subiu em palanques de presidentes da República, animou jantares de reis e chegou, inclusive, a se apresentar no Olimpía de Paris, em 1986.
Morreu no dia 2 de agosto de 1989, às 15h15, no Hospital Santa Joana, no Recife, onde estava internado há 42 dias. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco e enterrado na capela do Parque Asa Branca, em Exu, sua cidade natal.
Entre suas composições mais conhecidas estão:
Asa Branca, Juazeiro, Assum preto, Cintura fina, A volta da asa branca, Boiadeiro, Paraíba, Respeita Januário, Olha pro céu, São João do carneirinho, São João na roça, O xote das meninas, ABC do sertão, Riacho do Navio, O cheiro da Carolina, Derramaro o gai, A feira de Caruaru, Dezessete e setecentos, A morte do vaqueiro, Ovo de codorna, Forró nº 1.
Santa Luzia
Santa Lúcia de Siracusa (± 283 - † 304), mais conhecida como Santa Luzia (Santa de luz), segundo a tradição da Igreja Católica, mesmo sem olhos pobre santa siciliana, nascida numa família rica de Siracusa, na Itália, venerada pelos católicos como virgem e mártir cristã, que, segundo consta morreu durante as perseguições do imperador Dioclesiano.
Diz a antiga tradição oral que, a proteção aos portadores de deficiência visual, pedida a Santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo.
Diz, essa tradição oral, que a jovem Luzia foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta, ainda, a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304
Na antiguidade cristã, juntamente com Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês, a veneração a Santa Lúcia foi das mais populares e, como as primeiras, tinha ofício próprio.
Chegou a ter vinte templos em Roma, nomeados em sua memória.
O episódio da cegueira, ao qual a iconografia a representa, deverá estar ligado tanto a tradição oral quanto ao seu nome Luzia (Lúcia) derivado de lux (= luz), elemento indissolúvel ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural.
Por este motivo Dante Alighiere, na Divina Comédia, atribuiu-lhe a função de graça iluminadora.
É assim a padroeira dos oftalmologistas, também .
A sua festa é celebrada simbolicamente em 13 de dezembro, possivelmente doze dias antes do Natal para indicar ao cristão a necessidade de preparação espiritual e sua iluminação correspondente para essa importante data que se avizinha.
É sincretizada nas religiões afro-brasileiras com a orixá Yewá.
Fontes:
http://sertaodesencantado.blogspot.com/2012/11/luizgonzaga-sofreu-muitos-acidentes-de.html
GASPAR, Lúcia. Luiz Gonzaga. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcia_de_Siracusa .
https://noticias.cancaonova.com/brasil/conheca-a-historia-da-santa-protetora-dos-olhos/
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