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I Colóquio de História da África Atlântica e Educação destaca trocas Brasil-África

Publicado: Quarta, 24 de Mai de 2017, 12h33 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h10 | Acessos: 864

As vozes de sete mulheres negras, do grupo Voz Nagô, abrem o I Colóquio de História da África Atlântica e Educação, evento resultante de uma parceria entre a Fundação Joaquim Nabuco, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A apresentação cultural faz parte da proposta do evento: representa a valorização da mulher negra a partir da música e da matriz de religião africana. O I Colóquio, desde sua data de realização, procura destacar a importância da presença africana: os dias 24 e 25 representam o Dia de Libertação da África. "Escolhemos essas duas datas por serem o Dia da África, do processo de emancipação dos países africanos", salienta Cibele Barbosa, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco e coordenadora geral do evento.

A primeira etapa do I Colóquio, que aconteceu hoje, 24, pela manhã, vem como momento importante para a Fundação Joaquim Nabuco e a proposta de unificar e ampliar as pesquisas na área das relações étnico-raciais. Na mesa de abertura, faz-se questão de afirmar a pluralidade da África em estudo, questionando o desafio de ponto de partida em falar das diversidades e culturas do continente africano: um “continente mãe — tão rico, tão bonito, tão fragilizado”, como adjetiva Dayse Moura, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFPE. Destaca-se, ainda, a proposta da Fundação Joaquim Nabuco de buscar um diálogo com vozes contemporâneas, revisitando o legado da própria instituição (as produções institucionais durante as últimas seis décadas) e explorando o contato com “outras vozes e demandas por justiça, reconhecimento e participação. Nós precisamos dialogar com a África viva, com pessoas que estão se mexendo nesse cenário, levantando suas vozes, propondo, fazendo, pensando”, elabora Joanildo Burity, coordenador do Programa Institucional deEducação e Relações Étnico-Raciais, da Fundaj. A presença, na platéia, de pessoas do movimento negro, de escolas públicas e de diferentes contextos e instâncias de Pernambuco é destacada pela mesa.

Uma garantia se faz elevar — promessa feita pelos organizadores do evento, presentes na mesa: o evento futuro, Áfricas no Brasil, a dar sequência ao I Colóquio, pretende contar com a presença de intelectuais e pensadores africanos. “Suas diferentes produções de conhecimento nos fazem falta. Precisamos pensar as fronteiras não como limites, mas como possibilidade de experiência”, pontua José Nilton de Almeida, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFRPE.

Dando seguimento a manhã, acontece o pré-lançamento do documentário Trocas Atlânticas: reescrevendo Histórias, produção do Labdidática, programa da Massangana Multimídia (equipe de produção audiovisual da Fundação Joaquim Nabuco). O documentário exibido faz parte da série Trocas Atlânticas, projeto iniciado em 2013 e composto de três vídeos. A proposta do projeto audiovisual é democratizar a informação, não sendo, necessariamente, destinado ao uso didático. “O primeiro documentário faz um percurso entrevistando diversos especialistas acerca das trocas atlânticas Brasil-África, destacando a importância de biografias e de elementos que tragam novos subsídios ao tema, para além da escravidão — ao que a história africana é normalmente associada”, explana Cibele Barbosa, que também participou da produção do documentário.

O evento I Colóquio de História da África Atlântica e Educação segue com programação para hoje a tarde, na sala Calouste Gulbenkian, da Fundaj – Casa Forte, das 14h30 às 18h, e amanhã, pela manhã, das 8h30 às 11h30, no auditório Carlos Maciel, no Centro de Educação da UFPE, e a tarde, novamente na Fundaj – Casa Forte, das 15h às 17h.

:: Veja Aqui Galeria de Fotos do evento.

TARDE

A segunda parte do I Colóquio de História da África Atlântica e Educação teve início às 14h30 e contou duas mesas com os temas História da África Contemporânea e Experiências Pedagógicas sobre o ensino da História da África, respectivamente. Já o documentário Babá Paulo Braz- Conexão Ifê, que seria exibido na quarta-feira, foi transferido para o último dia do Colóquio, às 14h.

Tentando desmistificar os preconceitos existentes e trazer à mesa a discussão sobre a negação da história africana, a professora da Universidade Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Artemisa Odila, afirmou que o que existe nas instituições de ensino pelo Brasil é a história dos europeus na África e não a trajetória dos próprios africanos na região. “Pode ser que no futuro haja uma história da África para ser ensinada, no presente, porém, ela não existe. O que existe é a história dos europeus na África.”

Também fizeram parte da primeira mesa os professores Ricardino Teixeira, da UNILAB, e José Bento Rosa da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para José Bento, que divulgou o trabalho de pesquisa  realizado junto com seus alunos “Trabalho Forçado nas Colônias Lusas na metade do Século 20”, Portugal continuou escravizando suas colônias mesmo depois da abolição da escravatura. “Buscamos informações com o governo português, mas eles disseram que o trabalho não era escravo e sim voluntário, o que é uma falácia.”

O professor revelou que os portugueses usavam como desculpa uma base teórica para continuar escravizando os africanos colonizados. São elas: a “Mística Imperial”, o “Lusotropicalismo”, o “Estado Indigenato” e a “Higienização e o Processo Civilizatório”.

Já a segunda mesa trouxe a discussão sobre as experiências pedagógicas e como a história da África merece ter um local de destaque nos currículos escolares. À mesa estavam o professor Zezito Araújo, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Carmem Dolores Alves, do Fórum Municipal de Educação do Recife,  e Wellington Barbosa da Silva, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Os convidados falaram sobre as suas experiências pedagógicas e da importância de se materializar nos currículos docentes a história do continente africano, introdução que se deve, em grande parte, ao movimento negro.

O último dia do I Colóquio de História da África Atlântica e Educação será realizado em dois locais. Pela manhã, no Auditório Carlos Maciel, no Centro de Educação da UFPE, será realizada a mesa História da África e Educação, além do lançamento do livros dos professores Elio Flores e Dayse Moura.

Já na parte da tarde, na Fundação Joaquim Nabuco, acontecerá o lançamento do livro “Nem Preto, Nem Branco: uma história atípica”, da Editora Massangana, às 15h.

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