Lançamento coletivo da Editora Massangana no dia 18 de Agosto
A Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco prepara para o dia 18 de agosto, a partir das 18 horas, na sala Calouste Gulbenkian, em Casa Forte, o evento Cultura Pernambucana: Retrato Vivo da Nossa História, com o lançamento coletivo de cinco importantes títulos que se somam ao acervo da Fundaj e enriquecem a cultura de Pernambuco. Entrada franca.
São eles: Desenvolvi-gente: a dimensão antropológica da cultura e o Jovem Artesão de Araçoiaba, de Vânia Brayner; Desigualdade Educacional e Pobreza no Nordeste, de Henrique Guimarães Coutinho, Carlos Augusto Sant’Anna e Flávio Cireno Fernandes; O Cangaço: poder e cultura no tempo de Lampião, de Marcos Edílson de Araújo Clemente; Museus e patrimônio: experiências e devires, das organizadoras Manuelina Maria Duarte Cândido e Carolina Ruoso e Pernambuco de Agamenon Magalhães: consolidação e crise de uma elite política, de Dulce Pandolfi.
Na ocasião, os autores/organizadores farão apresentação das obras e haverá uma palestra sobre a cultura pernambucana e show com o músico e pesquisador Silvério Pessoa. Confira abaixo as resenhas dos lançamentos.
Como a pobreza e a questão racial influenciam na educação dos jovens no Brasil? Com o apoio de gráficos, quadros e pequenas biografias, o livro “Desigualdade Educacional e Pobreza no Nordeste” tenta responder a essa pergunta a partir da apresentação de evidências consistentes do chamado ciclo da pobreza – e como ele é uma armadilha durante o processo educacional de jovens que estão à margem socioeconomicamente.
Dividido em duas partes, o livro dos pesquisadores Henrique Guimarães Coutinho, Carlos Augusto Sant’Anna e Flávio Cireno Fernandes analisa as trajetórias escolares de jovens no Brasil pela ótica da raça, do gênero e da classe, analisando a influência desses fatores durante o processo formativo desses jovens.
Na primeira parte, essas trajetórias são analisadas a partir de uma abordagem quantitativa, trazendo o conceito da Transmissibilidade Intergeracional da Pobreza para ilustrar o ciclo da pobreza e como ela é passada de geração em geração, relacionando-o com fatores como a evasão escolar e a repetência.
Já na segunda parte, é feita a abordagem qualitativa, onde as trajetórias são analisadas a partir da desigualdade de raça, gênero e classe – percursos metodológicos e a fala desses jovens são colocados em destaque, trazendo reflexões sobre a persistência do racismo no Brasil.
O livro coloca em debate a crença da educação como redentora dos males sociais. Ao mesmo tempo em que se vê na educação uma ferramenta para resolver as mazelas e desigualdades, estudos e pesquisas revelam que a educação é um dos mecanismos de reprodução dessas mesmas desigualdades, que promovem e estabilizam uma “clivagem racial, separando e hierarquizando negros e brancos em dois grupos bastante distintos”.
De forma geral, é sabido que um dos maiores desafios da educação é quebrar o ciclo da pobreza que se forma entre as gerações das populações mais pobres, reduzindo-a. Os estudos presentes no livro investigam quais os determinantes desse ciclo, procurando um denominador comum das desigualdades educacionais entre jovens no Brasil – com um foco específico no Nordeste.
Através dos relatos obtidos em entrevistas, busca-se saber mais sobre as circunstâncias sociais e culturais que motivam jovens negros e brancos a caminhos educacionais e ocupacionais distintos. A dinâmica da transmissão da pobreza entre gerações e sua interação com educação e raça são exploradas no estudo, que busca responder, em parte, as principais questões sobre a relação entre pobreza e educação.
A segunda edição do livro “Pernambuco de Agamenon Magalhães: consolidação e crise de uma elite política”, de Dulce Pandolfi, antes só disponível em bibliotecas e sebos, é obra de referência acadêmica sobre a política em Pernambuco entre os anos 1930-1964, e centrado na atuação e legado de Agamenon Magalhães.
Dos mais importantes ministros de Getúlio Vargas antes e durante o Estado Novo, interventor entre 1937 e 1945 e figura hegemônica no estado até sua morte prematura, em 1952, Agamenon serve de fio condutor para a análise de Dulce Pandolfi da política em Pernambuco, então estado estratégico da federação.
No prefácio à primeira edição, o mestre de várias gerações que estudaram o Nordeste brasileiro, Manuel Correia de Andrade, ressalta que o livro de Dulce é uma leitura que retrata um expressivo período da história política de Pernambuco e mostra como a forte personalidade de Agamenon, como político hábil, conseguiu manter o controle do estado e influenciar a vida nacional por um período de quase vinte anos.
O prefácio desta segunda edição é de José Sérgio Leite Lopes, do Museu Nacional, da UFRJ, no qual destaca o livro de Dulce Pandolfi como uma fonte de elementos históricos para o entendimento de paradoxos e reviravoltas políticas; do forte conservadorismo político de Agamenon; sua fidelidade a Getúlio Vargas e seu papel central nos ministérios do Estado Novo.
Saída de uma participação ativa no movimento estudantil em Pernambuco em 1968 e em seguida na militância de resistência à ditadura, a pernambucana Dulce Pandolfi é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, é mestre em Ciência Política pelo IUPERJ e doutora em História também pela UFF. É autora e organizadora de diversas publicações entre elas “Camaradas e Companheiros: história e memória do PCB”, “A Favela Fala”, “Um Abraço, Betinho”. Atualmente é presidente do conselho curador do Ibase e professora do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas.
O livro “Desenvolvi-gente: a dimensão antropológica da Cultura e o Jovem Artesão em Araçoiaba”, da jornalista e antropóloga Vânia Brayner, é, originariamente, uma dissertação de mestrado e faz parte da experiência que a autora desenvolveu ao longo de anos, com a equipe do projeto Jovem Artesão, quando era coordenadora—geral do Museu do Homem do Nordeste, da Fundaj.
A obra discute políticas públicas na dimensão antropológica, a partir da experiência do Museu do Homem do Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco, no município pernambucano de Araçoiaba.
Através do Programa de Formação do Jovem Artesão, o museu atuou como agência social, como apregoa a Política Nacional dos Musesus, que coloca entre os seus princípios fundamentais, a valorização da dignidade humana, a promoção da cidadania e o cumprimento da função social dos museus.
Vânia explica que, como coordenadora-geral do Museu, à época, “a prerrogativa de poder afirmar “eu vi, eu estava lá”, muitas vezes tornou-se um fardo nesse percurso, e inserir-se em seu próprio campo de pesquisa, não como observador participante, mas como participante ativo do processo, não é uma tarefa simples e exige uma difícil conciliação entre a paixão pelo tema e a neutralidade científica, eticamente desejável”.
Vânia disse que foi este caminho perigoso que ela escolheu percorrer: “lanço-me neste caminho, portanto, na tentativa de situar-me como elemento exterior, sem ser indiferente ao que isto representa e sem nenhuma pretensão de isentar-me da responsabilidade intelectual e política de oferecer críticas, respostas ainda não definitivas e muitos questionamentos.”
Na apresentação da obra, a historiadora e pesquisadora da Fundaj, Rita de Cássia Araújo, diz que “este livro, conduz o leitor pelos inúmeros, tortuosos, tensos, mas apaixonantes caminhos percorridos pela sociedade e pelo Estado brasileiros – por seus diversos grupos sociais, políticos, étnicos e culturais, suas instâncias públicas governamentais”.
O Cangaço: poder e cultura política no tempo de Lampião, de Marcos Edílson de Araújo Clemente, é resultado de uma tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e o objeto de estudo são as relações de poder e cultura política do ciclo do cangaço, cujo chefe mais expressivo foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
A análise busca explicitar as singularidades deste tipo de cangaço, comparativamente a outras formas já existentes desde a segunda metade do século XIX. O livro revela a complexa trajetória desse personagem pelo conjunto de valores, atitudes, normas e crenças nos sertões nordestinos, no correr das décadas de 1920 e 1930.
No auge da fama, Lampião inovou ao permitir o ingresso de mulheres nos bandos. Diferenciou-se ao expandir seu território de mando, arregimentando maior número de cangaceiros. Lampião foi único na maneira com que praticou a violência, acusado de flagelo e terror dos sertões. Um sujeito proscrito, porém articulado com instâncias oficiais do poder. Agia nos sertões em proveito próprio e distribuía alguma forma de justiça quando era do seu interesse pessoal.
Marcos Edílson de Araújo Clemente, natural de Paulo Afonso, sertão da Bahia, é sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, mestre em História Social do Trabalho pela Unicamp, doutor em História pela UFRJ. Durante anos atua como professor na Universidade Federal do Tocantins e integra o corpo docente do Programa de Mestrado Profissionalizante em Ensino de História. Autor de vários artigos e do livro Lampiões Acesos: o Cangaço na Memória Coletiva, lançado em 2009.
O livro “Museus e Patrimônio: experiências e devires”, organizado por Manuelina Maria Duarte Cândido e Carolina Ruoso, reúne textos de diversos autores, cujas abordagens representam importantes contribuições sobre museus e patrimônio: Rosamarie Lucas, Hugues de Varine, Graça Filipe, Dominique Poulot, Julien Bondaz, Cyrill Isnart, Anais Leblon, Benoit de de L’Estoile e Thierry Bonnot.
Segundo as organizadoras, “são textos franceses e um original em português não publicado ainda no Brasil, selecionados por já estarem em uso nos cursos de Museologia ou poderem trazer discussões instigantes para esta formação a partir deste esforço de torná-los acessíveis aos estudantes brasileiros, por meio de um verdadeiro mutirão de traduções”.
O livro resulta do encontro entre as organizadoras, os diversos autores e pesquisadores envolvidos no trabalho de tradução dos textos, mas também do reencontro e renovada parceria entre o Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco e o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás.
O contexto de produção do livro está relacionado com a política de formação na área de museus no Brasil. Neste início do século XXI, foi ampliado consideravelmente o número de cursos de graduação em museologia. As organizadoras dizem que pensaram a publicação para contribuir com as ações que venham a estimular a circulação de saberes a respeito dos museus e do patrimônio.
Elas lembram que “alguns dos artigos selecionados já faziam parte do conjunto de textos previstos na bibliografia dos programas dos bacharelados em Museologia, outros viriam para contribuir com temas debatidos em salas de aula, potencializando o aprendizado e trazendo reflexões produzidas em outros países, por pesquisadores já conhecidos no Brasil e, outros mais jovens, ainda poucos estudados nas universidades brasileiras”.
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