Ausência indígena na história do Brasil é discutida no Seminário de Tropicologia
27.04.2018
"Se fôssemos construir uma nova imagem do Brasil hoje, teríamos que incluir uma complexidade maior. Porque os heróis da nossa história estão muito além das praças públicas, cheias de bandeirantes, generais e tantos outros portadores de veias azuis. Os heróis também são de outra natureza, já que a construção do país se realizou através de uma multidão de histórias e raças", assegurou o antropólogo e professor João Pacheco de Oliveira Filho, palestrante do 408° Seminário de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco, realizado nesta sexta-feira (27), em Casa Forte.
O tema "Eurocentrismo e Ciências Sociais: os indígenas como ponto cego de teorias sobre o Brasil" trouxe à tona uma grande mazela social, a ausência dos indígenas na construção da história brasileira. João Pacheco, pesquisador reconhecido pelos trabalhos voltados aos indígenas, além de ter sido premiado em 2017 pela obra científica O Nascimento do Brasil explicou que “o título dessa conferência é provocativo. Procurei fugir dos antropólogos que estudam apenas o micro e não o macro, dos antropólogos que pretendem extrair dos indígenas apenas o exótico. Procurei discutir a real contribuição que pesquisadores dessa área podem dar para gerar uma reflexão sobre o Brasil”.
Rodeado de um público heterogêneo, formado por jovens, adultos e idosos, o antropólogo destacou dois personagens essenciais para o entendimento das questões indígenas do país: Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. Colocando-se como interlocutor entre os dois autores, e portanto terceiro personagem destaque, o antropólogo apresentou os pontos de vista que conceberam a imagem do índio no país e desmistificou ideias presentes no imaginário coletivo.
"Os índios não são primitivos, eles foram transformados em populações primitivas. Foram imprensados pelo avanço da ‘civilização’ e tiveram destituídos seus meios de trabalho, territórios, instrumentos, modos de conhecimento e sua religião", refletiu João. Na ocasião, aproveitou para falar das mulheres indígenas, que não sofrem somente com o machismo institucionalizado, mas também com o racismo. E ressaltou a necessidade de superar as fronteiras do academicismo para chegar na população, através de uma ciência engajada, capaz de criar "novas formas de percepção social, enfrentamento e utopia".
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