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Visconde e Viscondessa em restauração no Laborarte

Publicado: Terça, 24 de Abril de 2018, 15h57 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h09 | Acessos: 691

“Requer um trabalho minucioso que envolve muita dedicação e paciência”, disse Cecília Sátiro Nóbrega, restauradora da Fundação Joaquim Nabuco, sobre o trabalho realizado no Retrato do Visconde e da Viscondessa de Utinga, pintado por Joaquim José de Carvalho Siqueira Varejão, em meados do século XIX. A obra chegou no Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte (Laborarte), na sede da Fundaj, em 2015 e, três anos depois, segue no processo extremamente delicado de restauração. Depois de restaurada, a obra, que pertence a Fundação Joaquim Nabuco, ficará na reserva técnica do Cehibra.

De acordo com Cecília, tudo começa com o diagnóstico do estado de conservação da obra. A partir dele, é possível saber tudo que será necessário para a realização da restauração desejada. “É nesse diagnóstico que podemos observar todos os problemas que a obra apresenta e definimos os procedimentos a serem realizados. No quadro que representa o retrato do Visconde e Viscondessa de Utinga, especificamente, os problemas apresentados são vários: a tela possui diversos rasgos, ondulações, perdas do suporte e da camada pictórica, além de intervenções anteriores em que foi utilizada a cera para reentelar o quadro. A remoção desse material é demorada e exige muito cuidado, pois, quando ela não é bem executada, os acúmulos da cera podem influenciar diretamente ao resultado do processo final”, explica a restauradora.

Entre as intervenções anteriores da obras está a presença de um relógio de pulso. De acordo com restauradores do Laborarte, a pintura do relógio foi executada após a pintura original. Além da aparência, foi levado em conta pela equipe do Laborarte a época da popularização do relógio de pulso no Brasil, por volta do início do século XX, período posterior ao da pintura, datada da primeira metade do século XIX.

De acordo com a coordenadora do Laborarte, Ana Elizabeth, por conta do seu tamanho, a obra não podia ficar na mesa térmica normalmente utilizada nas restaurações. Foi necessário então que a equipe realizasse um curso de capacitação para fazer o reentelamento do quadro através de envelopamento e ventosas, processo no qual é preciso que a obra esteja completamente vedada para não vazar o ar. “Esse processo é necessário por conta dos rasgos que a tela tem. Se você não reentelar e simplesmente colocar no suporte, a pressão exercida vai fazer com que a tela se rasgue de novo, ou seja, o reentelamento é colocar um tecido semelhante ao que já existe na obra. Esse processo evita que a tela se rompa e cause novos rasgos”, afirma Ana Elizabeth. A previsão é que a obra fique pronta até o final deste ano.


Joaquim José de Carvalho Siqueira Varejão
O autor da pintura era professor de geometria e mecânica aplicada às artes, repassou o conhecimento aos órfãos filhos dos defensores da pátria a língua francesa e o desenho linear e de figuras. Além disso, sua filha, Carolina de Azevedo Carvalho Siqueira Varejão, também ensinou piano, música e algumas prendas às órfãs.

Restaurações mais recentes
Três obras do pintor vanguardista Lula Cardoso Ayres foram restauradas pela equipe do Laborarte e, logo após a finalização do trabalho, foram encaminhadas para exposição na Fundaj. As pinturas "Retrato de Menina" e "Diabo", que passaram pela técnica óleo sobre a tela, foram encaminhadas para a Fundaj do Derby, enquanto "Eito", está disponível em no Museu Homem do Nordeste, em Casa Forte. Os processos de manutenção e as etapas de restauração dessas telas foram vários. "Podemos citar alguns exemplos como limpeza, higienização, fixação e reintegração cromática", finalizou Ana Elizabeth.

O Laborarte
No local, já foram realizadas várias restaurações importantes, como por exemplo, acervo iconográfico da Faculdade de Direito do Recife, higienização e acondicionamento do acervo documental e bibliográfico do médico e cientista Josué de Castro e da educadora pernambucana Maria Elisa Viégas, diagnóstico das condições de conservação da Coleção de Obras Raras da Biblioteca Blanche Knopf da Fundaj, projeto arquitetônico de restauração da casa-grande e da Capela de São Mateus do Engenho Massangana, no Cabo de Santo Agostinho, entre outros.

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