Em sessão lotada, Alumiar exibe o Auto do Compadecida
Garantir a função social do cinema é uma das propostas do projeto Alumiar, que estreou oficialmente no Cinema da Fundação/Museu na tarde desta sexta-feira (17). O cinema, portanto, tornou-se o primeiro do país a exibir periodicamente (a cada 15 dias) filmes nacionais destinados ao público com algum tipo de deficiência sensorial. A inauguração do projeto foi marcada pela exibição d’O Auto da Compadecida, filme exibido nas três modalidades de acessibilidade comunicacional: legendas para surdos e ensurdecidos (LSE), Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição (AD). Além das presenças do público, que lotou a sala do cinema, houve a participação de Mendonça Filho, ministro da Educação, que falou sobre a importância da iniciativa da Fundação Joaquim Nabuco.
Um dos responsáveis por transportar os diálogos do filme pernambucano, que contam com muitas gírias, para o público com deficiência auditiva foi o professor e mestre em Libras Thiago Albuquerque, 30. Para o representante da Associação de Surdos de Pernambuco, o mais importante é que todas as pessoas com deficiência consigam entender a mensagem passada pelo filme. “A acessibilidade é uma das questões mais importantes, mas que a sociedade ainda não está preparada. Por isso a iniciativa do Cinema da Fundação é fundamental”, afirmou.

Através da intérprete de Libras da Fundaj, Táfnes Oliveira, o professor também explicou que o acesso à cultura proposto pelo Alumiar para as pessoas com algum tipo de deficiência é importante para incluir socialmente as pessoas que não possuem tanta oportunidade de assistir filmes em cinemas. “Filmes com audiodescrição, Libras e Legendas para Surdos passam a integrar na sociedade muita gente que antes não tinha acesso às salas de cinema”, continuou.
Já para Ketyanne Barros, 32, que trabalha na Fundação Altino Ventura, e que visitou o Cinema da Fundação acompanhada de Simba, seu cão-guia, o projeto Alumiar é uma iniciativa extremamente importante para desenvolver a função social do cinema. “Temos mais acesso à cultura e à informação. É importante demais para todos nós. Nos sentimos mais acolhidos". Embora não tenha sido a primeira vez que participou de uma sessão com audiodescrição, Ketyanne ficou empolgada com a quantidade de filmes que serão exibidos pelo Cinema da Fundação. "Essa periodicidade é o que faltava. Essas sessões nos darão a oportunidade de conhecer filmes e aumentar nosso conhecimento cultural", acrescentou.

Para o ministro da Educação, presente ao evento, a iniciativa da parceria entre o MEC, a Fundaj e a TV Escola busca promover uma política pública que desenvolva de maneira eficaz a acessibilidade para pessoas com deficiência. “É importante celebrar a iniciativa do nosso cinema, que mostra o respeito aos deficientes visuais e auditivos. É um momento fundamental para o cinema de Pernambuco e do Brasil", destacou Mendonça. A expectativa é que o Alumiar desenvolva a capacidade de que outros projetos sejam desenvolvidos em diversas partes do Brasil. “Essa iniciativa só foi possível por conta da grande mobilização daqueles que fazem parte da Fundaj. Para celebrar esse fato, portanto, marcamos a estreia com dois grande nomes da cultura brasileira que são Ariano Suassuna e Guel Arraes”, completou o ministro, destacando a ação integrada entr Ministério da Educação, do Instituto Nacional de Surdos e pelo Instituto Benjamin Constant, voltado para deficientes visuais.

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