Acervo completo de Lula Cardoso Ayres é passado à Fundaj

Um dos maiores exemplos da versatilidade artística de Pernambuco, Lula Cardoso Ayres encontrou na fotografia uma forma de documentar o que achava que podia se perder com as mudanças e o tempo. Em suas fotos, retratou o universo nordestino. Ele viveu durante anos em uma usina na Mata Sul pernambucana e conviveu com cortadores de cana, mulheres, crianças do engenho Usina Cucaú. Fotografou também o entorno de Rio Formoso, foi ao litoral, estudou os caboclos e índios da tribo Fulni-Ô em Águas Belas, no Agreste pernambucano.
O acervo completo, composto de 7.149 documentos, foi oficialmente passado para a Fundação Joaquim Nabuco e após devida catalogação, ficará disponível para o público. Nas mãos da instituição pernambucana, as fotos estarão “em casa”, segundo Betty Lacerda, coordenadora Geral do Centro de Estudos da História Brasileira da Fundaj. “Ter esse acervo é um importante trabalho de resgate. Ele vai constituir-se como patrimônio pernambucano e daqui, vai para o mundo.”

Desde sempre Lula Cardoso Ayres Filho soube que o acervo de seu pai ficaria na Fundaj. Segundo ele, é a única instituição com condições de dar os cuidados que os documentos precisam, além de ser um ponto de referência nacional em pesquisa iconográfica. “É uma alegria muito grande que uma parceria que começou com meu pai e ‘tio Gilberto’ está ainda mais fortalecido.”
Amigo próximo de Gilberto Freyre, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari, o artista também usava a fotografia para documentação pessoal de família, amigos e viagens. A Fundaj já tinha uma pequena parte desse acervo que, em 2017, foi usado para o livro “Lula Cardoso Ayres - Fotografia”, publicado pela Companhia Editora de Pernambuco. “Essa aquisição só vai acrescentar e completar o acervo de fotos do ilustre Lula mundialmente”, declara a presidente da Fundação, Ivete Lacerda.

A intenção agora é juntar todo o acervo e permitir que ele seja parte de uma jornada de conhecimento sobre o Nordeste e sobre “a faceta de fotógrafo com uma qualidade técnica extraordinária”, como descreve Betty. O filho do artista diz que a Fundaj vai fazer com mais qualidade técnica o trabalho de conservação que ele fez sua vida inteira, desde o falecimento do pai. “Espero que dentro da grandeza da Fundaj sobre políticas culturais o público também possa ter um conhecimento cada vez maior sobre o trabalho do dele.”
O acervo
- São 7.149 itens, sendo:
- 3425 negativos e diapositivos
- 3724 ampliações em papel
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