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397º Seminário de Tropicologia lança questionamentos sobre política imigratória dos Estados Unidos

Publicado: Quinta, 17 de Novembro de 2016, 15h25 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h11 | Acessos: 1176

por Juliana Costa*

Ocorrido hoje, 29 de novembro, na sala Gilberto Freyre da Fundaj – Casa Forte, a 397ª reunião do Seminário de Tropicologia contou com a presença do professor Jayesh Rathod, da American University Washington College of Law, também diretor-fundador da Clínica de Justiça Imigrante da mesma faculdade. Rathod apresentou a palestra A Política Migratória dos Estados Unidos: seis principais tendências, na qual discutiu a temática com a “extrema delicadeza do momento atual”, como afirmou a antropóloga Fátima Quintas, que mediou o evento.

A introdução do tema foi feita pelo professor com a exibição de contexto e dados históricos vistos nos Estados Unidos desde a Lei de Imigração de 1965: em 1960, a população era dividida entre 80% brancos, 4% latino-americanos e 1% asiáticos; atualmente, na pesquisa realizada em 2013, a população norte-americana consistia em 62% brancos, 18% latinos e 6% asiáticos. Segundo o professor, o aumento na diversidade populacional teria levantado questões sobre a identidade nacional americana — questões relevantes que até hoje são discutidas.

Durante o corpo de sua palestra, Rathod também mencionou o crescimento da população imigrante não-documentada (imigrantes esses que, com o movimento Undocumented and Unafraid [Não-documentados e sem medo], começam uma luta política de se revelarem como “ilegais” na tentativa de ganhar força e não viverem mais nas sombras, organizando, defendendo e construindo uma mudança na política de imigração e um novo movimento de direitos civis), o aumento na mão-de-obra de colarinho marrom (termo usado pela pesquisadora Leticia Saucedo para definir o grande número de imigrantes latinos trabalhando em condições de subserviência, não familiarizados com seus direitos), a política de segurança de migração e as falhas do sistema de deportação (seu enfoque na segurança nacional e definição ampla e subversiva de terrorismo). Os obstáculos à proteção humanitária também são mencionados, bem como é feita uma crítica a falta de uma política administrativa que lide com os níveis de migração atuais.

O tema também se estendeu às previsões e tendências migratórias em vista do recentemente eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um debate com a mesa, composta por Antônio Madureira, Alexandrina Sobreira, Eleonora Saldanha-Marston, Creuza Aragão e Abraão Sicsu, entre outros, lançou-se questionamentos sobre o sistema eleitoral americano, o grande número de abstenções de voto, a saturação da sociedade americana perante a política atual e a indagação acerca da economia de globalização (livre comércio) em contraste com a política humanitária imigratória (e as patologias de um sistema de migração que impede a prática de políticas migratórias humanitárias). “É minha esperança que, eventualmente, possamos desenvolver um conjunto de princípios para nortear a política americana, princípios que respondam pelos interesses da nação e que promovam os valores da igualdade”, concluiu o palestrante Jayesh Rathod.

Por fim, com a palavra final, o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Luiz Otávio, reafirmou a importância da democracia e da igualdade, tecendo uma crítica ao nacionalismo exorbitado do plano político que, segundo ele, acaba por reforçar, no plano social, a desigualdade de uma visão universalista versus uma visão nacionalista. “Na passagem do século XX para o XXI, dois valores foram afirmados na civilização: a democracia e a preocupação com a igualdade. A democracia é um valor que vem se consolidando no plano civilizatório. E a igualdade?”, finaliza o presidente, ratificando a esperança de que o universalismo venha a recortar a igualdade

O Seminário de Tropicologia, que normalmente ocorre todos os meses, retornará apenas em 28 de março de 2017.


*Estagiária de Jornalismo da Ascom/Fundaj

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