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Debate sobre Educação e Progresso Social marca o 402º Seminário de Tropicologia

Publicado: Terça, 25 de Julho de 2017, 12h25 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h10 | Acessos: 758

Descrito pelo presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Luiz Otávio Cavalcanti, como um “um dos assuntos mais instigantes da realidade brasileira,” foi debatido no 402º Seminário de Tropicologia o tema Educação e Progresso Social, trazido pelo doutor em ciências políticas e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade Simon Schwartzman. O debate foi realizado no último dia 25, na sala Gilberto Freyre, na Fundaj/Casa Forte.

 

O professor apresentou em seu painel pontos-chave que relacionam educação com temáticas como democracia, cidadania, pobreza, desigualdade, violência e bem estar. Na abertura do documento, questionou: “o que é, e para que serve a educação? É nada menos que o principal instrumento de transmissão da cultura de maneira mais sistemática de geração para geração.” 

 

Para embasar a interpretação, ele atribuiu ao processo acadêmico quatro funções: criar valores humanísticos, formar as pessoas para viver em sociedade, produzir capital humano e promover equidade social. Ele defende que o papel da educação não deve ser formar pessoas para o Estado, economia e religião, mas sim formá-las enquanto indivíduos em si, de forma a garantir liberdade intelectual. 

 

Embora a educação esteja em expansão no Brasil, há controvérsias sobre sua trajetória. Schwartzman citou como exemplo o aumento da demanda por diferentes níveis de graduação como forma de se diferenciar dentro do mercado, garantindo melhores oportunidades para quem possui credenciais dentro de um modelo segmentado. Ele explica que a educação está sendo transformada em um negócio e aponta que há um conflito ético que traz uma série de problemas relacionados a essa mercantilização. 

 

“A educação sozinha não consegue resolver o problema da desigualdade social. Há um dilema sobre o papel da escola e até que ponto ela contribui para a igualdade ou desigualdade, pois ela mesma está inserida em um contexto de interesses,” afirmou. O professor, embora favorável a políticas de ações afirmativas, critica o sistema de cotas e defende que é preciso dar ao aluno um ensino compatível com o que ele pode aprender. Além disso, problematiza a implementação da escola sem partido e afirma que não se pode se tirar esse valor da educação, pois ele formar uma sociedade mais democrática. 

 

Uma forma de fazer o ensino avançar, de acordo com ele, é ampliar o acesso e a qualidade pré-escolar, melhorar o ensino básico e fundamental, tornar a educação profissional mais relevante, ter maior envolvimento dos professores e combinar equidade e oportunidade. “Se a sociedade se envolve mais e entende o que está sendo discutido, pode haver transformação.”

 

No debate com a mesa de seminaristas da Fundaj, a pesquisa do doutor foi altamente elogiada. O economista Abraham Sicsu enalteceu a pertinência da colocação de que “a escola não é suficiente para acabar com a desigualdade social,” seguido do comentário do escritor Clemente Rosas sobre o caráter “abrangente, consistente e didático” da palestra. O jornalista Ivanildo Sampaio trouxe ao debate os programas de financiamento de universidades particulares e a cientista política Alexandrina Sobreira evidenciou a abordagem e questionou se a escola pública tem capacidade de ser contemplada pelo novo modelo de ensino. Por fim, a pedagoga Creuza Aragão coloca a questão de uma crise moral e ética como empecilho para o desenvolvimento da educação atualmente.

 

Confira aqui a entrevista que Simon Schwartzman concedeu ao Blog da Fundaj

 

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