Editora Massangana vence o Prêmio ABEU com livro "Vivencial", de Ana Farache

A Editora Massangana foi a grande vencedora do Prêmio da Associação Brasileira das Editoras Universitárias - ABEU 2017, na categoria capa, com o livro Vivencial: Imagens do Afeto em Tempos de Ousadia, de autoria da fotógrafa e coordenadora do Cinema da Fundação, Ana Farache. Para a autora do livro, a premiação foi motivo de alegria não só porque destaca a Editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco e do Ministério de Educação, entre as melhores do país, mas também por prestar uma justa homenagem ao Vivencial, um dos grupos teatrais mais criativos, representativos e irreverentes dos anos 70, no Brasil.
Segundo ela, foi uma honra ter seu trabalho entre tantos outros de qualidade e ter o reconhecimento de uma Associação de prestígio, como a ABEU, que comemora 30 anos de atividade. A Editora Massangana disputou o prêmio de melhor capa com duas publicações da Editora da Universidade de São Paulo (USP): Visitação do Real nos Fatos Clínicos Psicanalíticos, de Carolina Aires Sucheuski, e O Adolescente e a Internet: laços e embaraços no mundo virtual, de Carla Fernanda Fontana, que ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares.
O coordenador da editora Massangana, o jornalista Antônio Magalhães, considera o prêmio um estímulo para a continuação do grande trabalho já desempenhado. "O reconhecimento pela ABEU da qualidade editorial do livro 'Vivencial/ Imagens do afeto em tempos de ousadia', de Ana Farache, é um estímulo tanto para a Editora Massangana quanto para outros autores da Casa. O que nos leva a afirmar que um livro de conteúdo de qualidade e graficamente bem editado vai sempre interessar aos leitores”, apontou.
O livro Vivencial: Imagens do Afeto em Tempos de Ousadia reúne 105 fotos e sua capa estampa a fotografia, já antológica, do ator Pernalonga (Roberto de França), em uma imagem marcante, que faz parte de um ensaio fotográfico produzido em 1979. "Foi uma grande homenagem para Perna. É uma foto bastante reconhecida e que tem um olhar forte. Passa dignidade e mostra muita força", destacou Ana Farache, que divide o prêmio com o designer Jorge Borges, responsável pelo projeto gráfico do livro da publicação, e que mora atualmente em Paris.

Acervo
O acervo de Ana Farache sobre o Vivencial é um dos mais significativos do grupo e tem sido referência e suporte para diversas pesquisas do movimento cultural pernambucano da época. São dezenas de fotografias realizadas entre 1979 e 1983, em película p&b, com utilização exclusiva da luz natural.
A fotógrafa morou em Olinda de 1976 a 1990 quando se dedicou a cobrir a cena cultural da cidade. Além de trabalhar em jornais e emissoras de televisão como fotógrafa, repórter e editora, Ana também atuou nos grupos de teatro da Unicap (Tucap) e no Ponta de Rua. Amiga de vários integrantes do Vivencial, foi particularmente muito próxima de Pernalonga (falecido em 2000), uma das figuras mais emblemáticas e queridas do grupo.
Vivencial: imagens do afeto em tempos de ousadia teve a curadoria da fotógrafa Renata Victor, coordenadora do curso de Fotografia da Unicap. “Fazer a curadoria do Vivencial: imagens do afeto em tempo de ousadia foi uma experiência extremamente prazerosa. Manusear negativos e cópias fotográficas banhadas de prata, selecionar o material e cuidar dos registros repletos de história da cultura pernambucana, a partir do recorte do olhar de Ana Farache, um privilégio”, diz Renata Victor.
A publicação contou ainda com apresentações do escritor Jomard Muniz de Britto e da crítica de fotografia Simonetta Persichetti, docente da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo. “Ao passarmos pelas imagens de Ana realizadas num período de obscurantismo político mas de ousadia estética numa tentativa de sobrevivência, percebemos a importância de seu relato, que muito mais do que representação de encenações previamente estabelecidas se transforma em um documento de uma época, quase um diário, ou parafraseando o título do livro são imagens do afeto em tempos de ousadia”, ressalta Simonetta. O livro traz ainda depoimentos de ex-integrantes do grupo e contou incentivo do Funcultura, do Governo do Estado.
A memória visual construída pelo olhar da fotógrafa é capaz de permitir um entendimento do fenômeno Vivencial de forma abrangente: não apenas rever pessoas e lugares, mas igualmente perceber características únicas que o grupo assumiu, reunindo figuras das mais variadas tribos, sob a influência da contracultura. Assim, longe de realçar apenas a glamourização do grupo, essas imagens conseguem apresentar as reais condições de existência e de sobrevivência daqueles artistas e do seu tempo.
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