Fundaj avança em plano de capacitação para a Biblioteca Nacional de Cabo Verde
O terceiro dia de reunião da equipe da Fundação Joaquim Nabuco com os representantes da Biblioteca Nacional de Cabo Verde pôs em perspectiva todas as possíveis parcerias que podem surgir com o encontro. Nesta quarta-feira (25), os técnicos se encontraram com o Ministro da Cultura e Indústrias Criativas, com o embaixador do Brasil e com o Conservador do Arquivo Público.
“O projeto piloto tem como ponto de partida a Biblioteca Nacional de Cabo Verde, mas experiência deverá ser ampliada para outras instituições”, comenta a chefe de gabinete Joana Cavalcanti. A terceira oficina de trabalho serviu para construir a matriz lógica do projeto a partir das necessidades que foram identificadas. Segundo ela, as principais demandas da Biblioteca Nacional de Cabo Verde são a preservação e a conservação do acervo e promoção da leitura articulada aos direitos humanos.
A instituição também apresentou como missão a divulgação do acervo e o estímulo à leitura através de variados suportes textuais. A partir disso, foram colocados na mesa de debate projetos de produção de conhecimento através da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (MECA) e da Diretoria de Formação (Difor), além da atuação da Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira CEHIBRA com cursos de preservação e restauração de acervo.
Na reunião anterior, realizada na última terça-feira (24), o grupo participou de um encontro onde foram mostrados os problemas da Biblioteca e houve uma apresentação sobre as diretorias Fundaj. “Agora, o foco é traçar metas e prioridades para saber quais os produtos e projetos necessários para uma parceria técnica. A biblioteca tem carências enormes, principalmente no termo de conservação”, relata Maria Ferreira, Coordenadora Geral de Cooperação e Estudos de Inovação da Difor.
O grupo esteve também com a Diretora do Instituto Nacional do Livro - CPLP e, segundo ela, foi pensado para o programa de trabalho possibilidades de cursos de restauração, roteiro, atividades, promoção de livros e leitura.
Confira a entrevista com a curadora da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Fátima Ferreira. Ela é doutora em Letras e tem pós-graduação em Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo.
Como a Fundaj pode colaborar com as lacunas da biblioteca?
Neste momento, estamos muito satisfeitos com a missão proposta e estamos muito adiantados na análise. Estamos a ver a possibilidade de uma colaboração a nível institucional. A experiencia da Fundaj, desde organização do acervo ao próprio perfil dos recursos humanos. Estamos a pensar em trabalhar restauração e conservação de documentos, e também a parte da comunicação e promoção da leitura.
Quais são as principais demandas da biblioteca atualmente?
Essas propostas são precisamente para responder as lacunas. Não temos uma organização do acervo com destaque para obras raras e coleções, higienização e climatização. Também gostaríamos de nos articular para organizações temáticas e destaques com nossos autores com o devido conhecimento técnico. Temos muitas obras, então a parte de restauro e conservação são prioridades, além da promoção da leitura, que a biblioteca não tem capacidade técnica para mediar.
Além da ajuda profissional, existe outra forma que Fundação pode contribuir com a biblioteca?
Sim, estamos a pensar a própria experiências editorias. Nós demos a Fundaj livros da nossa coleção, e eles contribuíram com publicações da Editora Massangana. Gostaria de dizer que tudo está sendo muito proveitoso. A questão da justiça restaurativa, que Maria Ferreira está propondo, entra em uma linha de trabalho para discutir problemáticas sociais visando formatar as relações sociais e as lacunas de leitura com dinâmicas muito próprias que a Fundaj tem. Consideramos que vai ser muito bom conseguir esse apoio dos diversos setores por essa missão. A formação do mediador, a justiça restaurativa e organização do acervo.
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