Construção de hidrelétricas é questionada durante Seminário de Tropicologia
“Nunca pergunte a uma empreiteira se você está precisando de uma hidrelétrica”. Foi assim, em tom de brincadeira, que o pesquisador norte-americano Philip Martin Fearnside apresentou um assunto sério: “Impactos das hidrelétricas na Amazônia e a tomada de decisão”. O tema, discutido hoje, durante o 411º Seminário de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco, mostrou-se prioritário, tanto para o Brasil, quanto para o mundo. E alertou sobre a necessidade de modificar o atual sistema responsável pela tomada de decisões sobre obras na Amazônia, maior floresta tropical do mundo.
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e autor de mais de 600 publicações sobre meio ambiente e desenvolvimento, Philip Martin Fearnside acredita que “os custos das barragens não são viáveis dentro de um país rodeado de outras opções sustentáveis para a geração de energia elétrica, como a eólica, solar, entre tantas outras”. Além de serem fatais para o meio ambiente e os povos ribeirinhos, “as principais vítimas” da construção de hidrelétricas não planejadas.
Dentre os principais impactos ambientais e sociais, Fearnside destaca o aumento da força da água sob as cidades próximas, as enchentes, a destruição dos ecossistemas aquáticos e a consequente extinção dos peixes que alimentam boa parte da população. “Por causa da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, um quarto da população foi expulsa pelo aumento de nível da barragem. Várias espécies de peixes, que só existem lá, podem ser extintas. A barragem é sempre uma catástrofe. E não tem nada que segure a construção delas”, afirma.
Para Fearnside, também vencedor em 1º lugar do Prêmio Chico Mendes na área de Ciência e Tecnologia, em 2006, e segundo cientista mais citado no mundo na área de aquecimento global, de acordo com o Instituto de Informações Científicas, é preciso haver mudanças urgentes na forma de aprovar a construção de hidrelétricas e observar os erros que foram cometidos no passado para não se repetirem.
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