Pesquisador da Fundaj aborda limitação hídrica em evento voltado para caatinga
A vegetação xerófila denominada Caatinga é predominante no Semiárido brasileiro, sendo 11% do território nacional, 70% do Nordeste. Ela ainda abriga 60% da população nordestina. Muito importante do ponto de vista biológico, as características apresentadas focam em espécies morfofisiológicas adaptadas ao estresse hídrico e às elevadas temperaturas, transformando-as em uma opção para o alto desenvolvimento da região. Mas, tal recursos estão sendo explorados de forma inadequada, causando a diminuição das populações naturais e, em muitos casos, provocando o desaparecimento de várias espécies.
Pensando nas condições atuais, a Fundação Joaquim Nabuco, em parceria com a Embrapa e a Universidade Federal do Vale São Francisco (Univasf), participa do II Simpósio do Bioma Caatinga, que acontece no período de 30 de julho a 03 de agosto, no Polo Juazeiro/Petrolina.
De acordo com João Suassuna, pesquisador da Fundaj, que participará do encontro no dia 31 de julho, o objetivo é mostrar que existe água disponível, o que não sabemos é usá-la. “O nordeste tem uma limitação hídrica muito grande, porém mesmo havendo essas limitações os volumes que existem nas represas são suficientes para o fornecimento de água mediante uma gestão adequada e eficiente desses volumes”, comentou o pesquisador.
Atualmente, os açudes estão, em sua maioria, secos. O grande motivo é a superutilização da água, sendo por irrigação, evaporação ou outros recursos. “A evaporação é bem intensa na região, porém existem outros motivos, pois a água está sendo sempre utilizada. No geral, o povo vem sendo prejudicado também. Em 2017, empresas de grande porte como Armando Ribeiro Gonçalves, Curema Mãe d’Água e Castanhão entraram em volume morto. Nosso desejo é que isso não aconteça mais, pois sabemos que usando a água de forma certa e adequada vamos ter os recursos hídricos necessários sim ”, explicou.
O objetivo do Simpósio é mostrar que não é necessário utilizar a transposição do Rio São Francisco, que é uma água muito cara e está dando um resultado muito pequeno, pouco significativo. “Vamos falar sobre o acesso e uso da água de uma forma racional. Esse é o trabalho realizado pela Fundação Joaquim Nabuco. Buscamos realizar um trabalho de convivência, mostrar que é possível a convivência com o semiárido, citamos como exemplo, a transposição de bacias, o rio São Francisco, plantas da Caatinga, animais adaptados em climas secos e entre outros” completou.
Nos últimos anos, os eventos climáticos registrados com precipitações pluviométricas bem abaixo da média, apontam para um cenário que apresenta algumas espécies já estão no processo de erosão genética. Atualmente, a Caatinga é considerada como um dos três biomas brasileiros mais degradados e ainda não apresenta-se nos cenários nacional e internacional de prioridades de conservação.
Também no dia 31 de julho, a Fundaj lança o Atlas da Caatinga, no II Simpósio do Bioma Caatinga.
Conheça a programação completa pelo link: www.sibic.com.br/index.php?page=programacao
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