Workshop Áreas Protegidas: Povos, Terras e Água, nos dias 12 e 13 de novembro, das 8h30 às 17 hortas, na Fundaj/Casa Forte
Fundação Joaquim Nabuco
Programa Institucional Educação, Governança e Sustentabilidade
Workshop
ÁREAS PROTEGIDAS: POVOS, TERRAS E ÁGUAS
12 e 13 de novembro de 2018
Recife-PE
Apresentação
“Áreas Protegidas” é um termo geralmente aplicado a uma porção delimitada do território sujeita a algum tipo de disciplinamento estatal de uso que busque assegurar certo grau de conservação ambiental. No Brasil podemos pensar imediatamente nas unidades de conservação ambiental, e nas áreas que o Código Florestal restringe o uso, como as margens de rios, áreas de declive e topos de morro (as chamadas APPs), ou as reservas legais das propriedades rurais. Nos últimos anos, os debates relativos à conservação da biodiversidade, bem como os debates sobre direitos territoriais de povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores artesanais, entre outros, tem indicado dois alargamentos necessários para se pensar a conservação ambiental.
O primeiro deles é que é possível estender o conceito de áreas protegidas para além da ideia de disciplinamento estatal. Assim, podemos perceber inúmeras iniciativas de mobilização de povos tradicionais e de movimentos sociais, no sentido de cuidar dos territórios que habitam, com ou sem garantias do Estado. Manter florestas em pé, despoluir as águas, recuperar áreas de caça e pesca, realizar a agricultura e criação de animais com baixo impacto, entre outras práticas, conectam-se com ações de manter ou recuperar o acesso às áreas de uso, defender os territórios de invasores, proteger e manter espaços rituais, buscar formas justas de produção e comércio, buscar estratégias de educação, saúde e comunicação adequadas aos contextos locais.
O segundo alargamento necessário é a compreensão de que não é possível realizar conservação apenas nos limites das unidades de conservação, pois os limites territoriais delimitados pelo Estado são permeáveis aos movimentos das espécies animais e vegetais, aos ventos e águas, aos fluxos e efeitos de poluição e também às relações territoriais que os variados grupos sociais estabelecem.
Esta conclusão se coloca em um panorama em que, no Brasil, as práticas institucionais, submetidas a interesses privados, tem sido extremamente desfavoráveis às estratégias de conservação ambiental e cuidado com os territórios. Assim, mal se consegue conservar dentro das unidades de conservação, enquanto se ignoram direitos territoriais de povos tradicionais, minguam os incentivos estatais a estratégias de sustentabilidade no campo e na cidade, e não há hesitação em permitir grandes empreendimentos de infra-estrutura mesmo que contrariem a legislação ambiental.
Por outro lado, há diversas experiências em curso que tratam da gestão participativa em unidades de conservação, de mobilizações para defesa e cuidado de territórios tradicionais, da construção de territórios rurais sustentáveis de agricultura familiar. Estas iniciativas congregam estratégias de uso pactuado, práticas diferenciadas de educação e de comunicação e a produção de inovações técnicas com base em regimes tradicionais e científicos de conhecimentos.
O Workshop Áreas Protegidas: Povos, Terras e Águas tem o objetivo, portanto, de pôr em conexão esses diferentes tipos de experiências do que poderíamos chamar de “cuidado com o território”, para que se possa refinar, a partir das práticas sociais, esse alargamento da ideia de áreas protegidas. O seminário é uma atividade do Programa Institucional “Educação, Governança e Sustentabilidade” da Fundação Joaquim Nabuco, que contempla atividades de pesquisa, formação e difusão conectadas com estas questões.
Metodologia
O Workshop terá uma dinâmica de acolhimento, uma mesa de abertura, com a apresentação do Programa Institucional “Educação, Governança e Sustentabilidade”. As discussões irão ocorrer em três mesas de diálogo, com três convidados cada e um coordenador. Os convidados trarão contribuições teóricas, metodológicas e, sobretudo, reflexões sobre o tema específico e sua relação com a proposta geral do evento. Cada mesa contará com uma relatoria, que sintetizará processualmente as principais questões e debates colocados pelos convidados e pelo público. Para o fechamento dos trabalhos teremos uma mesa com uma síntese crítica da relatoria, comentada por um palestrante convidado, podendo sinalizar ações futuras.
Mesas de diálogo
Atividade 1 – Mesa redonda: Gestão participativa, educação e comunicação em unidades de conservação
Atividade 2 - Mesa redonda: Territórios tradicionais como áreas protegidas
Atividade 3 - Mesa redonda: Mundo rural, educação e sustentabilidade
Atividade 4- Relatoria: síntese crítica
Atividade 5- Palestra de encerramento
Local e Horário
Local: Sala Calouste Gulbenkian, Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte
Horário: 8h30 as 17h
Programação
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Dia 1 (12/11) |
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Manhã |
8:30. Inscrição e Dinâmica de acolhimento |
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9:00 Mesa de abertura: Pedro Silveira (Fundaj), Solange Coutinho (Fundaj) e Alexandrina Sobreira (Fundaj) |
Coordenadora: Edneida Cavalcanti (Fundaj) |
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9:30 Mesa 1 – Gestão participativa, educação e comunicação em unidades de conservação Participantes: 1. Iran Campello Normande (ICMBio) 2. Taís Frizzo (UFRGS) 3. Severino Antônio dos Santos (Conselho Pastoral dos Pescadores) |
Coordenadora: Solange (Fundaj) Relatora: Rita Muhlhe (UFRPE) |
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Intervalo |
Almoço |
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Tarde |
14:00 Mesa 2 – Mundo rural, Educação e sustentabilidade Participantes: 1. Joanna Lessa (UFRPE) 2. José Maria Tardin (MST) 3. Josemar Martins Pinzoh (Departamento de Ciências Humanas, UNEB) |
Coordenador: Cláudio Ubiratan (UFPE) Relator: Lucas Coelho Pereira (UnB) |
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Dia 2 (13/11) |
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Manhã |
9:00 Anúncio sobre o IX Seminário Áreas Protegidas e Inclusão Social (SAPIS) e IV Encontro Latinoamericano de Áreas Protegidas e Inclusão Social (ELAPIS), Recife 2019 9:30 Mesa 2 – Territórios tradicionais como áreas protegidas Participantes: 1. João Gonçalves de Santana (AMEX- Resex Canavieiras-BA) 2. Iran Neves Ordonio (IPA-PE e povo Xukuru – Pesqueira-PE) 3. Joselita Gonçalves (Quilombo Dom João São Francisco do Conde- BA) 3. Thiago Mota Cardoso (UFBA) |
Vanice Selva (Prodema UFPE) e representante da Fundaj Coordenadora: Beatriz Mesquita (Fundaj) Relator: Rafael Buti (Unilab) |
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Intervalo |
Almoço |
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Tarde |
14:00 Síntese crítica dos debates Rita Muhle (UFRPE), Lucas Coelho Pereira e Rafael Buti (Unilab) |
Coordenador: Pedro Silveira (Fundaj) |
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15:00 Palestra de encerramento: Iara Vasco Ferreira (ICMBio) |
Coordenadora: EdneidaCavalcanti (Fundaj) |
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