Livro "Nem Branco, Nem Preto: uma vida atípica" será lançado durante I Colóquio de História da África Atlântica
Será lançado durante o I Colóquio de História da África Atlântica e Educação, na Sala Calouste Gulbenkian, na próxima quinta-feira (25), às 15h, a autobiografia do jornalista beninense Ange Miguel Sacramento “Nem Preto, Nem Branco: uma vida atípica”. O livro é um dos produtos do projeto Trocas Atlânticas e integra o Programa Institucional Número 2 (PI 2), “Educação e Relações Étnico Raciais”.
Assim como o projeto, que perspectiva a importância da África Transatlântica, por causa da questão da escravidão e da abolição, a autobiografia também traz uma discussão étnica e racial, já que o jornalista vivenciou diversos momentos históricos da humanidade e nasceu durante o colonialismo francês no Benim.
Neto de ex-escravos que voltaram para a África após a abolição da escravatura no Brasil, Ange Miguel nasceu em 1922, mas fugiu para a França com oito anos de idade para tentar melhorar de vida com a família. Atualmente, ele tem 96 anos e mora na Bahia.
Apesar da tentativa de fuga, em 1939 teve início a Segunda Guerra Mundial, mais um fardo na vida do africano. Com 18 anos, ao tentar escapar do exército alemão, o beninense foi capturado e viveu momentos de incerteza nas mãos dos nazistas. Felizmente, conseguiu sobreviver.
Até o ano de 1958, momento em que conheceu o jornalismo, Ange Miguel viveu em diversos países do mundo e fez parte da cobertura de alguns eventos históricos, como a Independência dos Estados Africanos.
A autobiografia do jornalista se confunde com o projeto Trocas Atlânticas, já que a história de vida dele traz uma discussão étnica e mostra da importância dos países africanos, tema que será discutido durante o Colóquio.
Lançado através da Editora Massangana, o livro ganha sua primeira versão no Brasil desde 1981, ano em que o “Nem Preto, Nem Branco: uma vida atípica” foi publicado pela primeira vez. Há versões em inglês e alemão.

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