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Economista e advogado José Maria Aragão, sócio do Centro Celso Furtado, visita o presidente da Fundaj, concede entrevista sobre seus laços com o economista paraibano. Fundaj inicia, assim, um ciclo de seminários, neste ano, sobre Celso Furtado.

Publicado: Quinta, 05 de Janeiro de 2017, 15h30 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h10 | Acessos: 2382

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) nunca teve uma relação institucional mais estreita com o Centro Celso Furtado, sediado no Rio de Janeiro (RJ), presidido pelo ex-senador e ex-prefeito do Rio, Roberto Saturnino Braga, e que conta com a viúva de Celso, Rosa Furtado, como conselheira. Por causa da importância de Celso Furtado para o Nordeste, agora, a parceria vai ser firmada com uma série de debates que a Fundaj iniciará no mês de março deste ano, focando várias facetas de Celso Furtado, nas áreas da cultura e da economia, principalmente.

A primeira que será tratada é a do Celso Furtado com o planejamento. Ele que foi ministro do Planejamento do governo João Goulart e o primeiro superintendente da  Sudene. Para tanto, haverá um seminário com conferências dos especialistas Clemente Rosas, Sérgio Buarque e José Maria Aragão. As conferências serão filmadas e gravadas, depois transcritas, editadas,  e transformadas em livros e DVDs, que serão lançados tanto no Recife, quanto no Rio de Janeiro e em Brasília (DF).

Dos conferencistas do seminário, o advogado e economista José Maria Aragão, que é sócio do Centro Celso Furtado, e que mora no Rio de Janeiro, esteve neste período de festas natalinas e de Ano Novo, em Pernambuco, para comemorar com familiares. Na ocasião, ele fez uma visita ao presidente da Fundaj, Luiz Otávio Cavalcanti, na sede da instituição, no Recife, e concedeu uma entrevista a equipe da Ascom/Fundaj, falando da sua experiência de trabalho com Celso Furtado, na SUDENE.

ASCOM/FUNDAJ: Como foi para o senhor trabalhar com Celso Furtado, na SUDENE?

José Maria Aragão: Foi uma experiência muito gratificante, não apenas, porque, ele já era um dos principais economistas brasileiros, e latino americanos, e eu ainda estava me iniciando na profissão, como também porque vinculava projetos que implicavam uma profunda reforma administrativa ao conferir uma certa racionalidade a aplicação dos recursos federais nos nove estados do Nordeste.

ASCOM/FUNDAJ: E como era antes da SUDENE existir?

José Maria Aragão: Até então, esses recursos eram aplicados sem um planejamento regional, eram projetos de nível estadual, sem que existisse uma unicidade, que a região fosse tomada como um conjunto. Neste sentido, a criação da SUDENE foi um divisor de águas. Porque se propunha a dar um tratamento regional a aplicação das verbas federais destinadas aos  estados do nordeste. Isso implicava, por exemplo, elaboração de um plano de transportes regional, com a criação de portos, de cunho regional, concentração de recursos em portos de dimensão regional, estabelecimento de uma rede prioritária de rodovias e também de aspectos de investimentos destinados a melhorar  a mobilidade urbana nas principais cidades do nordeste.

ASCOM/FUNDAJ: O que representava a SUDENE, para o país, na época?

José Maria Aragão: Foi uma iniciativa pioneira no Brasil, porque as outras superintendências regionais foram criadas numa etapa bem posterior a da SUDENE. Também, uma inovação no plano administrativo, ao reunir no Conselho Deliberativo todos os  governadores do Nordeste e, inclusive, de Minas Gerais, porque uma parte de Minas está incluída na região da SUDENE. Dez governadores e representantes de todos os ministérios federais.

ASCOM/FUNDAJ: O senhor tem alguma curiosidade para falar desse período?

José Maria Aragão: Eu me lembro de que entre os conselheiros, como representante do Ministério da Educação era o professor Gilberto Freyre, criador dessa casa. Ele foi membro do primeiro Conselho Deliberativo da SUDENE, permaneceu longo tempo participando desse Conselho. Cada ministério importante tinha o seu representante. Gilberto era representante do MEC.  Não era  funcionário do ministério.  Os conselheiros eram designados pelo presidente da República.

ASCOM/FUNDAJ: E qual foi a inovação que a SUDENE proporcionou?

José Maria Aragão: Então, a grande inovação consistia nisso: no diálogo entre as autoridades federais com os representantes do poder político, que eram os governadores. Agora, isso se fazia num fórum específico, e num tom regional. Fórum permanente, que se reunia mensalmente. Todas as verbas federais destinadas ao Nordeste passavam por esse Conselho.  A grande inovação administrativa consistiu nisso. Eu tive o privilégio de participar dessa equipe fundadora. Permaneci até março de 64 quando todos saíram com o líder da equipe, Celso Furtado, que integrou a primeira lista de cassados do golpe militar.

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