Fundaj lança Projeto Memória Social na próxima segunda-feira (30)
Museu do Homem do Nordeste lança websérie e e-book na unidade de Casa Forte, às 9h
Manter a memória viva e desvendar histórias de uma comunidade a partir do olhar dos moradores mais antigos. E se essas histórias forem contadas pelos alunos de uma escola do bairro, com a ajuda de professores, funcionários da escola e suas famílias? E as entrevistas feitas pelo aparelho celular, aquele dispositivo que pode ser o terror dos professores quando usado em sala de aula? Mas aqui estamos falando de um projeto educativo, realizado junto às escolas públicas do Ensino Fundamental e Ensino Médio pela equipe do serviço educativo do Museu do Homem do Nordeste (MUHNE).
Assim funciona o Memória Social na Escola, projeto onde o Museu faz a articulação entre a comunidade escolar e os moradores do entorno com atividades integrativas, que vão desde exposições a entrevistas sobre a história da comunidade, seus fatos pitorescos e personagens mais expressivas. Um e-book, com as etapas do projeto piloto realizado em 2015, com cinco escolas da Região Metropolitana do Recife, está sendo finalizado. Ele vai apresentar o conteúdo, mostrando questões conceituais e metodológicas do Memória Social na Escola e como o Projeto foi construído, além dos relatos de experiência das escolas participantes.
“Minha infância foi com minha mãe e meu pai… aí depois eles morreram e eu fiquei abandonada, sozinha, pelo mundo, trabalhando na casa dos outros”, começa falando Ana Maria Coutinho de Oliveira, uma das entrevistadas pelos alunos, sobre a história da sua vida no bairro de Massangana, no vídeo oficial do projeto realizado por eles. No mesmo vídeo, Ileide Clemente, aluna da escola Olinto Vitor, na Várzea, fala sobre a importância do Memória Social na Escola para ela. “Sempre tem alguma coisa além que a gente tem que aprender. E eu achei muito legal porque a gente pode conhecer mais o bairro e a gente pode também abrir nosso campo de visão para o lado da fotografia”, opina.
O objetivo principal do projeto é que crianças e adolescentes tenham uma experiência diferente no currículo escolar. “Muitas instituições de ensino procuram o Museu para visitar as exposições e realizar oficinas, mas, com o Memória Social, o Museu vai à escola com o intuito de contribuir, de forma colaborativa, com a construção do currículo escolar”, explica Mariana Ratts, coordenadora do Educativo do MUHNE.
Na primeira parte do projeto contou com cerca de 180 alunos, do 5º ano do Ensino Fundamental ao 2º ano do Ensino Médio, das escolas municipais Novo Pina (Pina), Octavio de Meira Lins (Vasco da Gama) e a Escola de Referência em Ensino Médio Olinto Victor (Várzea), além de duas escolas do Cabo de Santo Agostinho, Escola Municipal Joaquim Nabuco (Massangana) e Escola Municipal Ministro André Cavalcante (Mercês). Para 2016, o plano é continuar as atividades com as mesmas séries e escolas.
ATIVIDADES
São diversas as atividades feitas com os estudantes e professores. Oficinas de produção de vídeo e cinema com dispositivos móveis são as principais para a realização dos vídeos que compõe a metodologia do projeto, fazendo com que eles se tornem mais críticos e pensem em como apresentar as histórias das comunidades e escolas de maneira mais adequada. De acordo com Mariana, o MUHNE segue a dinâmica de cada escola para programar as atividades do ano letivo com professores e diretores. “A gente não chega lá com essas ações já prontas, nós pretendemos entender a dinâmica de cada escola naquele ano. Às vezes a escola está em greve ou o professor fica doente, está de licença… então vamos adaptando essas ações. E também convidamos as escolas para participar com a gente em outros momentos, como a Semana Nacional de Museus e a Primavera de Museus, entre outros eventos do calendário”, diz.
Todas as escolas focaram na preservação da memória dos próprios bairros e instituições. Na Escola Olinto Victor (Várzea), a turma participante foi dividida em equipes e cada uma construiu o próprio mapa do bairro de acordo com suas lembranças afetivas. Eles também produziram um curta de 20 minutos sobre a história da escola e o que ela significa, entrevistando alunos e ex-alunos, funcionários e parentes que estudaram lá. Na escola Novo Pina, os estudantes tiveram como foco a história do bairro do Pina, produzindo, além de entrevistas, diversos desenhos e fotografias. A Octavio de Meira Lins também focou na história do seu bairro, Vasco da Gama, por meio de árvores genealógicas, produzidas pelos estudantes, sobre as primeiras pessoas que moraram e realizaram mudanças no local, além da produção de diversas fotografias. Já nas escolas Ministro André Cavalcante (Mercês) e Joaquim Nabuco (Massangana), os alunos se envolveram com entrevistas, vídeos, fotografias e escritos sobre todo o processo do Projeto.
O PROJETO
O Memória Social foi implementado no fim de 2014, numa parceria da Fundaj com a Unesco. Segundo Mariana, foram chamadas, por meio das secretarias de Educação, cinco escolas onde foram convidados representantes do Programa Mais Educação do Cabo de Santo Agostinho, da Gerência de Ensino Fundamental dos Anos Finais da Secretaria do Estado e do Programa Mais Educação do Município do Recife, que apontaram a possibilidade de participação no Projeto de seis escolas. O Projeto é articulado ao Parâmetro Curricular Nacional (PCN) e desenvolvido desde a construção do projeto político pedagógico anual de cada escola. Neste caso, o MUHNE entra como parceiro, direcionando a metodologia das atividades, enquanto as escolas escrevem seus próprios projetos de memória social, que será desenvolvido de acordo com o tema que cada uma escolher. Entre as ações básicas estão visitas mediadas aos equipamentos culturais da Fundaj e a realização de oficinas para a requalificação dos dispositivos móveis. “É importante promover esse tipo de oficina porque o trabalho todo é realizado pelos próprios alunos a partir de celulares e tablets que são fornecidos pelo Governo Estadual. Então nosso papel é despertar a criticidade deles em relação à produção de vídeos e fotografias”, afirma Mariana.
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