Nova sala de convivência da Fundaj traz, em suas paredes, o grafite
por Juliana Costa*
Diretamente da rua para a primeira sala de convivência da Fundação Joaquim Nabuco: o grafite, arte marginalizada que, só agora, começa a ganhar seu espaço de reconhecimento, é o truque usado para criar o novo ambiente de relaxamento dedicado aos servidores e terceirizados da Fundaj – Casa Forte.
Inaugurada essa semana, a sala de convivência traz, em suas paredes, o fundo do mar: quem nela entra se depara com corais, cardumes e uma enorme tartaruga marinha. Os diversos tons de azul se mesclam e se estendem até o topo das altas paredes, a fim de replicar, com maestria, os efeitos da luz solar em contato com a água.
O responsável pela pintura é Luan Nascimento, monitor do Museu do Homem do Nordeste, da Fundação, e graduado em História. Luan e seu parceiro de obra, Luiz Santos, estagiário do muHNE, receberam de Pedro Queiroz, chefe da Divisão de Planejamento Físico da Fundaj, a proposta de ambientar a sala. “A gente pensou e maturou a ideia de ser um fundo do mar e começou a pegar elementos que se encaixassem naquela sala como uma sala realmente de descanso. A gente foi pegando elementos que pensávamos, estudou uma paleta de cores e construiu o desenho dessa forma, pensando em quais representações iríamos colocar. Foi mais uma ideia de ambientação, não foi muito um grafite com proposta de pensar questões políticas”, explica Luan, que não larga seu pincel.
A concepção de uma sala de convivência chamou a atenção de Pedro por ser um espaço necessário nas empresas, um que faltava na Fundação Joaquim Nabuco: “Nossa ideia é justamente criar ambientes para essas pessoas: ambientes para poder almoçar, vestiários, banheiros e também ambientes de repouso. Isso tudo melhora, com certeza, a produtividade e a satisfação de todo mundo. Você passa a maior parte da sua vida no trabalho, você tem que se sentir bem”.
O contexto de criação da sala deu trabalho: segundo Pedro, o espaço inicialmente designado não era apropriado e, ao tentar a mudança para o espaço atual da sala, descobriu que se tratava de um depósito de livros da Editora Massangana, com cerâmicas aplicadas na parede. Pedro diz ter percebido que aquele não era o clima que gostaria de dar à sala de convivência e, então, pensou na possibilidade do grafite: “Como é que eu vou criar uma sala agradável com cerâmica? Eu queria ter uma coisa que as pessoas saíssem do trabalho e fossem para um lugar totalmente diferente. Então, o primeiro alinhamento foi que eu achava que se a gente usasse um painel, uma cor, um grafite a gente conseguiria criar outro tema”. A partir daí, começou-se um processo de esvaziamento do local e reapropriação.
Assim foi feito: a sala, aberta aos funcionários no horário de almoço, dispõe de três seções — a primeira, um espaço com bancos e uma pequena mesa para suporte de notebooks, livros, almoço; a segunda, uma pequena biblioteca com livros da Editora Massangana, disponível para empréstimo e leitura; a terceira, puffs e uma televisão. “É um espaço múltiplo, de ambientes distintos”, finaliza Queiroz, que ainda pretende requalificar o jardim em frente à sala para criar um ambiente externo: “Aquilo não acabou, é um processo. Está em seu primeiro momento”. A promessa é, ainda, de criar esse espaço também nas outras unidades da Fundação, Apipucos e Derby.
A entrevista com Luan Nascimento, grafiteiro e educador do muHNE, está disponível, na íntegra, no Blog da Fundação.
Confira aqui as imagens da sala de convivência.
*Estagiária de Jornalismo da Ascom/Fundaj
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