Presença Afrodescendente na América Latina: a temática Educação e relações étnico-raciais norteou os debates do último dia
O segundo dia do Seminário Internacional Presença Afrodescendente na América Latina deu continuidade às discussões acerca da temática étnico-racial no Brasil e em outros países. A mesa da manhã, coordenada pela historiadora e pesquisadora da Fundaj, Rita de Cássia, abordou o tema Educação e relações étnico-raciais no Brasil: narrativas e experiências. Com excelente quórum, o evento contou ainda com visita ao Museu do Homem do Nordeste.
Entre as narrativas e experiências apresentadas, estavam: projeto Laboratório de Estudos Africanos, o Le África, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por Mônica Lima; o Mestrado Profissional em Historia da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), por Cláudio Orlando Costa do Nascimento; Licenciatura em Estudos Brasileiros na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por Carlos Benedito Rodrigues da Silva e o Laboratório de Acervos e Materiais Didáticos, o Labdidática, programa que tem como objetivo criar e desenvolver atividades experimentais com o acervo da Fundaj que envolve a temática afrodescendente no Nordeste brasileiro, que foi apresentado por Rosalira Oliveira (Fundaj).
A programação da tarde começou com a apresentação do vídeo Marcha das Mulheres Negras/2015, um libelo contra o racismo e a violência e pelo bem viver. Com muita animação os participantes cantaram algumas canções, entre elas, O Canto das três Raças de Clara Nunes e Sou Negro, Sim de Eliana Lima. A mesa redonda da tarde foi composta pela pesquisadora Rosalira Oliveira, Maria Elisa Velázquez (Presidenta do Comitê Científico Internacional do programa: A Rota do Escravo: resistência, liberdade e patrimônio); Profª Cláudia Mosquera (Universidade Nacional de Colômbia) e Prof. Milton Guran (Universidade Federal Fluminense –Brasil) que debateram o tema: A Década Internacional dos Afrodescendentes: desafios e perspectivas.
Arquivos – Maria Elisa Velázquez falou da importância da criação de políticas públicas para os afrodescendentes, assim como a criação de centros especializados, bibliotecas, fototecas e arquivos mais acessíveis ao público que permitam conhecer melhor os contextos naturais e particulares. Maria Elisa falou ainda da necessidade em combater o preconceito racial nos meios de comunicação de massa: “Não é possível que mesmo no século dos negros ainda ouvimos em rádios e vemos em jornais e televisão ofensas e palavras de racismo contra os afrodescendentes” disse.
Claúdia Mosquera iniciou o seu discurso afirmando: “Acredito que essa década é um espaço para a ação daquilo que já vem sido construído há muito tempo. Espero realmente que essa década seja marcada por ações”. E reforçou ainda a necessidade da criação de um fundo para discutir a política global afrodescendente.
Milton Guran encerrou o debate da mesa falando a respeito dos eixos de reparação que considera os principais: Ética: Reconhecimento do Tráfico de escravos como crime contra a humanidade; Reparação Histórica: Onde é preciso revisar toda a história afrodescendente; Educacional: Prática educacional voltada ao estudo dos afros e Socioeconômicos.
Com excelente público nos dois dias, o Seminário foi todo transmitido online.
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