Oficina de Contação de Histórias traz à tona assuntos como escuta ativa e humanidade

“A gente pode se levantar, aprender a falar, escrever um texto e interpretá-lo bem. Tem muitos artistas que fazem isso e funciona. As pessoas vem vê-las, ficam contentes e depois isso acaba. Mas o que faz mesmo a diferença para a humanidade é quando um artista escolhe um texto sem se preocupar com os aplausos, mas com a mensagem passada pelo espetáculo. Por isso, essa forma de oficina me parece justa, porque nos faz refletir sobre o porquê de ter a palavra, receber a palavra, o que fazer com ela”, disse François Moïse Bamba, facilitador da Oficina de Contação de Histórias, após ouvir relatos e impressões dos participantes durante cinco horas seguidas.
Na roda de diálogos estabelecida entre professores, educadores, mediadores culturais e outros profissionais das áreas de educação e cultura, a palavra “humanidade” foi central, embora existisse uma pluralidade das vivências e perspectivas de mundo. “François não nos deu essa palavra, nós chegamos juntos até ela. A gente se acolheu enquanto indivíduo e como ser coletivo. Esse acolhimento nos fez colocar pra fora nossas reflexões. Quando a gente escuta a vida, a gente se escuta e escuta o outro. Percebendo que tudo é conexão, seja na França ou no Brasil”, compartilhou a contadora de histórias, Bruna Ranyere.
Com a colaboração de Laura Tamiana, responsável pela tradução simultânea de todas as conversas, a oficina, ocorrida no Museu do Homem do Nordeste, nos dias 3, 4 e 5 de dezembro, abriu as portas para diversas indagações. Entre as mais variadas discussões, que fluíram por temas como “ditadura do tempo” e “sotaques”, os participantes puderam compreender uma técnica essencial na arte de narrar histórias: saber escutar ativamente. “Insistimos muito sobre escuta e humanidade, porque são fundamentais para vida. O que quer que a gente decida dizer, que tenha vontade de dizer, se a gente tirar isso de dentro não vai haver mais força”, afirmou François.
Para Maurício Antunes, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, organizador e coordenador do evento, “estamos vivendo dentro de uma crise institucional, econômica, moral e ética. De um descrédito muito grande em instituições e políticos, chegando a contaminar nossas relações com vizinhos e familiares. Um momento em que a falta de contato vem sendo estimulada. A contação de histórias aponta para um caminho inverso, muito antigo, não há nada de novo nisso, mas que é importante ser reafirmado nesse momento. A importância do olhar, da conversa pessoal, da afetividade, da capacidade de escutar, de tomar a consciência que a palavra traz emoção”.
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