EIPP forma quinta turma de Justiça Restaurativa
“A formação íntegra de cada aluno deve ser o objetivo maior. Não só repassar o conteúdo, mas ir além. Olhar para cada um, conhecer cada um dele. O curso me levou a enxergá-los”. O depoimento de Artur Cavalcanti, professor de história na Escola Estadual Dom Bosco, em Aliança, cidade da Mata Norte do Estado, ratifica a importância do curso Justiça Restaurativa na Escola para uma Cultura de Paz.
O docente foi um dos 60 participantes do curso de introdução realizado pela Coordenação de Estudos de Inovação da EIPP, da Fundação Joaquim Nabuco, na sede da Gerência Regional de Educação (GRE) da Mata Norte, em Nazaré da Mata. Durante quatro sábados de agosto, gestores e professores de 63 escolas dos 17 municípios ligados à GRE participaram da formação. “Fizemos essa parceria com a Fundaj para ter um multiplicador dessa cultura de paz em cada uma de nossa escolas. E a repercussão foi extremamente positiva. Temos que formar mais pessoas e continuar com o segundo módulo do curso”, afirmou a gerente da GRE Mata Norte, Edvânia Arcanjo.
De acordo com ela, a demanda por alternativas para a resolução de conflitos nas escolas, sem qualquer uso de punição, é urgente. Uma pesquisa realizada pela gerência no início do ano comprovou essa necessidade: em 51 das escolas alunos relataram casos de automutilação e tentativa de suicídio decorrentes de bullying praticado pelos colegas de sala frente a frente ou pela internet. “Nós, gestores, não estamos preparados para lidar com esses problemas. Precisamos dessa formação”, destacou Edvânia.
Idealizadora do curso, a coordenadora de Inovação da EIPP, Maria Ferreira, ressaltou que a formação age justamente na resolução dos conflitos que surgem, dando aos gestores, professores e demais participantes do ambiente escolar conhecimento para media-los sem afastar o aluno, mas sim o levando a cada vez mais participar das atividades escolares. “Essa turma que concluiu o curso de introdução deve passar agora para a formação de facilitadores, que de fato ensina a técnica para formar os círculos e mediar os conflitos”, esclareceu.
Palestra - O professor e coordenador do curso de Direito Humanos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcelo Pelizzoli, foi convidado pela EIPP para ministrar as aulas de formação no curso de introdução. Na programação, a explanação sobre o que é Justiça Restaurativa e qual a sua proposta para solucionar as questões de violência na escola. “Saímos do processo de culpabilização para o de responsabilização e que, de fato, existem outras maneiras de se trabalhar com o problema”, explicou Maria Ferreira.
Para João Lemos, que ensina sociologia e história na Escola Estadual Agamenon Magalhães, em Tracunhaém, cidade da Mata Norte, as aulas proporcionaram justamente essa atenção maior no momento em que surgem os conflitos. “Logo após a primeira aula vi o quanto a minha palavra de educador reverbera entre os meus alunos. O quanto o modo de falar com eles pode modificar suas histórias de vida”, destacou Lemos, que aguarda agora o segundo módulo do curso de Justiça Restaurativa que é oferecido gratuitamente pela Fundaj.

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