“Estupro não é cultura, é significado de uma falência do Estado e também da própria sociedade”, Rita Segato
Fotos do evento disponíveis em http://fundaj.piwigo.com/index?/category/52-seminario_em_rede_etnicidade_genero_e_educacao
O Cinema do Museu da Fundação Joaquim Nabuco sediou a abertura do ciclo 2016 dos Seminários em Rede, que este ano tem como tema Etnicidade, Gênero e Educação. Na parte da manhã foram discutidas questões relacionadas à educação, racismo e violência de gênero em diversos campos institucionais. A conferência de abertura, de tema Etnicidade, Gênero e Educação, coordenada pelo professor Joanildo Burity (Fundaj), teve como debatedora a professora doutora Rita Segato, da Universidade de Brasília (UNB). Racismo e violência contra a mulher foram os principais pontos abordados pela professora.
Perguntada sobre sua opinião em relação ao conceito cultura de estupro, ela disse não concordar com o termo, que, segundo ela minimiza o problema. “O que a gente chama de cultura é uma coisa estabilizada, inocentada, simplesmente um costume. Estupro não é cultura, é significado de uma falência do Estado e também da própria sociedade. Trata-se de um processo histórico desequilibrado e genocida. Então, acho profundamente infeliz utilizar essa expressão quando estamos tratando de um assunto sério como esse”, comentou a professora.
Com relação ao racismo, Segato desconstrói a tese de que o problema está na falta da educação. Para ela, o racismo tem a ver com interesses de sistema e poder. “A maioria da população negra no Brasil, mesmo convivendo com falta de estrutura, educação e saúde, por exemplo, não morre de doença, mas sim de bala. Isso é uma questão de interesses políticos e sociais que fazem com que esse genocídio negro cresça cada dia mais”, complementa Rita.
Polícia – Na mesa Ministério Público e Polícia Militar, de Pernambuco: Enfrentamentos ao Racismo e às Violências de Gênero, as representantes das duas instituições, a capitã Lúcia Helena Salgueiro (PMPE) e Maria Bernadete Figueiroa (MP) falaram sobre racismo institucional no atendimento às vítimas e das políticas de enfrentamento ao racismo e à violência contra a mulher a partir do trabalho realizado pelo Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo e a Patrulha Maria da Penha. Segundo a capitã Lúcia Helena, “desde 2009, com a criação do GT Racismo, houve uma evolução institucional dentro da Política Militar em relação às questões dos direitos humanos”, pontuou.
Violência - À tarde o debate continuou com as mesas Por uma Educação Promocional do Respeito às Diversidades Étnico-raciais e de Gênero e Experiências Exitosas de Enfrentamento ao Racismo e à Violência de Gênero. Na primeira mesa, a professora Valdenice José Raimundo (UNICAP) falou a respeito do racismo e os grandes índices da violência contra a mulher, principalmente contra as mulheres negras, e a respeito da importância de se estudar a cultura afro brasileira: “a cultura afro deve ser ensinada a todo mundo, não só para negros”.
O Professor Ronaldo Sales, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), dentro do tema República, Escola e Instituição, falou a respeito da forma como estão sendo passados os ensinamentos nas escolas “É preciso pluralizar o ambiente escolar, educação para mim é militância, muita coisa que aprendi não foi na escola porque lá se aprende apenas aquilo que se quer impor ou o que vai cair no Enem” disse.
Após as mesas o público ficou à vontade para direcionar perguntas e esclarecer suas dúvidas com os convidados.
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