"Precisamos ter um plano para expandir o Recife", aponta José Luiz Mota Menezes

“O meu interesse pelo Recife começou ainda criança, quando meu pai me obrigava a olhar a cidade. Passear, observar a Ponte Giratória, ter um olhar antenado e diferente. Falar sobre a cidade do Recife é muito fácil, busco andar pelas ruas e observar os prédios e edifícios. O importante é entender o valor da paisagem urbana”. Dessa forma, o arquiteto, historiador e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), José Luiz Mota Menezes, abriu o 409º Seminário de Tropicologia, que ocorreu na manhã desta terça-feira (05), na Fundaj.
O encontro foi dividido em dois aspectos da construção da paisagem urbana: tempos e contratempos. No primeiro ponto, José Luiz Mota Menezes abordou a mobilidade, um dos mais graves problemas do Recife atualmente. “Quando você pensa em mobilidade, não é somente conseguir se locomover pela cidade. É uma questão que vai muito além disso, mobilidade, no meu ponto de vista, envolve qualidade de vida”, pontuou.
Já no segundo aspecto, o "contratempo" abordado pelo professor envolveu as relações entre os edifícios e a escala da cidade. “Tudo sempre fugia da escala humana. Ruas verticais surgem tornando-se movimento de insociabilidade, ou seja, desaparece a sociabilidade urbana. A verticalização é possível, mas com a garantia de uma circulação voltada para mobilidade urbana”, acrescentou José Luiz Mota Menezes.
Outro ponto abordado pelo arquiteto e professor foi o bom senso e o pertencimento necessários quanto ao crescimento da cidade. “Precisamos ter um plano para expandir a cidade, dessa forma não existirá um crescimento desordenado. Um lugar não é simplesmente construído e pronto. A cidade está em eterna e constante mudança”, concluiu.
O tema “Um norte para o Recife” foi bastante elogiado pela antropóloga e coordenadora do seminário, Fátima Quintas. “Trazer pessoas que são conhecedoras do assunto e lutam o tempo todo por uma ideia é bastante reconhecedor e satisfatório. Além disso, conhecemos seu modelo e didática. Com isso, identificamos e percebemos que os assuntos abordados trazem perspectivas diferentes” disse.
A coordenadora também destacou a história do Seminário de Tropicologia. “Neste ano de 2018, o seminário completa 52 anos de reuniões sequenciadas, sem qualquer pausa. Onde abordamos vários temas e levantados muitas discussões importantes para visitantes, seminaristas, professores e pesquisadores. Um evento bastante respeitado”, assegurou.
O seminarista Lourival Holanda, presente no encontro, também acrescentou elogios ao tema abordado e ao palestrante. “Para falar sobre o assunto é preciso competência e isso José Luiz Menezes tem de sobra. Não só competência, mas também aliando paixão ao exercício da profissão. Ele tem uma capacidade de análise incrível, jovialidade e sua luta vai muito além do bom senso. Um personagem muito atual e importante para o nosso momento”, comentou.
Redes Sociais