Misturando ficção e realidade, “1817: A Revolução Esquecida" remonta evento que marcou Pernambuco
A ficção e a realidade se misturam, e a Revolução Pernambucana aparece repaginada em seu bicentenário na obra "1817: A Revolução Esquecida", dirigido pelos cineastas Tizuka Yamasaki e Ricardo Favilla. O filme retrata a revolta nascida em Pernambuco, através do olhar da personagem Maria Teodora da Costa, interpretada por Klara Castanho, que tem um caso com Domingo José Martins (Bruno Ferrari), um dos líderes revolucionários. A obra, produzida com o apoio do Ministério da Educação, numa parceria com a TV Escola e a produtora Rio de Cinema Produção Culturais, será exibida pela primeira vez no próximo domingo (3), no Cinema São Luiz, na capital pernambucana.
“Esse projeto tocou o meu coração, pois sou um amante de Pernambuco e sei do seu valor histórico e democrático no cenário nacional das lutas libertárias. A gente precisa conhecer a nossa história para projetar o futuro”, afirmou Mendonça Filho, ministro da Educação. O filme marcará também a estreia da série "História", da TV Escola, sendo exibido em quatro partes, levando a todo o Brasil um dos seus eventos revolucionários mais marcantes.
Filmado durante 14 dias em várias locações espalhadas pelo Recife, como o Forte das Cinco Pontas, a Ponte Maurício de Nassau e o Convento de Santo Antônio, "1817: A Revolução Esquecida" mostrará ao público um outro lado do movimento emancipacionista. Em coletiva nesta quinta-feira (30), na Fundação Joaquim Nabuco, Tizuka Yamasaki destacou o apoio do MEC para o desenvolvimento das gravações. “A participação do ministro Mendonça, que atendeu o nosso pedido com muita paixão quando apresentamos o projeto, foi muito importante para o nosso trabalho”, destacou.
O fato de já ter filmado outro filme no Recife e de conhecer a cidade ajudou a cineasta na hora de escolher as locações. “Peguei muitas informações com Paulo Santos (escritor do livro que baseia a obra), que facilitou a nossa vida. A ajuda do diretor Cláudio Assis também foi muito importante, pois a nossa intenção era pegar a essência da revolução”, revelou a cineasta.
Inspiração
O filme foi baseado no livro “A Noiva da Revolução”, escrito pelo jornalista Paulo Santos de Oliveira. Para Santos, a obra se torna ainda mais relevante ao ser escolhida para iniciar a série da TV Escola. “É uma iniciativa extraordinária e que vai contar um período rico e que deve ser mais divulgado da história dos pernambucanos. Será uma grande contribuição da TV Escola nesse sentido. É preciso mais obras que mostrem o orgulho de cada povo”, frisou.
Cerca de 80% dos integrantes do elenco e da equipe técnica são pernambucanos. Alguns atores que participaram das filmagens estiveram presentes durante a coletiva de imprensa, caso de Carlos Ferrera, que interpretou Cruz Cabugá. O ator falou sobre a importância de um filme com o protagonismo negro ser exibido no Brasil, mostrando os negros como agentes de ação de um evento histórico. “Buscar essa representatividade é o que me fez tentar esse papel com tudo. É preciso mostrar o empoderamento das pessoas negras e, com isso, abrir cada vez mais espaços na sociedade”.
Já para a atriz Carmen Virgínia, desconstruir a imagem de que o negro sempre foi frágil e não teve vontade de ajudar durante a revolução foi um dos motivos que a atraíram para a obra. “É um filme empoderador e que retrata o Brasil de ontem e de hoje. Temos que reviver a memória das pessoas que nunca desistiram de lutar”, apontou. Comungando do pensamento de Carmen, o ator Washington Machado acredita que a produção pode se tornar uma ferramenta pedagógica para ser passada nas escolas. “O país precisa recuperar suas referências e esse projeto é capaz disso. É uma ótima maneira de chamar a atenção dos estudantes nas escolas”, ressaltou.
Após a exibição no Recife, o filme será exibido no Rio de Janeiro, na próxima terça-feira (5), e em São Paulo, dia 13 de dezembro, na Cinemateca Brasileira. A estreia na TV Escola ocorre no dia 15 do mesmo mês.
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