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Fundaj realizará o "Projeto Memorial Anísio Teixeira", em homenagem ao educador baiano.

Publicado: Quarta, 24 de Mai de 2017, 14h26 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h10 | Acessos: 1016

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) irá realizar o “Projeto Memorial Anísio Teixeira, Presente!”, sob a coordenação dos pesquisadores na área de educação, Maurício Antunes e Semadá Ribeiro.

O projeto se justifica porque um dos campi da Fundaj é denominado justamente Anísio Teixeira, porque fica num local aonde nas décadas de 1950/60 funcionou o Centro Regional de Pesquisas Educacionais de Pernambuco (CRPE/PE) e a Escola Experimental (EE). O local é o endereço onde fica a Fundaj/Apipucos, na rua Dois Irmãos, 92, e onde hoje funciona  a Diretoria de Pesquisa Social (Dipes), da Fundaj, e a Biblioteca Central da Fundação.

Também é justificada a realização do projeto, porque Anísio Teixeira foi um grande educador e a Fundaj é um órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC) e tem mantido ultimamente uma relação mais estreita com o MEC, realizando todas as suas pesquisas, dos seus Programas Institucionais (PI’s), com ênfase na questão educacional.

Foi por solicitação do presidente da Fundaj, Luiz Otávio Cavalcanti, que o projeto foi elaborado por Maurício Antunes e Semadá Ribeiro, pesquisadores, respectivamente, do Centro de Estudos de Cultura, Memória e Identidade (Cecim) e do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra).

Dentre os objetivos, geral e específico, do projeto, destacam-se o seguinte: Constituir um memorial em homenagem a Anísio Teixeira, na Fundaj; o de ampliar o acervo bibliográfico de/sobre Anísio Teixeira, existente na Fundaj; pesquisar a documentação do CRPE/PE existente na Fundaj; catalogar a documentação do CRPE/PE existente na Fundaj; divulgar os acervos bibliográfico e documental de e sobre Anísio Teixeira existentes na Fundaj; estabelecer parcerias com instituições e entidades voltadas à obra de Anísio Teixeira; organizar o Memorial Anísio Teixeira, em espaço do Edifício Renato Carneiro Campos, sede da Escola Experimental; expor permanentemente o acervo relacionado a Anísio Teixeira existente na Fundaj no referido Memorial; promover exposições itinerantes do referido acervo; estimular o desenvolvimento de estudos e pesquisas científicas sobre temas específicos e correlatos, e publicar livros e artigos sobre temas específicos e correlatos.

A pesquisa do projeto terá início no próximo mês de junho de 2017 e tem previsão de conclusão para o mês de maio de 2018.

Histórico

Por ocasião do aniversário de 110 anos de Anísio Teixeira, a Fundaj o homenageou organizando um inventário bibliográfico com 192 referências existentes no seu acervo. Para facilitar o acesso aos documentos, “foi elaborado um índice alfabético (onomástico e de títulos) e, no final de cada referência estão indicados, entre colchetes, os códigos de acesso de cada documento na Biblioteca Central Blanche Knopf, da Fundaj”, explicou a ex-coordenadora da Biblioteca, Lúcia Gaspar.

Segundo Gaspar, “ao disponibilizar o catálogo no portal da Fundaj, a Biblioteca Central está cumprindo a missão de divulgar melhor seu acervo, democratizando e facilitando aos pesquisadores o acesso à informação”.

Passados 17 anos, faz-se necessário atualizar esse acervo por meio da aquisição de obras atuais sobre o tema e de reprodução de artigos, livros e trabalhos acadêmicos disponibilizados na internet, acrescidos ao referido inventário, para estimular a continuidade da investigação das realizações de Anísio Teixeira, pois “as bibliografias e os catálogos são instrumentos importantes para o trabalho de estudiosos e pesquisadores. Organizando e divulgando fontes documentais, os inventários sistemáticos facilitam o processo de busca pela informação dispersa”, lembrou Lúcia Gaspar.

Anísio Teixeira

Como diretor geral do Inep, em 1953, Anísio Teixeira lançou o Programa de Reconstrução Educacional, acompanhado da criação de diversos órgãos para orientar a pedagogia escolar, destacando-se os centros de pesquisa educacionais: o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), em 1955, e os diversos centros regionais com “finalidades em múltiplas direções, como a de pesquisar as condições culturais e as tendências de desenvolvimento de cada região brasileira, para efeito de elaboração de uma política educacional nacional de essência científica.

Inaugurado em 1957, sob a direção de Gilberto Freyre, o centro de Pernambuco foi ampliado em 1961, com a implantação da Escola Experimental. Encerradas em 1975, essas instituições desenvolviam atividades de pesquisa de organização do ensino e o estudo dos métodos e processos pedagógicos no terreno do ensino primário.

São poucos os trabalhos dedicados ao CRPE/PE, comentam os coordenadores do projeto, Maurício Antunes e Semadá Ribeiro: “Além do mencionado acima, publicado no portal da Fundaj, existem os de Peregrino (1987), Meucci (2015;2012) e Oliveira (2014). Entre o primeiro, de autoria da segunda diretora do CRPE/PE, e os demais, há uma apreciável lacuna de tempo. Somente recentemente o tema vem despertando o interesse de pesquisadores das áreas de sociologia e antropologia, a partir da descoberta do educador Gilberto Freyre.

Na Fundaj, a pesquisadora Semadá Ribeiro desenvolve a pesquisa “Escola Experimental do Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais do Recife: locus de ensino e pesquisa (1961-1975). Parte do projeto de pesquisa No campo das ideiais: memória da educação em Pernambuco, de Semadá e de Janirza da Rocha Lima, que contemplava outros dois subprojetos, Escola Rural Modelo Aníbal Falcão: primeiras experiências de educação rural no Brasil (1933-1964), de Maurício Antunes, e Folheando o passado: a escola no arquipélago de Fernando de Noronha, de Janirza da Rocha Lima, a pesquisa apresenta os seguintes resultados: leitura e catalogação de documentos; relatórios de estudantes participantes do Programa de Iniciação Científica (PIBIC), da Fundaj.

A pesquisa documental realiza-se com documentos provenientes do CRPE/PE e da EE herdados pelo Instituto de Pesquisas Sociais Joaquim Nabuco (IJN), hoje Fundaj, cujo Serviço Técnico de Acervos Digitais (Digio) promoveu a microfilmagem, na década de 1980, e a digitalização dos originais, em 2013.

Biografia

Anísio Spínola Teixeira nasceu em Caetité, sertão da Bahia, em 12 de julho de 1900. Após sólida formação adquirida em colégios jesuítas de Caetité e Salvador, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro em 1922 e obteve o título de Master of Arts pelo Teachers College da Columbia University, em Nova York, em 1929. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em março de 1971.

Considerado um dos maiores educadores brasileiros, Anísio Teixeira deixou uma obra pública excepcional que, ainda hoje, está à frente do nosso tempo. Sua formação educacional foi fortemente influenciada pelo pragmatismo do filósofo John Dewey, de quem foi aluno no Teachers College e cujas ideias divulgou no Brasil. Mas foi, sobretudo, nos embates entre a gestão cotidiana da educação e sua visão de futuro, em meio a aliados e adversários, que aprendeu a organizar homens e instituições.

Iniciou-se na vida pública em 1924, no governo Góes Calmon (1924-1928), como Inspetor Geral do Ensino da Bahia, passando logo depois a Diretor da Instrução Pública desse estado. Mais tarde, já no Rio de Janeiro, assumiu a Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal, no governo do prefeito Pedro Ernesto (1931-1935). Nessa gestão conduziu importante reforma educacional que o projetou nacionalmente, foi signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), teve participação ativa na Associação Brasileira de Educação (ABE), criou a Universidade do Distrito Federal (UDF). Demitiu-se em 1935, diante de pressões políticas que inviabilizaram sua permanência no cargo, refugiando-se no interior de seu estado natal. Entre 1937 e 1945, afastado da vida pública, permaneceu na Bahia, dedicando-se a atividades de mineração, comércio e tradução de livros.

Em 1946, a convite de Julien Huxley, assumiu o cargo de Conselheiro de Ensino Superior da UNESCO, retomando suas atividades na área educacional. De volta ao Brasil em 1947, aceitou o convite de Otávio Mangabeira, recém-eleito governador da Bahia, para ocupar a Secretaria de Educação e Saúde desse estado, posto no qual permaneceu até o final desse governo (1947-1951). Nessa administração fez construir em Salvador o Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque, uma experiência inovadora de educação integral, onde atividades artísticas, socializantes e de preparação para o trabalho e a cidadania, e mais alimentação, higiene e atendimento médico-odontológico, complementavam as práticas educativas tradicionais. Esta obra, pioneira no Brasil, projetou-o internacionalmente.

Na década de 50 teve atuação destacada na esfera federal, no Ministério da Educação. Em 1951 assumiu a Secretaria Geral da Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, que seria por ele transformada em órgão, a CAPES. Em 1952 assumiu também o cargo de diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). Criou, então, o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) e uma rede de 5 Centros Regionais, com o objetivo de elaborar estudos antropológicos e sociológicos sobre a realidade brasileira. Durante sua gestão na CAPES e no INEP, proferiu inúmeras conferências no Brasil e no exterior, incentivou a criação de bibliotecas no país, foi eleito por duas vezes presidente da SBPC, participou ativamente da discussão da LDB (1961). Nesses anos de árdua luta pela escola pública, editou o seu livro mais polêmico: Educação não é privilégio (1957). E foi ainda nessa época que se tornou professor universitário, assumindo a cadeira de Administração Escolar na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.

No início dos anos 60, juntamente com Darcy Ribeiro, foi um dos mentores da Universidade de Brasília (1961), tornando-se seu 2º reitor em 1963. O golpe militar de 1964 o afasta, mais uma vez, das suas funções públicas. A convite de universidades americanas, viaja para os Estados Unidos para lecionar como “visiting scholar”. De volta ao Brasil, completou o seu mandato no Conselho Federal de Educação (1962-1968), tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas e retomou suas atividades de tradutor e escritor na Editora Nacional, organizando coleções e reeditando alguns de seus livros.

A história da educação brasileira, no século XX, está marcada por suas ideias e ações em favor da democratização das oportunidades de acesso à educação pública, universal, gratuita, laica e de qualidade. Sua obra representa um patrimônio importante da cultura nacional. O que produziu e criou permanece vivo, como mensagem inspiradora dos intelectuais e educadores brasileiros na virada do milênio.

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