Livro da Editora Massangana sobre pensamento de Gilberto Freyre é lançado na Fundaj

O lugar de Pernambuco na história da museologia brasileira é uma das reflexões trazidas pelo livro “O Pensamento Museológico de Gilberto Freyre”, que foi lançado nesta terça-feira (19), na Sala Calouste Gulbenkian, às 18h. A publicação pretende criar um diálogo entre os textos desenvolvidos pelo autor e as reflexões contemporâneas sobre seus pensamentos em relação ao museu, a memória e a museologia. O encontro acontece na semana que se comemora o Dia do Museólogo (18/12), e trouxe ao Recife o museólogo Mário Chagas (um dos organizadores do livro), para participar da mesa redonda de lançamento, justamente no momento em que que ele acaba de ser nomeado diretor do Museu da República, no Rio de Janeiro.
Para Mário Chagas, "é um lugar comum, mas com bastante intensidade, o fato da influência que a Fundação exerceu na minha formação. Aqui valorizei a produção do conhecimento, e descobri, de certo modo, como e porque sou e não sou museólogo. Saí da Fundaj, mas a Fundaj não saiu de mim, pois estou sempre em diálogo com a instituição, como agora, e também saí do Recife, mas o Recife não saiu de mim, pois ainda conservo muitos amigos em Pernambuco, eu que sou do Rio e vim pra cá, trabalhei no Museu do Homem do Nordeste, conheci Gilberto Freyre, e, a partir daí, compreendi o seu pensamento, mas não tanto quanto entendo atualmente, principalmente o seu pensamento museológico, depois de termos lançado este livro, que não é fruto de apenas dois anos (período em que ele foi aprovado e financiado pelo Funcultura), mas de cerca de 15 anos, quando desenvolvi uma pesquisa para uma tese de doutorado que compara três grandes intérpretes do Brasil: Gustavo Barroso, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. O primeiro, de direita, o terceiro de esquerda e o segundo, ali, balançando na rede, oscilando de um lado ao outro. E eu, estudando os três, que eram, além de pesquisadores, poetas bisesextos, logo, enveredei no estudo da arte, e da arte ao ensaio, resolvi, junto a Gleyce, elaborar este trabalho que estamos lançando".
A publicação traz 10 textos escritos por Freyre entre as décadas de 1920 e 1980 sobre museus e museologia, relacionados a seis ensaios contemporâneos sobre esses documentos. Publicado pela Editora Massangana, equipamento ligado à Fundação Joaquim Nabuco, o livro tem incentivo do Funcultura e terá distribuição gratuita de exemplares durante o lançamento. “Para a Fundaj, o apoio à publicação deste livro reflete o compromisso com a difusão de conhecimentos nas áreas de memória e patrimônio. Para o Museu do Homem do Nordeste também é uma oportunidade de revisitar aspectos da sua memória institucional”, afirmou Silvia Paes Barreto, socióloga da Divisão de Estudos Museais e Ações Comunitárias do Museu do Homem do Nordeste.
O encontro teve a presença, além de Mário Chagas, da pesquisadora Gleyce Kelly Heitor, também organizadora do livro e de Alexandro Silva de Jesus, autor de um dos ensaios. “Identificamos ao longo da pesquisa mais de 30 textos de Gilberto dedicados aos temas museu e museologia. Para o livro, mais do que quantidade de textos, nos interessava ressaltar o caráter inaugural de algumas de suas reflexões”, admitiu Gleyce.
O livro conta ainda com ensaios de Clarissa Diniz, curadora e crítica de arte, Myrian Sepúlveda dos Santos, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do artista Jonathas de Andrade. “Além de suscitar novas leituras em torno do pensamento freyreano, o livro quer fomentar pesquisas e olhares para a sua obra, especialmente no que se refere à museologia”, ressaltou Mario Chagas.

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