Capela de São Mateus, no Engenho Massangana, retoma missas sabatinas
Local de batismo do abolicionista Joaquim Nabuco, a Capela de São Mateus, parte do conjunto arquitetônico rural do Engenho Massangana, voltou a celebrar missas neste último sábado, 6. Construída no terreno mais alto do Engenho, a trilha de escadas, que a ela levam, dão uma ideia da dimensão histórica do local: a Capela permanece ali desde o século XVIII e, para além das memórias e histórias que guarda, também preserva a sepultura de Anna Rosa Falcão de Carvalho, madrinha de Joaquim Nabuco, ao lado esquerdo do altar. É neste cenário histórico que a primeira de muitas missas foi celebrada, com a condução do Padre Osvaldo Lopes, da Paróquia Cristo Rei. Logo após a celebração, os jardins do Engenho se encheram de música ao receberem a Orquestra Matéria Prima. O evento contou com a forte presença da comunidade local.
As missas sabatinas acontecerão no primeiro e terceiro sábados do mês, às 16h.
Nos últimos anos, a Capela também foi palco de festividades no Dia de São Mateus (21 de setembro), onde moradores do entorno rememoram as tradições ao celebrar o dia do santo padroeiro do Massangana. Como que remetendo ao significado do riacho que deu nome ao engenho, o Riacho Massangano — palavra de origem africana que significa foz, lugar onde rios se juntam —, a retomada das missas pretende juntar, conectar, mais uma vez, a comunidade ao engenho, para que ele não seja um espaço isolado no município do Cabo de Santo Agostinho. “Queremos que essa comunidade, que é muito carente, sinta que o museu e seu entorno de dez hectares pertence a ela também. Comumente eles têm a ideia de que museu é coisa de gente de elite”, explica Enerson Silva, um dos monitores mais antigos do local.
Atualmente, o Engenho faz parte da Fundação Joaquim Nabuco, funcionando como museu da infância de Joaquim Nabuco, por ele referenciado em seu livro Minha Formação (1910) como o local onde construiu a base de seus ideais abolicionistas. Todos os dez hectares fazem parte da exposição permanente Nabuco e Massangana: o tempo revisitado. Além da visitação espontânea, o Engenho recebe sistematicamente o público estudantil. Através de um programa educativo, temas como o legado do pensamento de Joaquim Nabuco, escravidão, lutas libertárias, cultura afro-brasileira e economia canavieira são abordados, buscando contribuir para a produção de novos conhecimentos, fortalecimento da consciência patrimonial e da identidade cultural.
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