Clube Lenhadores, que tem como diretor de cultura o servidor da Fundaj, Jamesson Tavares, realiza neste domingo (27), às 13 horas, a sua centésima Matiné Branca, na sede do clube, na Mustardinha
O Clube Carnavalesco Misto Lenhadores realiza neste domingo, dia 27 de agosto, os 100 anos da sua mais do que já tradicional Matiné Branca. O evento começa às 13 horas, com a apresentação da Orquestra Brilhante, sob a regência do maestro Memeu e a cantora Josiane.
A programação da festa é extensa, e se iniciou bem antes, pois na quarta-feira, dia 23 de agosto, houve uma missa de Ação de Graças na paróquia Nossa Senhora da Pompeia (rua Joaquina de Conceição Azevedo, 70, Mustardinha). No próprio domingo (27), bem cedo, às 6 horas da manhã, há uma Salva de Fogos, e, no final das apresentações da orquestra e da cantora, à tarde, acontece a Sessão Solene, às 17h30, e a Valsa Comemorativa, às 18 horas.
A Matiné Branca é um evento original por si só, pelas peculiaridades e detalhes de sua organização e execução. No traje , para participar do baile no domingo, os cavalheiros devem ir de terno branco, camisa branca de mangas longas, meias brancas, e gravata borboleta, sapato e cinto, pretos; As damas devem trajar vestido abaixo do joelho ou longo na cor branca, saia abaixo do joelho e blusa na cor branca, e sapato, sandália social com salto e bolsa, na cor preta.
CRÍTICA
O que não se entende é como é que um clube, que é um dos três mais antigos do Recife (os outros são Vassourinhas - de 1887 - e Clube das Pás - de1889), como Lenhadores, fundado em 1897, é esquecido pelas autoridades, nas homenagens que foram prestadas, neste ano, durante o carnaval, às entidades e personalidades carnavalescas na cidade.
Pode-se argumentar que o esquecimento é por causa de Lenhadores não ter ganho prêmios nos desfiles, nos últimos anos, ou porque o clube seja dirigido por pessoas humildes, que não tenham influência, e até que não se entendam, entre elas, mesmas, dentro do próprio clube. Mas aí, são outras questões, menores, diante da história do carnaval pernambucano, que é pautado sempre pela tradição.
Lenhadores é citado no clássico “Voltei Recife”, de Luiz Bandeira. O Clube funciona durante todo o ano, com atividades como bailes e outras festividades, sempre na área musical, e realiza quatro principais festas anuais, que são: o Baile das Serpentinas – realizado quinze dias antes dos carnaval; o aniversário de Lenhadores, no último domingo do mês de março; o Baile das Rosas, sempre no último domingo de maio, e a Matiné Branca, sempre no último domingo do mês de agosto.
HISTÓRIA
Fundado em 5 de março de 1897, o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores completa, em 2017, 120 anos de tradição e glórias (como seus diretores fazem questão de frisar).O Clube, que tem como padroeira, Nossa Senhora Santana, “é uma das mais antigas manifestações sociais entre todas as agremiações do Recife (só perde em antiguidade para o Vassourinhas e o Clube das Pás), representando a história de um povo que sempre procurou manter vivos os momentos de alegria, conservando a sua identidade e valores”, como explica o advogado Edvaldo Ramos, conselheiro e sócio benemérito de Lenhadores.
O Diretor de Cultura do Lenhadores, o professor e funcionário público, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Jamesson Tavares, que pesquisou a história do seu clube, relembra que ele foi criado, com sede no Beco das Barreiras (hoje Rua José de Alencar), no bairro da Boa Vista, de uma dissidência do Clube das Pás, porque, no final do século XIX, as mulheres mandavam muito, e, com isso, um dos diretores das Pás, Juvenal Brasil, desgostoso com tudo que estava acontecendo, saiu do clube, levando consigo alguns companheiros, e daí surgiu a ideia de criar uma agremiação durante o trabalho na mata, onde Juvenal, junto com os colegas, cortando lenha, teve a ideia de fazer um clube que, no primeiro momento, deu a ele o nome de Clube do Machado, depois Clube do Machadinho, Clube do Lenhador, e, por último, Lenhadores.
Jamesson Tavares informa ainda que o clube funcionou por muito tempo na Rua da Glória, ainda na Boa Vista, antes de transferir-se, na década de 1930, para a sua sede atual, na rua Moçambique, número 160, no bairro da Mustardinha. “Suas cores são o verde, vermelho e branco e o seu estandarte ostenta o brasão do Estado de Pernambuco, sendo a única agremiação autorizada pelo então governador da época, Sigismundo Gonçalves, a usá-lo”, fala com orgulho o diretor de cultura de Lenhadores.
OBS: informações sobre a Matiné Branca de Lenhadores, pelos fones 3422-6214, 99603-6410 e 99972-3051, ou na própria sede do Clube, o (re) conhecido Palácio João Paulo, na rua Moçambique, 160, na Mustardinha.
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