Museu do Homem do Nordeste revisita seu acervo em nova exposição
A partir de 14 de outubro, o Museu do Homem do Nordeste – MUHNE , da Fundação Joaquim Nabuco, apresenta a exposição Porvir Faustino. A iniciativa, construída coletivamente pela equipe do Museu, reúne trabalhos do ceramista figurativo Porfírio Faustino, cuja obra, ainda obscura e pouco estudada, constitui-se em pequenas esculturas modeladas em barro branco, produzidas entre os anos 1930 e 1940 em Canhotinho, agreste de Pernambuco.
Porvir Faustino é um convite à pesquisa a partir do acervo da Fundação Joaquim Nabuco, bem como uma forma de movimentar e apresentar ao público objetos que não estão em exposição, mas preservados na reserva técnica do Museu. "Nosso intuito, além de desvelar o desconhecimento da obra de um artista tão ímpar e intrigante, é discutir as contestadas noções de arte e cultura popular", comenta Silvana Araújo, coordenadora-geral do Museu do Homem do Nordeste.
Porfírio não modelou mandacarus ou caatingas. Segundo a literatura oficial, o artista retratava cenas de carnaval e folguedos populares. Para a pesquisadora de antropologia Ciema de Mello, “ele não quis, absolutamente, retratar ou discutir os estereótipos do Nordeste. Por que um homem tinha essa visão? A recusa, a ausência, diz muito mais sobre o discurso”. Para Maximiliano Roger, da equipe de Coordenação de Museologia, a exposição surge para alongar diálogos: “Vamos complementando esse discurso sobre o que é o Nordeste e o que é o ‘homem do Nordeste’”.
Além das obras, a exposição conta com cinco cadernos referentes à obra do artista, que funcionam como instrumento de pesquisa: o Caderno Imagético, com fotografias das obras presentes no acervo do MUHNE; o Caderno de Documentação Museológica, com documentos do arquivo institucional do Museu; o Caderno Educativo, com propostas educativas elaboradas pela equipe de mediação; o Caderno-Arquivo, com documentos e imagens coletados no acervo do Centro de Estudos e de Documentação da História Brasileira (Cehibra) da Fundação Joaquim Nabuco; e o Caderno-IAC, com documentação das obras que pertencem ao Centro Cultural Benfica (UFPE) — única instituição, segundo levantamento de 1992, que possui acervo de Faustino, além do MUHNE.
SERVIÇO
Exposição Porvir Faustino
Fundação Joaquim Nabuco (Avenida 17 de Agosto, 2187 – Casa Forte)
Sala Mauro Mota
Abertura: 14 de outubro, às 18h
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h
Mais informações: 3073-6340
Entrada: gratuita
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