Fundaj debate educação para o semiárido
Elaborar uma educação contextualizada para o semiárido brasileiro. A proposta para que essa meta seja alcançada começou a ser discutida nesta segunda-feira durante o seminário “Semiárido e Educação: ontem hoje e perspectivas”. Promovido pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com a Univasf, o evento acontece até amanhã, em Juazeiro, na Bahia. A partir de experiências educacionais exitosas, educadores e pesquisadores da área construirão o documento que será encaminhado ao Ministério da Educação (MEC).
“A Fundaj, desde a sua criação, foi voltada para o desenvolvimento do campo, de quem vive nessa área. Esse evento é relevante principalmente pelo fato de a educação contextualizada trazer de volta para o semiárido a importância que essa região tem”, destacou a Diretora de Pesquisas da Fundaj, Alexandrina Sobreira. Segundo a diretora, há anos o terceiro setor busca levar ao semiárido esse modelo educacional. E o papel da Fundação é justamente esse: contribuir para a formatação de políticas públicas. “Teremos resultados significativos neste evento”, concluiu.
Pesquisadora da Fundaj e uma das coordenadoras do seminário, Janirza Cavalcanti ressaltou o quanto a educação contextualizada é importante ao respeitar a cultura do local, a vivência das pessoas. Janirza será a responsável pela apresentação em plenário das propostas consolidadas em cada um dos cinco eixos de debate do evento – Tecnologias sociais apropriadas ao semiárido, Educação contextualizada para a convivência com o semiárido no ensino, Educação contextualizada como política pública, Formação de professores em educação contextualizada e Materiais didáticos e paradidáticos em educação contextualizada.

Com uma população superior a 2 milhões de pessoas, sendo mais de 40% delas menores de 17 anos, o semiárido brasileiro não tem material didático voltado para sua realidade. Mudar esse quadro é uma das metas deste seminário. “É preciso ter em sala de aula material didático que insira o cotidiano desses alunos”, destacou a pesquisadora da Fundaj e uma das coordenadoras do seminário, Edilene Pinto, acrescentando que já está em curso a elaboração de livros didáticos voltados para essa população. “Com o selo da Fundação esse material será integrado mais facilmente nas escolas”, comentou.
Abertura
O seminário foi aberto com uma apresentação cultural do grupo Contadores de História da Trupe Novo Ato. Após a formação da mesa, composta por representantes de ONGs, de secretárias de Educação e da Fundaj, foram iniciadas as palestras. O pesquisador da Embrapa José Souza e Silva falou sobre a importância de mudar a forma de se enxergar, antes de mudar a política educacional. “Não adianta construir uma educação para o semiárido com o que nos é apresentado. Tem que haver antes a descolonização dessa imagem, de que essa é uma região de problemas. Temos que construir uma política a partir do que essa região é para nós. E ela é extremamente viável”, disse.
Para o professor da UFPE, Paulo Rubem Santiago, autor da palestra sobre o Plano Nacional de Educação, o acompanhamento das políticas públicas é fundamental para evitar a precarização do ensino nesta região. “É preciso criar um observatório específico para a educação no semiárido brasileiro”, defendeu.
Serviço:
Local: Auditório da Universidade do Vale do São Francisco (Univaf)
Data: 12 e 13 de junho
Karla Veloso- 9 9964-9033 (Assessora da Fundaj)
Programação
Data: 12
Tarde (14h-17h) Relato de experiências de convivência com o Semiárido Brasileiro
Eixo 1 - Tecnologias sociais apropriadas ao Semiárido. Entidade responsável: Irpaa, Insa e Asa Brasil Coordenador: André Rocha (Irpaa) Experiências: Cisternas nas Escolas para além do programa. Beronice da Silva; Carmen Costa (Articulação Sindical do Lago do Sobradinho)
Educação e Segurança Alimentar: Uma Experiência com hortas pedagógicas e viveiro de mudas. Maria Eliete Veloso de Carvalho (Escola Liberato Vieira)
Educomunicação no Semiárido.
Acesso à água de consumo humano no semiárido e o Reuso das águas nas escolas. Paulo Cesar de Oliveira Andrade (Caritas Diocesana de Itapipoca) e Rafael Neves (Equipe Nacional do Programa Cisternas nas Escolas)
Terra e Água numa comunidade tradicional de fundo de Pasto. Deivi dos Santos Nascimento e Jousivane dos Santos Silva (Eixo Terra - Irpaa) Relatores: Alvaro Luiz Alves da Silva (Irpaa) e Maria Aparecida Amado (Asa)
Eixo 2 – Educação contextualizada para a convivência com o Semiárido no ensino. Entidade responsável: Executiva da Resab Coordenadora: Luzineide Dourado Carvalho (Uneb) Experiências: A experiência de formação stricto sensu do Ppgesa/Uneb. Edmerson dos Santos Reis (Uneb/Resab)
A experiência de formação da Univasf. Lúcia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira (Proex/Univasf)
Formação inicial docente no Semiárido: a contextualização curricular. Maria do Socorro Silva (CDSA/Ufcg)
Formação de professores e gestores em Educação Contextualizada no ambiente Semiárido. Liege de Souza Moura (Uespi/Resab)
Educação contextualizada e agroecologia no Semiárido piauiense. Adeodata Maria dos Anjos (Ecoescola-PI)
Relatores: Paulo César Pedrosa Marques e Lorena Santiago Simas (Ppgesa/Uneb)
Eixo 3 – Educação Contextualizada como política públicaEntidades responsáveis: Resab Coordenadora: Lucineide Martins Araújo (Resab/Cáritas-CE) Experiências:Políticas Públicas de Educação Contextualizada no Município de Delmiro Gouveia – Al. Ana Cristina Accioli e Kátia Mafra- Serta (Serviço de Tecnologias Alternativas)
Aprendendo entre a escola e comunidade. Valdemir Evangelista Santos e Joelma Maria dos Santos (Escola Rural de Massaroca – Erum, Juazeiro-BA).
Projeto de Lei de Educação Contextualizada no município de Ipaporanga/CE. Antônia Aurineide Gomes Bezerra Lima (Secretaria Municipal de Educação de Ipaporanga).
A construção de política pública de Educação Contextualizada no Semiárido piauiense. Maria Luiza de Cantalice (Seduc-PI).
Práticas de educação do campo Contextualizada como política de transformação social no Semiárido. José Jonas Duarte (INSA)
Relatores: EvelyRayane da Silva Ramos e Esther Borges Martins Gomes (Ppgesa-Uneb)
Eixo 4 – Formação de professores em educação contextualizada. Entidades responsáveis: Moc, Cárítas-CE, Recasa, Executiva Resab Coordenador: Albertina de Araújo (Resab)
Experiências: Formação Continuada de professores em Educação Contextualiza no território Inhamus/Crateús-CE. Antonio Adriano da Silva Leitão (Caritas Diocesana Ceará).
Formações de professores educadores em Educação Contextualizada no território agreste alagoano. Cristianlex Soares dos Santos (Recasa-Al).
Formação continuada de professores em Educação Contextualizada no município de Sumé-Pb. Andréa Ramos (Secretaria Municipal de Educação de Sumé). Formação continuada de professores: a experiência do Programa Cisternas nas Escolas junto ao Povo Maxakali no Baixo Jequitinhonha. Maria Aparecida de Oliveira (Cáritas Diocesana de Almenara-Mg)
Formação continuada de professores no município de Conceição de Coité-Ba. Perpétua Maria Boaventura Sampaio (Secretaria Municipal de Educação de Coité)
Relatores: Ana Célia Silva Menezes (Resab-CTPSertão-Pb) e JoilmaSandri Jesus de Souza (Irpaa).
Eixo 5 – Materiais didáticos e paradidáticos em educação contextualizada. Entidades responsáveis: Univasf/ TV Caatinga, FundajCoordenadora: Edilene B. Pinto (Fundaj)
Experiências: A construção de materiais didáticos e paradidáticos contextualizados. Vera Maria Oliveira Carneiro (Movimento de Organização Comunitária- MOC)
Produção de conteúdos contextualizados com o Semiárido. Fabiola Moura (TV Caatinga/Univasf)
A experiência do livro didático Conhecendo o Semiárido. Edineusa Ferreira Sousa e Vanderléa Andrade Pereira (Resab/ Univasf) Edital “Revelando o Semiárido” e apresentação do argumento da série “Conhecendo o Semiárido” - Cynthia Falcão (Massangana Multimídia Produções-Fundaj e Edneida Rabelo Cavalcanti “O Semiárido em cartilhas e livretos pedagógicos: experiência da Fundação Joaquim Nabuco” (Centro de Estudos de Dinâmicas Sociais e Territoriais - Fundaj).
Cartilha: acesso e gestão de água na escola. Érica Daiane Costa Silva (Irpaa)
Relatores: Iracema Lima dos Santos e Edileusa Silva Rocha (Resab EFA-Ba e Irecê-Ba)
Café com prosa
13 de junho de 2017 (terça-feira)
Manhã (8:30h as 10:30)
Proposições, sistematização e encaminhamentos por eixo temático:
Eixo 1 - Tecnologias sociais apropriadas ao Semiárido (André Rocha/Irpaa).
Eixo 2 – Educação contextualizada para a convivência com o Semiárido (Luzineide Dourado Carvalho/Uneb/Resab).
Eixo 3 – Educação Contextualizada como política pública (Lucineide Martins Araújo (Resab/Cáritas-CE).
Eixo 4 – Formação de professores em educação contextualizada (Albertina de Araújo (Resab)
Eixo 5 – Materiais didáticos e paradidáticos em educação contextualizada (Edilene Barbosa Pinto/ Fundação Joaquim Nabuco).Coordenadores, relatores e colaboradores consolidam as propostas.
10:30 as 12h Lançamento de livros / Lançamento vídeo “Caatinga em Risco” (Neison Freire-Fundaj)
Apresentação cultural: Trupe novo ato e GdeqCuraça
Feira de artesanato
Café com prosa
Tarde (14h- 17h)
14h Apresentação em plenário das propostas consolidadas pelos eixos.Coordenação: Janirza Cavalcante da Rocha Lima (Fundaj)
17h Encerramento- Documento produzido no Encontro para o Ministério da Educação.
Apresentação cultural: Acordes do Campestres
Café com prosa
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