Pesquisadoras da Fundaj comprovam que rede de amizade na sala de aula é bom para o desempenho escolar e ganham prêmio
As pesquisadoras da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Michela Barreto Camboim e Isabel Raposo, autoras da pesquisa Determinantes do desempenho escolar na rede pública de Ensino Fundamental do Recife conquistaram o primeiro lugar na área temática de Teoria Aplicada do IV Encontro Pernambucano de Economia com o artigo Autoestima e desempenho escolar: estimativas utilizando a rede de amizades da sala de aula. Este é o terceiro prêmio recebido pelas pesquisadoras, que fazem parte do quadro da Coordenação Geral de Estudos Econômicos e Populacionais/Diretoria de Pesquisas Sociais (CGEP/Dipes) da Fundaj.
No texto, as pesquisadoras apontam, entre outras conclusões, que fatores não cognitivos são muito importantes para a explicação dos resultados escolares, como a autoestima do grupo de amigos, por exemplo. “A autoestima do amigo afeta a nota do estudante de forma direta. Quando o estudante se relaciona com outros colegas que têm um autoconceito positivo de sua personalidade e se sentem valorizados em sala de aula, ele tende a exibir um melhor desempenho acadêmico”, defendem. Isto, segundo o artigo, ocorre mesmo depois de um rigoroso controle estatístico que permite isolar a influência dos demais fatores escolares e extraescolares que também possam afetar a performance do estudante. “Em termos quantitativos, os resultados demonstram que se houver um incremento de 50% no indicador de autoestima dos amigos mais íntimos do aluno, a nota média deste estudante aumentará em média 10%”, apontam.
As pesquisadoras reconhecem que essa temática não deve ser novidade para os profissionais de educação e fazem parte do senso comum de professores, pedagogos e de todas as pessoas inseridas nos contextos escolares. No entanto, não havia até o presente momento uma comprovação científica e quantitativa desses efeitos, principalmente pela inexistência de dados que possibilitem esse tipo de investigação. Assim, a Fundação Joaquim Nabuco desponta no cenário nacional e internacional como uma das instituições precursoras de um debate atual e relevante, por sua característica peculiar de instituição de pesquisa geradora de conhecimento a partir de sua longa história de produção de dados primários.
Em conclusão aos seus resultados, as pesquisadoras destacam que a política educacional, para ser efetiva na redução das desigualdades sociais, deveria se preocupar não apenas com a introdução de conteúdos cognitivos. “A formação humana, social, psíquica, socioemocional e o desenvolvimento de capacidades de relacionamento/convivência saudável entre os estudantes deveriam entrar na pauta dos conteúdos escolares de forma sistemática e estruturada. Uma classe unida e integrada em que os alunos são próximos entre si é um traço positivo para o rendimento dessas crianças. Assim, práticas pedagógicas que promovam trabalho em equipe, integração dos colegas em sala de aula, valoração da autoestima e uma abordagem mais individualizada podem melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes”, afirmam.
Prêmios - Em agosto deste ano a pesquisadora Isabel Raposo já havia sido premiada em primeiro lugar pelo Conselho Federal de Economia pela tese de doutorado O papel da rede de amizades e da formação aleatória de turmas por faixa etária sobre o desempenho escolar, sob a orientação da professora Tatiane de Menezes, defendida durante o Programa de Pós-Graduação em Economia (PIMES)/UFPE. No ano passado, as pesquisadoras, juntamente com a professora da UFRPE, Sônia Fonseca, foram condecoradas com o primeiro lugar na área de Economia Regional e Agrícola do III Encontro Pernambucano de Economia, com o texto Impactos das habilidades não cognitivas sobre o desempenho escolar.
O IV Encontro Pernambucano de Economia foi realizado entre os dias 19 e 20 de novembro no Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPE.
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