65 anos de morte do poeta pernambucano Austro Costa
No dia 29 de outubro de 1953, o poeta pernambucano Austro Costa morreu no Recife, quando ia do trabalho para casa, vítima de um acidente de ônibus na Rua da União. O ônibus no qual viajava bateu num poste, e Austro-Costa, viajando em pé, foi lançado fora, sofrendo fratura de base do crânio, com morte imediata.
Austriclínio Ferreira Quirino, que além de poeta, foi jornalista, era conhecido como Austro-Costa e nasceu no dia 9 de maio de 1899, na cidade de Limoeiro, em Pernambuco. Mudou-se de Limoeiro para o Recife em 1917, quando tinha apenas 17 anos.
Limoeiro é uma cidade situada no Agreste pernambucano, distante 77 Km do Recife, traz na biografia uma das marcas sociais de sua geração: a dos que, nascidos em cidade e vilarejos interioranos do país, entre a segunda metade do século XIX e primeira do século XX, migravam para os grandes centros urbanos, para o Recife, por exemplo, como o fez Austro-Costa ainda jovem, em busca de maiores oportunidades de estudo, trabalho e ascensão social. Como traço particular — que mais tarde revelaria ser sua verdadeira vocação profissional e seria responsável por sua memória não se desvanecer no tempo —, manifestou desde criança o gosto pela escrita, o veio poético, a capacidade de observar o mundo cotidiano e de traduzi-lo em crônicas a que deram vida os inúmeros jornais e revistas publicados em Pernambuco entre 1910 e 1950.
Na imprensa recifense do início do século XX, onde aportou com 17 anos, atuou como revisor, repórter, cronista, publicando também seus poemas. Em 1915, foi quando adotou definitivamente o pseudônimo de Austro-Costa. Publicou seu primeiro poema, no dia 15 de fevereiro de 1913, n’O Empata, ainda da cidade de Limoeiro.
No Recife, trabalhou na Empresa Vecchi, distribuidora de livros em fascículos (1918) e atuou na imprensa recifense como revisor, repórter e cronista social (sob o pseudônimo de João-da-Rua Nova), tendo trabalhado nos jornais A Luta, Jornal do Recife, Jornal do Commercio, A Notícia, Diário da Tarde e no Diário de Pernambuco, onde escreveu regularmente de 1922 a 1929. Quando escrevia crônica social usava o pseudônimo João da Rua Nova ou João-do-Moka.
No Diário da Tarde, manteve uma seção de sonetos satíricos e humorísticos intitulada De Monóculo, de 1933 a 1935, da qual resultou o livro póstumo de mesmo nome, organizado pelo escritor Luiz Delgado e publicado em 1967 pela Academia Pernambucana de Letras e o Governo do Estado de Pernambuco.
Publicou seu primeiro livro de poesias Mulheres e rosas, em 1922, contendo 52 poemas, que teve notável repercussão. Nessa mesma década, em 1924, integrou, pioneiramente, por influência do jornalista Joaquim Inojosa, o Movimento Modernista em Pernambuco, aderindo ao verso livre e à busca de trazer para a lírica os eventos do cotidiano.
Foi integrante do Movimento Modernista em Pernambuco (1924), participou do combate à Revolução Constitucionalista de 1932 e, em 1934, tornou-se funcionário da Assembléia Legislativa de Pernambuco. Dizia que tinha três "cachaças": imprensa, política e poesia.
Em 1945, publicou seu segundo livro, com 102 poemas, que denominou deVida e sonho, com o qual ganhou o prêmio Othon Bezerra de Melo, da Academia Pernambucana de Letras.
Casou-se com Helena Lins de Oliveira em 1948 e, em 1949, tomou posse na cadeira nº 5 da Academia Pernambucana de Letras patrocinada por Natividade Saldanha e cujo fundador foi o poeta e professor de Direito Gervásio Fioravanti.
Austro-Costa também foi autor da letra de vários hinos, a exemplo do Hino da Rádio-Patrulha de Pernambuco, da Marcha-canção dos Legionários de Princesa e do Hino do Congresso Comemorativo do Cinqüentenário do Apostolado da Oração da Paróquia de Casa Forte (Recife).
Poeta dos mais populares e queridos do seu tempo em Pernambuco, como testemunham jornais e revistas da época, Austro-Costa deixou uma obra de caráter romântico — “um dos melhores poetas românticos que Pernambuco tem dado ao Brasil” na opinião de Gilberto Freyre — e humorístico. Esse caráter lírico e existencial levou Luiz do Nascimento, seu amigo e historiador da imprensa de Pernambuco, a escrever que Austro foi uma espécie de “Castro Alves redivivo”, já que “numerosos corações femininos estremeceram ao vê-lo passar”. Seus poemas mais famosos são: Capibaribe, meu rio; Salomé Toda de Verde; O Recife da Madrugada é um Poema Futurista; Tartufo-mor; e O Último Porto, este último, um soneto, considerado pelo crítico Fausto Cunha como um dos vinte maiores da literatura brasileira.
Em 1994, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), publicou uma antologia poética de Austro-Costa, organizada pelo escritor Paulo Gustavo e com prefácio de Mauro Mota . Apesar disso, muitos dos seus poemas só foram publicados em revistas e jornais e permanecem inéditos em livro.
Fontes:
- GASPAR, Lúcia. Austro Costa. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br?pesquisaescolar>. Acesso em: dia 23 de outubro de 2018.
- Wikipédia enciclopédia virtual
- Austro-Costa: 110 anos em revista, de autoria de Rita de Cássia Barbosa de Araújo, Historiadora e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
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