Exposição Mestres dos Saberes tem início na Fundaj
Pernambuco pode ficar otimista com a continuidade do seu artesanato popular. A exposição Mestres dos Saberes, aberta nesta sexta-feira (18), na Galeria Waldemar Valente, do Museu do Homem do Nordeste, traz de forma conjunta a arte de vinte mestres e mestras do estado e a produção de estudantes que participaram nos últimos três meses de oficinas na Fundação Joaquim Nabuco.
Diante de uma plateia repleta de estudantes e mestres, a presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Ivete Lacerda, ressaltou o apoio do Ministério da Educação para que o projeto Mestres dos Saberes fosse executado. “Sem dúvida, é algo que nos deixa muito feliz. É um projeto que, desde a sua concepção conta com o apoio do MEC, por meio do ex-ministro Mendonça Filho e, agora, do ministro Rossieli Soares da Silva. É muito gratificante ver essa exposição e espero que o projeto tenha inspirado vocês a valorizarem o artesanato do nosso estado”, afirmou Ivete.

Responsável pela coordenação do projeto, Afonso Oliveira destacou a importância de aproximar a arte dos mestres e a vontade de aprender dos estudantes. “Aproximar esses mestres que dedicaram suas vidas para manter viva a arte pernambucana das escolas é fundamental. Ainda é muito restrita a presença da cultura popular do nosso estado nas escolas e o Mestres dos Saberes funcionou como uma ponte. Além disso, é de suma importância trazer os alunos para centros culturais como a Fundaj”, disse o coordenador.
Em nome dos 20 mestres que realizaram o projeto, o Mestre Zuza de Tracunhaém, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, especialista na arte com barro, afirmou que é necessário preservar a cultura pernambucana deixando um legado. “Nós mestres plantamos uma sementinha dentro de vocês, uma semente da arte. Vocês podem muito bem se transformar nos futuros mestres de Pernambuco”, apontou.

À frente da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (MECA) da Fundaj, Astrogildo dos Santos ressaltou o conhecimento que os mestres puderam passar aos participantes das oficinas. “O artesão se dedica ao aprimoramento da arte por toda a vida, eles não são chamados de mestres à toa, carregam muita sabedoria. É importante que as crianças saibam a importância de tudo isso e a Fundação Joaquim Nabuco funcionou como um canal entre os mestres e os estudantes”, frisou.
A exposição Mestres dos Saberes segue na Galeria Waldemar Valente do Muhne até o dia 18 de junho.
Seminário Empreendedorismo e Artesanato
Se tornar artesão é bom, mas conseguir ganhar dinheiro por meio da sua arte, muitas vezes, é fundamental para dar continuidade ao sonho. Fátima Gomes, gestora do Projeto de Artesanato do Sebrae conversou com os estudantes e mestres participantes das oficinas e destacou a importância de o artesanato, de fato, se transformar em uma fonte de renda.
Ela destacou que Pernambuco sofre com a falta de continuidade do conhecimento da cultura popular. “Percebemos que o mestre muitas vezes não tem discípulos, não há perspectiva de continuidade do seu trabalho. É por meio de projetos como o Mestres dos Saberes que conseguimos mostrar para crianças e adolescentes a nossa cultura. Caso contrário, corremos o risco de acabar com a cultura popular pernambucana”, afirmou.
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