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Abordagem de patrimônios históricos na rede de ensino é discutida em seminário na Fundaj

Publicado: Quinta, 30 de Novembro de 2017, 13h33 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h09 | Acessos: 859

A II Jornada de Ensino de História de Pernambuco-JEHPE, promovida pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em História, Educação e Culturas juntamente com a Fundação Joaquim Nabuco trouxe nesta quinta-feira (30) ao público na sala Calouste Gulbenkian a oportunidade de refletir sobre atividades no campo de ensino em história. O segundo dia do evento foi aberto com a mesa “Ensino de História e Patrimônio Cultural” e contou com a presença da prof. Dra. Sylvia Couceiro, da Fundaj, prof. Dr. Almir Oliveira, da UFRN e mediação do prof. Dr. Lucas Victor, da UFRPE.

"A gente está aqui, por que gente resiste em produzir conhecimento sobre o ensino de história", abriu o mediador antes de introduzir a primeira palestrante. A pesquisadora titular do CEHIBRA, Sylvia Couceiro, apresentou um balanço de seu estágio de trabalho na Fundação Calouste Gulbenkian a respeito da abordagem do patrimônio na educação. Ela avalia que as elites constroem uma ideia do que é mais importante e, a partir disso, a população é obrigada a reconhecer aquilo como patrimônio histórico. "Os grupos sociais não participam de forma igualitária da formação e manutenção dos patrimônios", explica. Segundo ela, a escolha de heróis e celebrações acaba não contemplando uma parcela da sociedade e é dever do profissional que trabalha com patrimônios levar isso em consideração de modo que a pluralidade da população seja levada em conta. Isso, segundo ela, pode ser a solução para a diminuição da depredação de patrimônios por falta de representatividade.

Contextualizando com a fala de Sylvia, o segundo palestrante, o prof. Dr. Almir Oliveira, afirma que o tombamento de patrimônios relacionados a elite é muito forte e, para as pessoas simples envolvidas, a representatividade é pouca. Sobre a abordagem dos patrimônios culturais dentro das escolas, trouxe dados de sua pesquisa de doutoramento acerca da relação entre patrimônio e o ensino, relacionando os artigos publicados, os grupos que estudam o tema e os simpósios nacionais para fazer um balanço de como anda o ensino de história no Brasil. A conclusão, segundo ele, é que é um tema latente que está aos poucos se consolidando. “São marcas do passado e do presente e devem ser explorados como tal. Vai além da arquitetura, do valor simbólico e a memorização. Como documentos, não são portadores da verdade. São construções, eles podem ser questionados."

A mesa da tarde do evento, intitulada “Perspectivas Metodológicas da Pesquisa no Ensino de História”, coordenada pela professora e doutoranda Ana Luíza Porto, do IFAL, trouxe temas diversos sobre o ensino de história no Brasil.  

Falando por Skype, direto do campus do IFBA, em  Eunápolis, na Bahia, a professora/doutora Nathalia Alem apresentou a sua palestra, problematizando a seguinte questão: o que um professor da disciplina História iria fazer numa escola técnica, como a IFBA? “A princípio, um professor de história lida com professores de biologia, física, matemática. Etc.., numa escola normal, e num Instituto Federal nós lidamos com arquitetos, engenheiros, nutricionistas e enfermeiros, entre outros profissionais, umas coisa que os licenciados também são tomados deste estranhamento ao trabalharem em um espaço multisingular, como o IFBA”, enfatizou. 

Mas, logo após, a própria Nathalia respondeu a sua indagação, falando que são necessidades acadêmicas que se colocam no campo do ensino de história, no campo da educação e do trabalho, e, assim, o currículo do ensino de história pode estar associado a, e dentro de outros, currículos, de cursos como automação industrial e manutenção mecânica, por exemplo. 

A pesquisadora/doutora Cibele Barbosa, da Fundação Joaquim Nabuco, presente a mesa de debates na sala Calouste Gulbekian, tratou do tema “Imagens de Africanos e Afrodescendentes nos Livros Didáticos e o Uso de História das Relações Étnicoraciais”, discorrendo sobre três pesquisas que fazem parte do Programa Institucional 5 da Fundaj,  Educação e Relações Étnico Raciais, coordenado pelo pesquisador doutor Joanildo Burity.Ela disse que, “há dois anos, eu e meus colegas, Silvia Couceiro e Alan Monteiro, vimos levantando imagens de publicações e desenvolvendo as pesquisas para um banco de dados iconográficos de  livros de história e de sociologia no ensino médio”.  

Cibele explicou que são cerca de seiscentas imagens, entre fotos e gravuras, de 19 livros de história e de dois livros de sociologia, de 2012 pra cá”. Para a pesquisadora da Fundaj, são imagens recorrentes que os autores utilizam nos seus livros como ilustrações e que, quando citam as fontes, são sempre do Arquivo Nacional, da Biblioteca Nacional, do IHGB, da própria Fundaj, do Instituto Moreira Sales, da Art Gallery, da Gallica, da França, e da British Library, da Inglaterra ou de coleções particulares, que quando identificadas, pertencem a George Ernakoff, por exemplo.  

As gravuras de Rugendas e de Debret são outras recorrências nos livros didáticos, lembrou Cibele, que citou as imagens icônicas sempre presentes em livros, e até nas capas dos livros, como a das figuras das Amas de Leite, do tipo da fotografia da Ama de Leite Mônica, que é uma fotografia do acervo da Fundaj, da coleção Francisco Rodrigues.  

O problema, na opinião da pesquisadora, é que a imagem é geralmente utilizada como ilustração, e não é muito considerada pela Academia como fonte de pesquisa histórica. 

Logo após a palestra de Cibele Rodrigues, o professor/doutor André Mendes, da Uninabuco, palestrou sobre “O Conhecimento Escolar Guerra do Paraguai em Livros Didáticos e na Fala de Professores de História de Escolas da Educação Básica no Brasil e no Paraguai”, título também da sua tese de doutorado, que incluiu 26 livros didáticos (14 do Brasil e 12 do Paraguai).  

Segundo André Mendes,o imaginário da Guerra do Paraguai, que foi construído através das memórias de vários autores, como Armando Souto Maior, Francisco Alencar e Borges Hermida, acabou por tornar o conhecimento de poderosos num conhecimento poderoso, porque cada autor, ou leitor, de cada nacionalidade, tem uma interpretação da Guerra do Paraguai, e no Brasil ela não é muito conhecida, mas no Paraguai, os paraguaios sabem mais da guerra, porque sofreram mais com ela.  

Um exemplo disto, deste sofrimento, de acordo com Mendes, foi que a Guerra terminou em 1870, mas os militares brasileiros ficaram no Paraguai até 1877, e saquearam tesouros das igrejas e estupraram  mulheres, entre outros crimes e violências que a população paraguaia sofreu.

Confira a programação completa em http://jehpe.blogspot.com.br/.

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