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Museu do Homem do Nordeste visita a Ilha de Deus com peças do acervo

Publicado: Quarta, 21 de Novembro de 2018, 17h22 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h07 | Acessos: 411

“O Museu do Homem do Nordeste veio até aqui trazer livros para a gente”. Foi assim o anúncio da ação do MUHNE na Rádio Boca da Ilha, que conta com caixas de som espalhadas na Ilha de Deus e divide seu tempo entre comunicados, músicas e brincadeiras das crianças. Minutos antes do anúncio, as vozes infantis pareciam adivinhar o motivo da visita e entoavam, ritmicamente: “Respeito é bom e todo mundo gosta. Cabelo ‘pixaim’ é questão de identidade”.
Durante a ação, os livros e o acervo do MUHNE dividiam a atenção das crianças. Enquanto isso, os mariscos passavam pelo processo de limpeza e cozimento. A ida à Ilha de Deus faz parte da proposta do Museu do Homem do Nordeste da vivência fora do ambiente museal. O objetivo é a troca cultural e fortalecimento de discussões
antropológicas.

Frederico Almeida é coordenador do MUHNE e fala da importância da experiência sobre o Dia da Consciência Negra fora do museu. “O objetivo é ampliar e fortalecer a discussão que já temos no museu. A visita à Ilha de Deus é uma forma de entender realidades diferentes e agregar a vivência museológica”, explicou. Frederico contou, também, que levar o debate sobre músicas de mulheres negras para o museu tem sido muito positivo. A cultura nordestina já esteve exposta também no Mercado de Casa Amarela. O Museu do Homem do Nordeste esteve na feira em maio deste ano com obras do acervo e relembrando peças, resgatando memórias. Daniel Pereira é monitor no Educativo do MUHNE e explica que o exercício de “saída” do museu é uma proposta de estar perto de questões da sociedade e grupos sociais. “A ideia é propor uma troca
com o local e, mais ainda, com as pessoas do local, sobre questões da Ilha e do Museu, buscando fazer conexões”, conclui.

Além da ação na Ilha de Deus, o Museu do Homem do Nordeste abriu exposição sobre as marisqueiras da região. Entender o trabalho das mulheres negras e a importância do papel delas no processo que mais gera renda na área é essencial para pensar a Ilha de Deus. Edilene da Silva tem 52 anos e sempre trabalhou com sururu. Enquanto limpa o pescado junto à sua mãe, ela diz ter gostado muito da ação do MUHNE na comunidade. A tradição do sururu passa de mão em mão também na família de dona Arlinda Leite da Silva. Ela divide tabuleiros na frente de casa com uma neta e uma filha enquanto limpa os pescados. “Já pesquei muito sururu aqui na Ilha, mas hoje eu não aguento mais. Eu acordo e cato, mas antigamente eu ia para a maré tirar”, relembra Arlinda enquanto ajusta os óculos no rosto, entre os baldes de sururu.

Além da exposição “Mulheres Marisqueiras da Ilha de Deus”, a programação do mês da consciência negra contou também com oficina de turbantes e debates no MUHNE com moradores da ilha, na última terça-feira. Nicole Araújo tem 11 anos e estuda na Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães e fala sobre o aprendizado no Dia da Consciência Negra. “As africanas usavam turbantes quando foram libertadas. Eles seriam para celebrar a liberdade dos índios e africanos, Um símbolo de resistência das negras”, conta. Washinton Luis Viena, de 10 anos, estuda na mesma escola e conta a importância da peça em sua família. “Aprendi a fazer pra minha mãe.

Ela disse que era uma forma dos negros amarrarem toda sua história na cabeça”. A
exposição segue até o dia 30 e é gratuita.

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