Em seus 50 anos, o Seminário de Tropicologia está de volta à Fundação Joaquim Nabuco
O Seminário de Tropicologia, criado pelo sociólogo Gilberto Freyre, em 1966, está de volta a Fundação Joaquim Nabuco, e, justamente no ano em que o evento completa 50 anos de existência. A primeira sessão será na quarta-feira (27), às 9h, na sala Gilberto Freyre da Fundação Joaquim Nabuco, com a conferência do engenheiro agrônomo Geraldo Eugênio, ex-secretário de Agricultura do Estado de Pernambuco, sobre o tema Semiárido Sustentável. A coordenação das sessões do seminário ficará sob a responsabilidade da escritora e antropóloga Fátima Quintas.
Os debatedores do conferencista (e de todas as sessões do seminário) serão: o engenheiro, economista e presidente da Facepe, Abraham Benzaquem Sicsu, a ambientalista, pesquisadora da Fundaj e professora da UFPE, Alexandrina Sobreira, o músico Antônio José Madureira, o escritor Clemente Rosas Ribeiro, o economista Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti, a educadora Creuza Maria Gomes Aragão, a fotógrafa Eleonora Florio Saldanha-Marston, o jornalista Ivanildo Sampaio, o sociólogo, escritor e pesquisador da Casa de Rui Barbosa, José Almino de Alencar e Silva Neto e a artista plástica Suzana Azevedo.
O Seminário/ História
De início realizado na UFPE, o Seminário passou por um período de 23 anos na Fundaj, de 1980 a 2003. Deste ano até 2015, funcionou na sede da Fundação Gilberto Freyre, em Apipucos, e depois na Academia Pernambucana de Letras. Seu primeiro dirigente foi o Professor Newton Sucupira, ainda na UFPE. Em 1980, este Seminário foi transferido para a Fundação Joaquim Nabuco, tendo sempre como principal mentor e padrinho Gilberto Freyre. Entre os coordenadores do Seminário, além de muitos outros, pode-se mencionar o Prof. Sebastião Vila Nova e a Profa. Maria do Carmo Tavares Miranda, além de Fernando Freyre, Sonia Freyre e Fátima Quintas.
Para trazer ao Recife o Seminário de Tropicologia, Gilberto Freyre se inspirou na metodologia usada pelo professor Frank Tannenbaum, da Universidade de Columbia (EUA), em seu Seminário Latinoamericano. O seminário de Tannenbaum era multidisciplinar, com acadêmicos e não acadêmicos, que pesquisavam e debatiam as causas relativas ao atraso e/ou o desenvolvimento da América Latina.
Gilberto Freyre, com esta mesma metodologia, queria que o Seminário de Tropicologia incentivasse a pesquisa e o debate sobre o meio e a Cultura nos trópicos. Pois, sociólogos e culturalistas europeus e americanos, muitas vezes, interpretavam a vida nas regiões tropicais como determinada ao atraso. Para Gilberto Freyre, tal interpretação era puro preconceito, pois tal determinismo climático e racial não tinha fundamento. Pelo contrário, o clima tropical e o homem dos trópicos eram de extraordinária riqueza. Com potencial enorme de desenvolvimento. Nesta opinião se manifesta o otimismo sociológico de Gilberto Freyre, contra o pessimismo daqueles que condenavam os habitantes dos trópicos deterministicamente a um eterno atraso, pois, para estes, os trópicos não passavam de “Tristes Trópicos”, conforme o antropólogo Lévy-Strauss.
O Conferencista
Geraldo Eugênio é engenheiro agrônomo, mestre em Genética e Melhoramento Vegetal, com especializações em Gestão de Pesquisa e Gestão de Empresas. Atualmente, Geraldo Eugênio é superintendente de Pesquisa e Pós-Graduação do ITEP (desde agosto de 2011), mas ele já foi professor visitante da Universidade de Nebraska, nos EUA, diretor executivo da Embrapa (de 2005 a 2011), chefe da superintendência da própria Embrapa (de 2003 a 2005) e Secretário de Agricultura do Estado de Pernambuco (de 1995 a 1996).
Serviço
Seminário de Tropicologia – 50 Anos: Semiárido Sustentável
Local: Sala Gilberto Freyre (Fundação Joaquim Nabuco – avenida Dezessete de Agosto, 2187 – Casa Forte)
Data: quarta-feira (27)
Hora: 9h
Informações: 81.3073.6219 | 6217 (Imprensa | Fundaj)
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