Políticas educacionais no Chile, Portugal e em estados do Nordeste são temas de debate na Fundaj do Derby

Quem abriu o último dia do Seminário Internacional Valorização Docente na Educação Básica foi o professor chileno Vicente Sisto, da Pontífica Univerdade Católica de Valparaíso. A conferência Políticas de Avaliação e Subjetividades Docentes marcou a aula inaugural do PPGECI. Nela, o professor falou sobre a questão das políticas públicas chilenas e a desvalorização do profissional da educação. Vicente explicou que, ainda que o Chile tenha aumentado o acesso à educação básica, a mesma seguia com baixa qualidade. Esse problema também era causa direta do desemprego e a pobreza no país.
Durante a conferência, Vicente criticou um documento publicado pelo Banco Mundial que falava que a baixa frequência dos professores era uma limitação para o avanço da educação básica na América Latina. "Na psicologia do trabalho a primeira coisa quando você vê que o profissional tem baixa frequência no trabalho é porque tem péssimas condições de trabalho ou má administração", justificou o professor.
Ele também falou do Sistema de Avaliação dos Docentes e a subjetividade por trás das condições de trabalho dos mesmos, que influencia nessa avaliação. Segundo Vicente, pesquisas apontam que escolas com relações cooperativas e solidárias têm melhor desempenho. "Como pesquisadores não temos apenas que investigar, mas promover as transformações com aqueles que fazem as transformações acontecer", concluiu Vicente.
A manhã também foi marcada pela mesa 3 - Políticas estaduais de educação: os estados de AL e PI. Luís Romani (Fundaj) foi o mediador e a professora Ana Clementino (Gestrado) ficou responsável pelos comentários.

Analisando as políticas educacionais de Alagoas, os professores Cezar Nonato Candeias (UFAL) e José Marcio (UFAL) apresentaram um balanço de dados desde o ano de 2014 até o presente. A ideia era avaliar o governo do estado e as política implementadas na Educação Básica. Segundo eles, o objetivo de fazer essa análise dos últimos anos se deu porque dados apresentados pelo governo mostravam um “estancamento” na queda do número de matrículas na Educação Básica no ano de 2016. Após segmentar o ensino básico em Fundamental, Médio e Infantil, os pesquisadores perceberam que os médio e fundamental continuaram caindo, mas o infantil teve um aumento significativo, o que resultou no estancamento citado.
Já no Piauí, a avaliação da Educação Básica ficou por conta da professora Adriana e Silva Sousa (UFPI). Ela falou sobre o piso salarial dos professores, que começou a ser pago no ano 2010. Adriana avalia alguns ganhos na carreira dos docentes: “A rede estadual no Piauí oferece cursos, seminários para a execução dos programas e projetos”. Em contrapartida, ela também critica a contratação de forma precária dos professores e o sistema padronizado das escolas para atingir metas. “Nós vimos que a oferta da Educação Básica se caracteriza por uma utilização da educação a distância como um meio de garantir a oferta escolar mais ampliada, em especial o Ensino Médio”.

Nordeste e Portugal
O Seminário Internacional Valorização Docente na Educação Básica teve continuação na tarde desta sexta-feira (24), com a quarta mesa de palestrantes, que levou ao público as políticas estaduais de educação do Rio Grande do Norte e Paraíba, completando as repúblicas federativas do Nordeste brasileiro. Antonio Cabral Neto (UFRN) e Andréia Ferreira (UFCG) compuseram a bancada, que contou com a coordenação de Luiz Romani (Fundaj) e a comentarista Lívia Fraga (Gestrado). O encerramento do evento ficou por conta de Sofia Vizeu, da Universidade de Lisboa (Portugal), com o tema “Gerencialismo, escola pública e desigualdades na educação”.
O professor Antonio, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, reiniciou o seminário exibindo as trilhas percorridas e os resultados alcançados pela política de educação, com uma breve caracterização do estado potiguar referindo-se aos indicadores socioeconômicos e educacionais. Também foram debatidos a organização da educação básica e as diretrizes políticas no determinado campo e o total de escolas estaduais que compõem a rede de ensino médio regular, que revelou as altíssimas taxas de reprovação.

Fechando a quarta e última banca, a professora Andréia Ferreira, da Universidade Federal de Campina Grande, veio acompanhada das também professores da Ângela Cristina Alves Albano (UFPB) e de Melânia Mendonça Rodrigues (UFCG). O grande objetivo do seu projeto é a realização de uma apresentação geral das políticas educacionais adotadas pelo governo paraibano, em referência às suas diretrizes e prioridades e seus principais programas e iniciativas desenvolvidas.
A conferência de encerramento do evento teve como tema o “Gerencialismo, escola pública e desigualdades na educação” e foi ministrado pela professora Sofia Vizeu, da Universidade de Lisboa, que mostrou ao público o modelo português de políticas educacionais.
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