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A cultura do machismo é tema de debate na Fundação Joaquim Nabuco

Publicado: Segunda, 17 de Abril de 2017, 11h05 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h10 | Acessos: 1419

Quase 500 feminicídios no Estado nos três primeiros meses deste ano. Os números e as causas desses crimes foram tema do debate A Cultura do Machismo, promovido nesta quarta-feira(19/04), pela Fundação Joaquim Nabuco.

Na mesa, que teve como mediadora a cientista política e pesquisadora da Fundaj, Cristina Buarque, a socióloga Ana Paula Portella, Joana Pires , do coletivo feminista Deixa Ela em Paz, e Sileide Oliveira, representando a Secretaria Estadual da Mulher.

Na plateia, os pais da fisioterapeuta Tássia Mirella, assassinada há 15 dias por um desconhecido em um flat em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, estudantes e estudiosos sobre o tema.

O debate foi aberto por Luiz Otávio Cavalcanti, presidente da Fundaj, ressaltando que a luta deve começar pelos pequenos: pela família, pela escola e pelas relações sociais, para que se enraíze o valor do respeito. “O combate à  cultura machista começa em casa. Os pais têm responsabilidade sobre isso”, destacou.

Cristina Buarque demonstrou preocupação com o machismo na infância e na educação. “Esse debate tem que começar cedo, entre os jovens, na escola”, ressaltou, acrescentando o erro do Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, excluir o ensinamento de estudos de gênero nas escolas.

Sua fala foi respaldada pela diretora da Escola Estadual Dom Bosco, Adriana Vaz, que trouxe alunos do 1º e 2º ano Ensino Médio para assistirem ao debate. “A violência de gênero, assunto que considero essencial, é constantemente debatida em sala de aula. Talvez de maneira sutil para o que o tema exige”, ponderou.

Para Joana Pires, do Coletivo Deixa Ela em Paz, a naturalização da violência contra mulher é grave. Ela citou casos recentes, como o do ator José Mayer, que ganhou o apoio de colegas de profissão após ter assediado uma colega de trabalho. “Não existe luta sem violência, não há tranquilidade na ruptura.

Se a gente quer transformar, se a gente quer disputar essa narrativa, a gente precisa ser firme e precisa criar uma revolução. A história humana já acontece à custa dos corpos das mulheres”, disse.

A ouvidora da Secretaria Estadual da Mulher, Sileide Oliveira, revelou tristes dados de feminicídios ao longo dos anos. “Essa situação que vivemos é consequência da cultura patriarcal, onde sequer  era considerado crime o homem matar a mulher por adultério”, lamentou.

Sileide Oliveira reconheceu a gravidade dos dados de feminicídio deste ano, mas destacou que a Secretaria vem criando meio de enfrentar a violência contra a mulher, como o 190 Mulher e o serviço de abrigamento, para as que estão em situação de risco.

Ana Paula Portela, socióloga pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apresentou os resultados de sua pesquisa sobre as causas e determinantes dos feminicídios em Pernambuco, concluindo que a principal variante é a compreensão da situação de violência pela vítima, o que nem sempre ocorre.

Destacou, ainda, que o perfil das mulheres assassinadas é jovem, pobre, negra e com baixo nível de escolaridade, fazendo um alarde para a desigualdade social e racial.

Na finalização do debate, destacou-se o poder da linguagem — a importância de utilizar-se de termos como feminismo — e a necessidade de ir para além de conceitos, questionando a insuficiência de respostas do Estado, de uma cultura que “nos ataca de dentro de casa até o Estado brasileiro”, como disse a mediadora Cristina Buarque.

“Não podemos discutir o machismo como se fosse uma coisa dos monstros. O machismo é uma coisa do nosso pai, do nosso irmão, do nosso tio, até dos nossos filhos”, concluiu Cristina Buarque.

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