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Guimarães Rosa e Gilberto Freyre: “gênios inclassificáveis” no Seminário de Tropicologia

Publicado: Terça, 25 de Setembro de 2018, 15h10 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h08 | Acessos: 578

“Gênios inclassificáveis”. Foi assim que o poeta e escritor Paulo Gustavo definiu Guimarães Rosa e Gilberto Freyre, durante o seminário de Tropicologia, realizado nesta terça (25). O intuito do conferencista, servidor aposentado da Fundaj, foi mostrar a inserção de cada um dos gênios na obra do outro. Ele destacou que a crítica acadêmica passou a associar Rosa e Freyre há pouco mais de dez anos, sobretudo no aspecto lingúistico. No entanto, destaca, certos temas ficaram em segundo plano. “Há toda uma história do Brasil na obra roseana”, aponta.

Durante o seminário, Paulo Gustavo mostrou como era possível perceber a literatura de Gilberto dentro da de Guimarães. Ele disse que, de certa forma, Guimarães Rosa invoca Freyre em seus escritos, mas de uma maneira que vai além do “chamado”: a literatura de Rosa traz Gilberto. E completa: “Guimarães Rosa é uma espécie de literatura à parte, literatura dentro da literatura. Ele está na categoria dos gênios inclassificáveis, assim como Gilberto Freyre”.

O seminarista também fez questão de expor outras semelhanças entre os autores. Ele classificou os dois como bairristas e nacionalistas culturais, de modo que para Guimarães, o sertão está em toda a parte e para Gilberto, o Nordeste está em toda a parte. Para ele, em Grande Sertão Veredas, por exemplo, Guimarães Rosa abriga o patriarcal, as relações feudais e latifúndios citados por Freyre em Casa Grande e Senzala. "Rosa é o escritor pesquisador, podemos dizer que Freyre era o pesquisador escritor"


Além da afinidade literária, foi exposto o “paralelismo político” entre os dois, visto que ambos, são definidor por Paulo Gustavo como conservadores e, ao mesmo tempo, revolucionários. Após a exposição de Paulo Gustavo, os demais seminaristas presentes destacaram a importância dos escritores para a evolução da língua portuguesa. A coordenadora do Seminário de Tropicologia, Fátima Quintas, definiu Rosa e Freyre como “homens que sentiram as palavras, choraram as palavras e revolucionaram as palavras”.

Para o escritor e crítico literário Lourival Holanda, ambos escritores foram “alargadores da possibilidade da linguagem”. “Eles são grandes porque têm uma percepção muito mais larga da realidade”, resumiu.

O economista, escritor e professor Clóvis Cavalcanti destacou que conheceu Gilberto Freyre e começou a ler obras de Guimarães ainda no colégio. Ressaltou que não antes da palestra de Paulo Gustavo não havia notado associações entre os dois. “É possível perceber que eles tinham o pé no massapê, na terra, mas o espírito no mundo”.  

   

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