Lançado Edital da 11ª Edição do Concurso de Roteiros Rucker Vieira
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), através da Massangana Multimídia Produções/Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte, publicou o edital da 11ª Edição do Concurso de Roteiros Rucker Vieira, que terá inscrições abertas no período de 10 de agosto a 30 de setembro de 2015. O prêmio é uma iniciativa integrante do Programa Gestão e Manutenção do Ministério da Educação, com desdobramento na ação Promoção e Intercâmbio de Eventos Educacionais e Culturais. Serão selecionados dois projetos de documentários, com premiação bruta de R$ 80 mil (cada), visando gerar produtos audiovisuais destinados à utilização como ferramenta em processos educacionais alinhados às diretrizes do Ministério da Educação e com vistas a estimular a produção independente de audiovisual do Brasil.
Os dois roteiros premiados deverão ter duração de 26 minutos, enfocando o tema CINEMA E EDUCAÇÃO - OLHARES E SABERES SOBRE A REALIDADE, em consonância com a necessidade de implementação da Lei 13.006/14 que prevê a exibição de filmes de produção nacional como componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais. Sendo um órgão vinculado ao Ministério da Educação a Fundação Joaquim Nabuco vem contribuir para a elaboração e a execução de ações que ajudem no cumprimento da lei do Cinema Nacional nas Escolas, como forma de potencializar, efetivamente, as suas ações de trabalho através de abordagens que dialogam com a pluralidade de expressões.
Além da premiação em moeda brasileira corrente, os dois roteiros vencedores desta 11ª edição do Concurso terão a garantia da exibição nacional através da parceria da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj)/MEC com a TV Brasil e distribuição em escolas e universidades através de parcerias com secretarias de educação e cultura e espaços de exibição públicos.
Há mais de uma década o Concurso de Roteiros Rucker Vieira vem conquistando espaço entre os editais nacionais em audiovisual, sendo o único com a difusão voltada para a Educação, recebendo inscrições de todas as Regiões do País, oportunizando a formação de público e gerando novas possibilidades de informação através da produção e fruição de documentários.
O Edital e anexos estarão disponíveis mais adiante ou no blog https://ruckervieirafundaj.wordpress.com/ As dúvidas poderão ser tiradas através do Perguntas Freqüentes (que acompanha os anexos) ou pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
:: Clique aqui para acessar o Edital e os anexos:
- Edital;
- Fichas de Incrição Pessoa Física;
- Ficha de Inscrição Pessoa Jurídica;
- Modelo Carta de Anuência;
- Modelo Termo de Autorização de Uso de Imagem e Voz;
- Planilha de Orçamento
- Plano de Produção
- Perguntas Freqüentes
Informações gerais:
Fundação Joaquim Nabuco/Diretoria de Memória, Educação Cultura e Artes
Massangana Multimídia Produções
Rua Dois Irmãos, Nº 92 – Apipucos – Recife – PE
CEP.: 52071-440
Telefones: 81 – 3073.6710/3073.6819
Saiba mais sobre o Concurso
O título do Concurso é uma homenagem ao fotógrafo-cineasta pernambucano Rucker Vieira – nome de referência do cinema brasileiro –, que trabalhou na Fundação Joaquim Nabuco, como fotógrafo e cinegrafista, e foi, ao lado do cineasta Fernando Spencer/PE – diretor da Cinemateca da Fundaj durante 20 anos –, um dos principais estimuladores e inspiradores para a criação de espaços, acervos e atividades voltados para a pesquisa, estímulo e difusão cultural da Sétima Arte dentro da Fundaj.
Rucker Vieira entrou para a história do cinema nacional, por ser o diretor de fotografia de Aruanda (1960), filme dirigido pelo paraibano Linduarte Noronha e um marco da nossa cinematografia, pela contribuição aos rumos estéticos do Cinema Novo. O filme também inaugurou o cinedocumentário no Brasil.”
O certame é destinado a selecionar e premiar dois projetos de documentário, a cada ano, visando gerar audiovisuais destinados à utilização como ferramenta em processos educacionais alinhados às diretrizes do Ministério da Educação e com vistas a estimular a produção independente de audiovisual do Brasil a partir de diversas vertentes para além da criação profissional, mas também colocadas por professores, estudantes, pesquisadores e interessados na produção audiovisual como forma de difusão do conhecimento.
A Comissão Julgadora é composta por cinco integrantes, escolhidos a cada edição sendo 2/5 de fora do estado de Pernambuco, sendo: um membro representante da TV Brasil (EBC), um da área de Audiovisual da Fundação Joaquim Nabuco, ou indicado, e três especialistas nacionais com experiência comprovada na área, sendo dois representantes da sociedade civil.
Em dez edições realizadas, foram inscritos cerca de 400 projetos, advindos das diversas regiões do país (de Norte a Sul), tendo sido selecionados e premiados 19 roteiros de documentários, sendo 14 deles já compilados em dois DVDs, que fazem parte da Coleção Rucker Vieira – volumes 1 e 2. Os cinco roteiros restantes, sendo três deles já produzidos, e os outros ainda em andamento, deverão fazer parte do volume 3 – em fase de estudo.
De modo geral, os produtos audiovisuais resultantes do Concurso abordam temáticas atuais: Meio Ambiente, Cultura, Prostituição, Exclusão Social, Vida Urbana, Desenvolvimento Sustentável, etc, e são requisitados e utilizados por estabelecimentos de ensino fundamental e superior, pesquisadores, professores, instituições públicas e privadas, com distribuição gratuita.
Os documentários produzidos têm exibição garantida na grade de programação da TV Brasil/EBC, parceira da Fundaj no certame. Neste sentido, já vêm sendo feitas articulações pela MMP, junto àquela emissora de televisão, para a montagem de um cronograma de apresentações no ano de 2015.
Histórico do Concurso
10ª Edição (2014)
Temática: AFRICANTOS: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO POVO AFRO-BRASILEIRO – assinalando os dez anos do Concurso e em sintonia com a Lei 10.639/03, que versa sobre a obrigatoriedade nas escolas de ensino básico do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, e ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade. Projetos inscritos: 38. Documentários premiados:
Título: FotogrÁFRICA – Alice Frances Tilovita Sicato Chitunda (PE). Um filme que pretende mergulhar na memória visual e afetiva de D. Amélia, uma angolana que fugiu junto com a família da guerra civil, que ocorreu naquele país, entre 1976 e 2002. D. Amélia recomeçou a vida no Nordeste do Brasil e recebeu o título de cidadã olindense, em 2011.
Título: Parece Comigo – Kelly Cristina Spinelli (SP). Um filme sobre o pequeno universo das bonecas negras em São Paulo, que não representam mais de 10% das ofertas de brinquedos. Seu eixo central/narrativo é a vida familiar e de trabalho da artesã Ana Júlia Santos, a Ana Fulo, que há 20 anos produz bonecas negras na Cohab Tiradentes, na zona leste paulistana, e as vende em feiras no Centro, além de simbolizar a autoestima desenvolvida pelas crianças que têm acesso a esse tipo de brinquedo.
9ª Edição (2012)
Temática: NORDESTES EMERGENTES. Projetos inscritos: 71. Documentários premiados:
Título: Aracati – Julia De Simone (RJ). Trata-se de um documentário que refaz a trajetória do vento Aracati, que passa todos os dias no mesmo horário em grande parte do Estado do Ceará, e habita o imaginário local. A proposta é de uma viagem espaço-temporal pelo Estado, partindo do sertão em direção ao litoral, aproximando-se de uma proposta de modernidade, enquanto captura as transformações das relações dos moradores com o vento, cada vez mais mediadas pela urbanização e novas tecnologias.
Título: Canavieiros – Andréia de Arruda Ferraz (PE). Aborda a transição histórica em curso no Distrito Industrial e Portuário de Suape, onde milhares de trabalhadores migram do corte da cana-de-açúcar para a indústria. Mais do que o simples registro desse crescimento econômico e social, o documentário observa de que forma o desenvolvimento anunciado se reflete na vida das pessoas daquela região.
Título: O Touro – Larissa Figueiredo Mendes (DF). É um filme que permeia o universo mítico do sebastianismo luso-brasileiro, através do trabalho direto com os habitantes da Ilha dos Lençóis, no Maranhão, documentando encontros cotidianos, crenças e costumes.
8ª Edição (2011)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 55. Documentários premiados:
Título: Noitários de Garçom – A Saga de Frei Miguelinho – Ney Dantas (PE). Um registro poético e contemporâneo sobre os garçons. O documentário relata as estratégias de sobrevivência desses profissionais do ramo de hotéis, bares e restaurantes, que a partir da década de 1960 se espalharam pelo Brasil. A narrativa está centrada na construção da teia social e de solidariedade criada entre os parentes e amigos conterrâneos da cidade de Frei Miguelinho /PE.
Título: Mário, o Deserto e os Naufrágios – Eric Laurence (PE). Mário é um jovem mergulhador que deseja viajar com o seu amigo para o deserto de Atacama. No entanto, Mário vive uma interminável luta contra um câncer. Um filme sobre amizade, uma jornada afetiva que parte do Recife, no Brasil, atravessa a Bolívia, até chegar ao Atacama, Chile.
7ª Edição (2010)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 85. Documentários premiados:
Título: Alexina – Memórias de um Exílio – Cláudio Bezerra e Stella Maris Saldanha (PE). O documentário retrata um passeio pelas memórias afetivas do exílio cubano de Alexina Crespo, uma das principais lideranças das Ligas Camponesas, na década de 1960.
Título: Desterro – Cláudio Marques e Marília Haghes (BA). O filme resgata as memórias de Dona Pequenita e Tereza Batalha sobre uma das maiores intervenções do Estado brasileiro.
6ª edição (2009)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 40. Documentários premiados:
Título: Minha Vida Não é um Romance – Tatiana Sager (RS). O retrato de Janete Oliveira Silva, prostituta por profissão e atriz por vocação. Nessa história pessoal se entrelaçam o palco como paixão, a prostituição e a rua, os malabarismos para sobreviver, a construção e desconstrução de uma família, a violência e a consciência de cidadania de uma mulher brasileira.
Título: Aeroporto – Marcelo Pedroso (PE). Estarei partindo logo. É tão estranho pensar que esse tempo está acabando. As pessoas que conheci parecem quase velhos amigos agora. Provavelmente, nunca mais vou vê-las. Um pensamento triste, mas eu acho bem realista. A Austrália é tão longe do resto do mundo.
DVD Coleção Rucker – Vol. 2
É integrado pelos seis documentários resultantes da 6ª, 7ª e 8ª edições, com tiragem de um mil DVDs e legendas em português e inglês.
DVD Coleção Rucker – Vol.1
Os documentários finalizados até a quinta edição, em número de nove, fazem parte do primeiro DVD da coleção, com tiragem de um mil DVDs e legendas em português e inglês.
Filmes que integram o DVD:
5ª Edição (2008)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 20. Documentários premiados:
Título: Janela Molhada – Marcos Enrique Lopes (PE). A história dos pioneiros do cinema pernambucano Ugo Falangola e J. Cambieri, fundadores da primeira produtora de cinema no Estado.
Histórico de exibições: selecionado para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo (2010); Mostra Prêmio ABC (2010); 1º Encontro de Estudo e Reflexão sobre as temáticas da Emigração, Cidadania e Comunicação, promovido pelo Consulado da Itália, no Recife (2009).
Título: As Aventuras de Paulo Bruscky – Gabriel Mascaro (PE). O desenvolvimento em desenho animado do processo de diálogo do artista pernambucano Paulo Bruscky, que encomenda um documentário na plataforma virtual Second Life para registrar suas primeiras experiências pessoais.
Histórico de exibições: Festival É Tudo Verdade (2010); Festival Internacional de Curtas de SP (2010).
4ª Edição (2007)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 22. Documentários premiados:
Título: O Artesão dos Sonhos – Petrus Pires/Paulo Hermida (BA). Aspectos importantes e pouco conhecidos da vida e obra do cineasta baiano Roberto Pires. Sua trajetória de ousadias técnicas e temáticas suscita reflexões sobre o ofício dos que fazem cinema fora do eixo Rio/São Paulo.
Histórico de exibições: selecionado para compor a Mostra Cinema Conquista – Um Olhar para o Novo Cinema, realizada em Vitória da Conquista – BA (2009); 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2009); selecionado para a Mostra Competitiva de Vídeos do MERCOSUL no 12º FAM – Florianópolis Audiovisual MERCOSUL, realizada em Florianópolis (2008); selecionado para a Mostra Competitiva de Vídeos no 15º Vitória Cine Vídeo Espírito Santo, realizada em Vitória – ES, (2008).
Título: Verde Terra Prometida – Cláudia Kahwage (PA). Abordagem original da migração dos nordestinos para a Amazônia, deixando emergir histórias desses brasileiros e de suas famílias, seus sentimentos, sua face real mixada à própria face da história recente do norte do País.
Histórico de exibições: Festival Internacional de Vídeo Etnográfico (RJ, 2009); XI Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental; Festival de Cinema do Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, 2009; Ganhou Prêmio Arara Azul – melhor filme etnográfico do Festival Pan-Amazônico de Cinema Amazônia DOC – 2009; foi exibido diversas vezes em cadeia regional de Televisão pela TV Cultura do Pará; foi exibido na Casa do Brasil, na França, como atividade de abertura do seminário Amazônia Imaginário – Paris-França.
3ª Edição (2006)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 38. Documentário premiado:
Título: Vigias – Marcelo Lordello (PE). Enquanto dormimos, outros vigiam.
2ª Edição (2005)
Temática: MEIO AMBIENTE. Projetos inscritos: 16. Documentários premiados:
Título: Quando a Maré Encher – Oscar Malta (PE). O cotidiano dos pescadores urbanos do Recife. A criatividade, a sabedoria, o bom humor e o pensamento daqueles que têm o seu sustento diariamente definido pela maré.Histórico de exibições: Cine Gaia – Festival Internacional de Cinema Ambiental do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2010); I Festival de Cinema Ambiental de Fernando de Noronha – Prêmio de Melhor Média Documentário (2009);Janela Internacional de Cinema do Recife (2008); Cine Bonito (MS, 2008); Mostra Paulista de Cinema Nordestino (2007); Exibido em 13 cidades às margens do Rio Capibaribe, durante a Expedição Capibaribe (2007); Programa Documento Nordeste da TV Universitária da Universidade Federal de Pernambuco (2006); VIII Festival de Vídeo do Recife (2006) – Prêmio de Melhor Documentário.
Título: Árvore Sagrada – Cléa Presbítero (PE). O umbuzeiro, espécie frutífera da Caatinga, assume, para a população da Região do Semiárido nordestino, a imagem mítica de uma árvore sagrada, por desempenhar papel fundamental na sobrevivência das comunidades.
Histórico de exibições: Cinema da Fundação (2006) – Lançamento; Livraria Cultura (2006); Cinema do Parque – Festival de Vídeo de Pernambuco (2006); SBPC– Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – Florianópolis (2006); Fórum de Ações Ambientais da Caatinga – participação na mesa-redonda sobre desenvolvimento sustentável – Chesf (2006); Festival Latino-Americano de Vídeo Ambiental da Chapada Diamantina (2007); Festival de Cinema Ambiental de Vitória– ES – Prêmio Melhor Vídeo Institucional para a Fundaj (2007); Fórum Latino-Americano “Memória y Identidad” – participação de mesa-redonda sobre desenvolvimento sustentável, Montevideo – Uruguay (2007); TV Câmera (2007); TV Universitária (2007); Bibliotecas da Embrapa – utilizado para treinamentos e consultas a partir de 2007; Seminário Meio Ambiente, Qualidade de Vida e Sustentabilidade – participação de mesa-redonda – Fafire (2008); Vídeo Debate – Departamento de Engenharia Ambiental – Unicap (2008); Reunião do Comitê da Reserva da Biosfera da Caatinga – Floresta (2009); TV BRASIL (2009) rede nacional; Oficina de Vídeo de Rolando Moreira – Cusco – Peru; Mostra de Cinema Bela Caatinga, em 17 cidades do semiárido pernambucano, com exibições em escolas públicas e praças e um público aproximado de 10.100 pessoas (2009).
1ª Edição (2003/2004)
Temática: LIVRE. Projetos inscritos: 15. Documentários premiados:
Título: Recife 3X4 – Janaína Freire (PE). Um painel da cidade do Recife em 3X4, compondo uma panorâmica de anônimos e excluídos que por ela circulam e nela vivem.
Histórico de exibições: 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará (2008); Série NorDestinos da TV Brasil (2008); XII Festival de Vídeo de Teresina (2004); 8ª Mostra de Cinema de Tiradentes (premiado).
Título: Gangarras do Bandeira – Lulla Clemente e Cátia Oliveira (PE). O apartheid numa abordagem inesperada do preconceito racial, através do resgate da história de uma comunidade no Agreste pernambucano, que vem perdendo sua identidade. Seus habitantes, de descendência europeia, são chamados pejorativamente de Gangarras. Estes cidadãos sofrem discriminação por serem Galegos – loiros dos olhos claros, pobres e analfabetos.
Histórico de exibições: TV Brasil (2008); Cine Bonito (MS, 2008); TV Câmara (2007); Mostra de Curtas: Novas Críticas – Centro Cultural Banco do Brasil (2005).
Depoimentos sobre a última edição do concurso (2014)
“Há, aproximadamente, 10 anos, participo de processos de seleção de editais em diferentes regiões do país. Esta experiência nos faz reconhecer um cenário ainda desigual quanto à representação do negro na obra audiovisual, ou mesmo na composição de equipes e elencos. Claro que podemos enumerar diversas iniciativas nos últimos anos como parte de políticas afirmativas. Entretanto, todo o esforço empreendido até o momento ainda não foi capaz de construir na sociedade uma esfera em que a inclusão do negro se configure como uma "normalidade", exigindo da sociedade, e dos órgãos que atuam na promoção da igualdade, a defesa de iniciativas, como a do Concurso Rucker Vieira. Como gestora de conteúdo de uma TV Pública, acredito que conteúdos selecionados no Concurso Rucker Vieira são indispensáveis para nossas grades de programação.”
(Indira Amaral /PE, diretora de Produção e Programação da TV Pernambuco. Representante da TV Brasil na 10ª Edição).
“Estamos em um momento em que o audiovisual brasileiro tem proporcionado poucas oportunidades reais para que ideias e produções audiovisuais de enfoque cultural tenham a possibilidade de ser realizadas e difundidas, a partir das iniciativas públicas, inclusive com parcerias fundamentais, como a exibição na TV Pública, permitindo ao grande público ter acesso a obras e abordagens importantes, como as que premiamos neste Edital.”
(Clementino de Jesus /RJ, cineasta e professor de Audiovisual. Jurado da 10ª Edição).
“Entre os 38 projetos apresentados ao Concurso Rucker Vieira, mais de uma dezena se destacou pela originalidade do argumento, a abordagem inventiva e o nível técnico de excelente qualidade. Um fator positivo também se deu em relação aos recortes temáticos: às comuns – e não menos importantes – propostas, envolvendo religiões afro-brasileiras, estiveram também mesclados projetos, trazendo a questão da pele no universo dos brinquedos; os bailes realizados na São Paulo dos anos 50; o mapeamento do DNA africano no sangue brasileiro. São ideias que oxigenam a discussão a respeito da cor no Brasil.”
(Fabiana Moraes/PE, repórter do Jornal do Commercio. Jurada da 10ª Edição)
Sobre Rucker Vieira
Fotógrafo-cineasta pernambucano, nascido na cidade de Bom Conselho, Rucker Vieira (1931-2001), nome de referência do cinema brasileiro, trabalhou na Fundação Joaquim Nabuco, como fotógrafo e cinegrafista, e foi diretor e um dos responsáveis pela criação da Filmoteca na década de 1970 – que no início da década de 1980 deu origem à Cinemateca da Fundaj, nacionalmente conhecida, principalmente pelo seu acervo sobre o Ciclo do Recife e o cinema pernambucano.
Rucker Vieira ficou mais conhecido por ter trabalhado como o diretor de fotografia no filme Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, um marco na cinematografia brasileira e pela contribuição aos rumos estéticos do Cinema Novo.
A partir de Aruanda, seu talento foi destacado por cineastas nacionais consagrados, tais como Humberto Mauro (um dos pioneiros do cinema brasileiro), Glauber Rocha, Vladimir Carvalho, Paulo Emílio Salles Gomes, entre outros. Principalmente pelo “modelo” de fotografia inovadora de Rucker Vieira, o filme despertou o interesse da classe cinematográfica e da crítica especializada no Brasil, inclusive no eixo Rio-São Paulo.
Rucker Vieira também dirigiu e roteirizou os documentários A Cabra na Região Semi-árida (1962) e Olha o Frevo (1970), tendo atuado na fotografia, montagem e cinegrafia de outros títulos importantes, a exemplo de Cajueiro Nordestino (1962), de Linduarte Noronha, Os Homens do Caranguejo (1969), de Ipojuca Pontes, de algumas películas, em 16 e 35mm, realizadas pelos cineastas pernambucanos Fernando Spencer e Fernando Monteiro, e de alguns filmes em Super-8.
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