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Homenagem aos 17 anos de falecimento de Mário Souto Maior, folclorista e pesquisador da Fundaj

Publicado: Segunda, 26 de Novembro de 2018, 13h20 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h07 | Acessos: 476

Nesta semana, lembramos que, há 17 anos, perdemos o folclorista Mário Souto Maior. Ele foi pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Nascido em 14 de julho de 1920, na cidade de Bom Jardim, em Pernambuco, Mário fez o curso primário na sua cidade natal. E, mais tarde, o ginasial, já no Recife, no Colégio Marista.

No Carneiro Leão, fez o pré-jurídico, ainda no Recife, e em Maceió, Alagoas, na UFAL, concluiu o curso de Direito. Em dezembro de 1943, casou-se com Carmen da Mota Silveira Barbosa, com a qual teve sete filhos: Fred, Gise, Jane, Liz, Jan, Glen e Ed.
Mário Souto teve diversos cargos públicos. Foi prefeito de Orobó, em Pernambuco,   em 1945. Foi promotor público das comarcas de Surubim e João Alfredo e professor da Escola Normal Santana, de Bom Jardim. De 1957 a 1967, exerceu o cargo de diretor do Ginásio de Bom Jardim, do qual foi também fundador e professor.
A partir de 1967, tornou-se assessor da diretoria executiva do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais IIJNPS), hoje Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e Inspetor Federal de Ensino, do Ministério da Educação (MEC), função que exerceu até 1979, quando se “aposentou”.

Mesmo aposentado foi membro do Seminário de Tropicologia (1972) e diretor da revista Ciência & Trópico (1973-1975) e, a partir de 1976, começou a sua carreira de pesquisador do então IJNPS, incentivado por Gilberto Freyre. Em 1980 foi nomeado diretor do Centro de Estudos Folclóricos, da Fundaj, cargo que exerceu até 1990, quando da extinção do Centro, devido a uma reestruturação institucional. De 1991 até 2001 chefiou a Coordenadoria de Estudos Folclóricos da instituição.

Recebeu vários prêmios, entre os quais, o Silvio Romero, do MEC, em 1979, com o livro Folclore & Alimentação e, com o mesmo livro, em 1989, o Gran-Premio Íberoamericano Augusto Cortazar, instituído pelo Fondo Nacional de las Artes, do Ministério de la Educación y Justicia, da Argentina.
Foi membro da Academia Piracicabana de Letras e sócio de várias instituições, como o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, a União Brasileira de Escritores, de São Paulo e de Pernambuco, a Academia de Letras do Rio Grande do Sul e o Instituto Cultural do Vale Caririense, de Juazeiro do Norte, Ceará. Recebeu, em 1985, o International Writer Certificate for Excellence, da Universidade do Colorado, Boulder, Estados Unidos.

Pesquisador Emérito da Fundaj, foi poeta, contista, pesquisador e colaborador em jornais e revistas especializadas do Brasil e do estrangeiro. Publicou, como folclorista, cerca de cinquenta livros, entre os quais, “Como Nasce um Cabra da Peste” (1969), “Nomes Próprios Pouco Comuns” (1974), “Dicionário do Palavrão e Termos Afins” (1980), “A Lìngua na Boca do Povo” (1992) e “A Mulher que Enganou o Diabo” (1994).
Mário Souto Maior faleceu no Recife, em 25 de novembro de 2001.

* Por ocasião da sua morte, o jornalista da Fundação Joaquim Nabuco Arthur Pedro Bezerra de Menezes escreveu o seguinte poema:

ACADEMIA DOS FOLCLORISTAS

Por mais que tenham sofrido,
por aqui, os cabras da peste
no céu, é inconteste
que Deus ficou agradecido
por ter, no alto, recebido
mais um folclorista no Céu

Foi aquele escarcéu
quando Souto Maior chegou
esperando por ele, encontrou
Cascudo e Waldemar Valente
e mais, tantas outras gente
como outro Mário, o de Andrade

E no Umbral, “naquela cidade”
outros tantos etnólogos
como Silvio Romero, também filósofo
cantavam, dançavam, soltavam fogos
ao reencontrarem um colega
de quem todo mundo gosta

como Pereira da Costa
autor dos Anais Pernambucanos
todos eles, esperaram anos
até se verem reunidos
a Souto Maior, o mais querido
companheiro de estudo  

E foi Câmara Cascudo
quem tomou logo da palavra
saudando o imortal que chegava
aquela ilustre Academia
dos folcloristas que, em nenhum dia,
alguém pensou jamais existir

“pois no Céu há poesia
jogos, piadas, entrudo”
falou Cascudo, que, em tudo,
se referia ao recém chegado
e Souto Maior, emocionado,
pediu um aparte ao amigo:

“Para todos que estão comigo
nessa ilustre casa de Deus
eu peço que digam aos seus
que estamos bem e felizes
porque, fincamos raízes
na terra, que agora chora

mas, que, no futuro, não demora
terá do que rir e se fartar
quando o povão conquistar
todos os direitos que são seus:
uma terrinha pra plantar,
os filhos para estudar

emprego pra trabalhar
serviço de saúde digno
para espantar o maligno
do Reino, que é somente de Deus
É isso o que digo aos meus,
meu bom amigo, “Cascudo”

E feito o aparte, contudo,
não houve quem não quisesse
aplaudir o grande mestre
que tinha usado da palavra
pois no Céu, o que se lavra
é, antes de tudo, a amizade

paz, amor, fraternidade
coisas que estão esquecidas
da terra dos que vivem a vida
da morte e vida severina
dos muitos Joãos e Cabrais
enquanto não chegam aos umbrais

de suas sãs santidades
matando de dor e saudade
os que ficam aqui embaixo
que não sabem que, lá do alto,
há quem cuide dos que ficam
como aqueles que habitam a Academia dos Folcloristas

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