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Pesquisadores da Fundaj debateram os desafios da Educação no semi-árido, durante o Encontro de Formação do Instituto Regional Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)”, no Centro de Formação do IRPAA, em Juazeiro (BA), no dia 24 de julho

Publicado: Terça, 21 de Julho de 2015, 11h32 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h12 | Acessos: 1515

                                     Pesquisadores da Fundaj debatem os desafios da Educação no semi-árido

                                                                                                                                * Arthur Pedro Bezerra de Menezes. Enviado especial a Juazeiro (BA)

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) participou do “Encontro de Formação do Instituto Regional Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)”, na sede da instituição, em Juazeiro (BA).  O objetivo da Fundaj no encontro foi o de contribuir com a formação da equipe de colaboradores do instituto, dentro do tema geral do evento: “Políticas Educacionais: Desafios e Perspectivas para a Educação no Semi-Árido”, abordando o Plano Nacional de Educação (PNE), a partir de indicadores e temas históricos da formação do país), seus desafios e a educação no semi-árido.

E desafio foi, literalmente, a palavra mais utilizada na abordagem do tema educação no semi-árido pelos representantes da Fundação. A geógrafa e pesquisadora Edilene Barbosa Pinto, primeira pesquisadora a estabelecer o contato com o IRPAA, pela Fundaj, quando realizou em 2002 a pesquisa “Educação Ambiental em área semiárida da Bahia – uma contribuição para a gestão”, fez apresentação dos  resultados da pesquisa “Educação para a Convivência com o Semiarido Brasileiro – realidade na prática pedagógica”, realizada em três municípios baianos (Sento Sé, Curaçá e Uauá).

Além de apresentar a necessidade da realização de processos de formação continuada para os professores e a carência de material didático-pedagógico contextualizado que a pesquisa assinalou, ela apontou outro grande primeiro, e mais grave desafio: "O próprio PNE, com a sua “legislação” específica, não é respeitado". O PNE prevê a promoção da sustentabilidade socioambiental, porém teve excluída das suas Diretrizes a Educação Ambiental. Edilene disse que "o PNE aponta (na Diretriz VI, Meta 7 estratégia 7.17, e na meta 17) que deve haver a promoção da Sustentabilidade Socioambiental, ampliar a educação escolar do campo, quilombolas e indígenas, a partir de uma visão articulada, com desenvolvimento sustentável e a preservação da identidade cultural. E ela questiona se isto está sendo levado em conta, se é respeitado, Será que o que diz a estratégia e a meta é realizado pelos governos municipais ? E ainda, o que se vê que é feito pelos governos, é o oposto, de uma forma exatamente contrária ao exposto pelo PNE. As autoridades governamentais estão é reduzindo as escolas do campo.”

E esse fato foi denunciado pelo colaborador do IRPAA, "Diegão" de Albuquerque, que ressaltou que, em 2014 foram fechadas 4.084 escolas do campo, e que dentre as regiões mais afetadas, Norte e Nordeste lideram o "ranking", com o estado da Bahia em primeiro lugar, com 872 escolas fechadas, o Maranhão, em segundo lugar, com 407 escolas fechadas, seguido pelo Piauí, com 377 . "Como isso é possível, quando temos, justamente nesse período, de 2014 a 2023, que cumprir a execução do PNE pelos governos federal, estaduais e municipais?"

A resposta veio numa longa explanação feita pelo professor Paulo Rubem Santiago, presidente da Fundaj. Ele foi ao evento para, pela proposta do grupo do IRPAA, dialogar sobre a história da educação no Brasil e sobre a construção da política e do sistema nacional de educação, com foco no papel ou protagonismo da sociedade civil nesse processo.

"A relação entre educação e sustentabilidade, essa relação cultural no Brasil, é um novo, ou melhor, um velho desafio a ser enfrentado. Construir caminhos, conhecimentos e políticas ligadas à educação e à sustentabilidade no campo, está na lei federal, no PNE, que pretende instrumentalizar a educação desde o ensino básico, nas creches, até as universidades. Mas isso é difícil, num país com a extensão territorial e as peculiaridades regionais e culturais de cada área, estado e município. E mais, tem que se levar em conta a nossa origem geral e a origem de cada comunidade desse vasto Brasil”, analisou Paulo Rubem.

A pesquisadora Ana Sousa Abranches, da Fundaj, apresentou os resultados da Pesquisa sobre Avaliação dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), bem como da gestão deste pelos municípios do semiárido nordestino. A pesquisa, que tem uma amostra representativa para todo o Nordeste, foi realizada em 401 municípios tem um recorte específico para semiárido, com 203 municípios em 8 Estados da Federação (PI; CE; RN; PB; PE; AL; SE e BA). No total, 1.554 atores foram pesquisados.

Entre os dados revelados na pesquisa, está a característica desses Conselhos do Fundeb  que possuem um grande número de servidores municipais, bem como a dependência desses colegiados com as gestões municipais. Outra descoberta da pesquisa assinada por Ana Abranches é que apenas 25% dos conselheiros se reúnem com os segmentos que representam e somente 17,7% dos secretários municipais de Educação afirmaram consultar os Conselhos para decidir sobre a aplicação dos recursos do Fundeb. 

Portanto, o PNE, a partir de indicadores e temas históricos da formação do país e seus desafios (pedagógicos, projetos políticos pedagógicos das escolas, sistemas de gestão e controle, entre outros), foram explorados durante o encontro que teve ainda a antropóloga e pesquisadora da Fundação Janirza Cavalcante da Rocha Lima como palestrante. Ela propôs a realização de uma pesquisa a ser desenvolvida, pela Fundaj, na região, sobre educação contextualizada para as escolas e as unidades de conservação do semi-árido, com foco na qualidade dessas unidades e baseada também em indicadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

O seminário do IRPAA teve ainda a exposição do professor Edmerson dos Santos Reis, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e da Rede de Educação do Semi-Árido Brasileiro (RESAB), que fez uma análise sobre educação do campo na perspectiva da convivência. O professor Edmerson compõe a equipe que cuida das produções da RESAB.

O público do encontro, em torno de cinqüenta (50) pessoas da equipe do IRPAA, com atuação nos diversos eixos (clima e água, educação, terra, produção, comunicação e administração), foi constituído basicamente por jovens (80% dos participantes). A maioria deles com formação técnica e com vivência nas comunidades em dez municípios do entorno da região do São Francisco – Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) -. Do encontro resultará um caderno especial sobre as palestras e debates, que, possivelmente, será editado pela Editora Massangana, da Fundaj.

:: Veja Galeria de Fotos do evento.

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