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Conheça a história de Nossa Senhora da Conceição

Publicado: Sexta, 07 de Dezembro de 2018, 13h36 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h07 | Acessos: 28956

Neste sábado, dia 8 de dezembro, é comemorada -  e, é feriado, municipal, no Recife (PE), e, em outras cidades do Brasil, e em todo o país europeu, de Portugal, também - a festa em homenagem a Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Porém, há uma pergunta a se fazer, a título de compreensão, melhor, da história, mesmo, da capital pernambucana: porque se celebra esta festa, se Nossa Senhora da Conceição não é a padroeira do Recife? E outra pergunta: porque, num calendário de um Estado Laico, como o Brasil, o Dia de Nossa Senhora da Conceição é considerado feriado na cidade recifense?

Para responder às perguntas, consultamos o historiador pernambucano, Leonardo Dantas Silva, que historia fatos “controversos”, mas legítimos, sob o ponto de vista da historiografia municipal, e sobre o(a)s padroeiro(a)s do Recife, segundo os auspícios da Igreja Católica Apostólica Romana, em particular, da Arquidiocese de Olinda e Recife. As respostas vêem, recorda o historiador, “com o fato de que o primeiro padroeiro do Recife ter sido Santo Antônio”. Narra Leonardo Dantas: “Nascido em Lisboa, em Portugal, em 1195, Antônio é o padroeiro de Pernambuco e do Recife, junto com Nossa Senhora do Carmo, copadroeira”.

Segundo o historiador, durante as lutas com os holandeses, o santo já era reverenciado. "Os estandartes da tropa tinham a imagem dele", lembrou. Ele revelou que o culto vem desde 1606, quando os franciscanos se instalaram na Ilha de Antônio Vaz sob proteção de Santo Antônio. "Em 1709, quando o povoado foi elevado a vila, a cidade recebeu o nome de Vila de Santo Antônio do Recife", diz.

No entanto, desde meados do século XIX, com a proclamação, dogmática, feita pelo papa Pio IX, em 1854, na Bula Ineffabilis Deus, a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição de Maria, o papa assim se expressou: Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis.

Os crentes católicos do Brasil, e de todo o mundo, praticamente, seguiram, fielmente, desde então, Roma, ou seja, o papa, o Vaticano, e foi-se criando, deste modo, um culto à Maria, à Nossa Senhora, igual ao culto a Jesus Cristo (talvez, especulamos, para o catolicismo se contrapor ao crescimento do segmento evangélico, protestante, em vários países, inclusive no Brasil).

Diante do crescimento da devoção à Maria, em todo o mundo, e entre os brasileiros, os nordestinos, os pernambucanos e os recifenses, em particular, com Nossa Senhora, a “escolhida”, do momento, no início do século XX, para ser “elevada” a “nova padroeira do Recife”, no lugar de Santo Antônio, foi Nossa Senhora do Carmo. Na realidade, a população foi convocada, no dia 6 de julho de 1908 para uma celebração no centro da cidade, quando um abaixo assinado foi entregue ao bispo Dom Luís Raimundo da Silva Brito, da Diocese, solicitando que a santa fosse proclamada padroeira dos recifenses.

Então, com a situação, o prelado enviou para o o papa Pio X , o citado documento. O resultado foi que,em 1909, a Virgem do Carmo foi proclamada Padroeira do Recife, e, no dia 21 de setembro de 1919, foi coroada. A mariolatria, na época, estava em alta, tanto que o mesmo fato se repetiu,”extra oficialmente”, mas com o beneplácito da Igreja local, ou seja, com o apoio da Arquidiocese de Olinda e Recife, com relação à Nossa Senhora da Conceição, “eleita”, pelo povo, copadroeira do Recife. E, desse modo, ao lado, e, concomitante, à festa e às homenagens à padroeira “oficial” do Recife, Nossa Senhora do Carmo, anualmente realizada no dia 16 de julho, passou-se a festejar e a homenagear a copadroeira da “Veneza Brasileira”, Nossa Senhora da Conceição, anualmente, no dia 8 de dezembro.      

A festa no morro da Conceição, no antigo bairro recifense de Casa Amarela, teve origem a partir da comemoração do cinqüentenário do dogma da Imaculada Conceição no Brasil, em 1904. Nesta época, o bispo diocesano D.Luís Raimundo da Silva Brito mandou construir uma capela em estilo gótico, e encomendou uma réplica da imagem da Virgem da Conceição vinda de Portugal, toda em ferro, cuja inauguração foi no dia 8 de dezembro de 1904. Até então, esta capela pertencia à comunidade do Poço da Panela.

Com o passar dos anos, o morro foi povoado por gente humilde e desabrigada das regiões ribeirinhas da cidade do Recife, em decorrência das constantes enchentes do rio Capibaribe.  Em 1974, diante do progressivo desenvolvimento urbano do bairro de Casa Amarela, houve o desmembramento da área do Morro da Conceição e adjacências, para a criação da nova paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Morro, instaurada em 8 de dezembro do mesmo ano. No ano seguinte, a paróquia passou a denominação de Matriz do Morro da Conceição.

As comemorações, em homenagem à Virgem da Conceição do Morro, iniciam-se há dez dias antes da data comemorativa, com a Procissão da Bandeira, saíndo da Igreja da Harmonia, na Estrada do Arraial, em Casa Amarela, percorrendo as ruas do bairro, até a Igreja da Conceição, no morro, de mesmo nome, na Zona Norte do Recife, levando a imagem da Senhora, Imaculada, da Concepção de Jesus.   

Na semana que antecede o dia 8 de dezembro, no pátio da Igreja do Morro da Conceição, há a realização de missas, novenas, reza de terços e a tradicional peregrinação ao morro, pelos fiéis, penitentes, devotos, pagadores de promessas, visitantes e a população geral, o que se constitui na maior romaria do Recife, um exemplo de fé e humildade cristã, que é o elemento necessário à sobrevivência material e espiritual do povo brasileiro.

Paralelo às homenagens que a Igreja Católica faz a Nossa Senhora, existem os cultos afro-brasileiros, que a veneram como sendo Iemanjá, rainha das águas, de todas as mães, princesas e donzelas, protetora dos navegantes, pescadores e marinheiros do mar, dos rios, e lagos. Diante dessa mistura de crença e religião, Maria, Mãe de Jesus, é fonte de inspiração de amor maternal, de milagres e esperança do povo brasileiro.

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