Exposição "Patrimônio em Disputa" em cartaz na Sala Mauro Mota, do Museu do Homem do Nordeste, da Fundaj
A exposição "Patrimônio em Disputa" está em cartaz na sala Mauro Mota, do Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco (avenida 17 de agosto, 2187, Casa Forte).
Confira os horários de visitação em DEZEMBRO E JANEIRO:
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A exposição faz parte do Projeto Feira de Mitos. Feira de Mitos é um projeto de cinco exposições, que acontecerão entre 2014 e 2019, a cada ano trazendo uma temática específica. Para este ano, de 2014-2015, foi elaborada a exposição, “Patrimônio em disputa” realizada a partir da pesquisa do museólogo Rodrigo Cantarelli, pesquisador da Fundaj.
Esta exposição tratará do tema da criação da Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais e do Museu do Estado (1928 -1933). Ela trará, a partir das perguntas da contemporaneidade sobre os patrimônios culturais da cidade, o tema do Bairro Novo Recife, tão polemizado pelos intelectuais do início do século XX, a história do Engenho Megaípe e a da primeira exposição do Museu do Estado de Pernambuco, no Palácio da Justiça. O que o MUHNE quer com esta exposição é criar espaços de conversas a respeito das disputas em torno do patrimônio cultural, engendrada pela querela dos “antigos” jornalistas recifenses Aníbal Fernandes e Mário Mello, que viveram em meados do século XX.
Segundo os museólogos da Fundaj, “os museus são instituições criadas por pessoas que sonham, imaginam e inventam modos de ser e estar no mundo”. Para eles, “o museu também é uma arena política, onde diferentes formas de sonhar, imaginar e inventar modos de ser e estar no mundo são colocadas no jogo de disputas da memória”. E as perguntas, para os museólogos são: ”o que deve ser lembrado? O que precisa ser esquecido? Para patrimonializar o que será vandalizado? Quem foram estas pessoas que atuaram nos processos patrimonializadores do Nordeste? Como e por que colecionaram todos estes objetos que hoje temos expostos e guardados na reserva do Museu do Homem do Nordeste?”
“O Muhne quer conhecer a sua própria história e entender os caminhos percorridos pelas peças do seu acervo até hoje”, explicam os coordenadores do Museu da Fundaj. Eles dizem que “os objetos também possuem biografias”. E se perguntam: “Quais objetos foram escolhidos para ser patrimônio cultural? E que representavam a tradição ou a identidade nordestina? Quem pode patrimonializar?” Estas, entre outras perguntas, motivadas pela leitura do livro do professor Durval Muniz de Albuquerque Feira de Mitos: A fabricação do Folclore e da Cultura Popular no Nordeste (1920 -1950) convidaram os coordenadores a refletirem sobre personagens como o poeta Mauro Mota - o patrono da sala de exposições do Muhne - sobre o lugar dos intelectuais na invenção do patrimônio cultural no Nordeste, principalmente através da literatura.
A coordenadora-geral do Museu do Homem do Nordeste, Carolina Ruoso, faz, a seguir, uma longa exposição sobre a Exposição “Patrimônio em disputa”: Ela foi gestada na polifonia feira. A partir da abordagem da curadoria colaborativa, todos os setores do Museu do Homem do Nordeste e o Educativo do Espaço Cultural Mauro Mota construíram a proposta curatorial da exposição, trazendo para o roteiro narrativo, possibilidades cenográficas mais interativas. Contar com o envolvimento dos mediadores desde a concepção do roteiro narrativo, sugerindo ações e formas de apresentação das ideias foi fundamental na elaboração deste projeto. Deste modo, os educadores do museu estavam bastante integrados ao tema da exposição e já elaboraram trilhas temáticas para atender ao público escolar e universitário e, também, aos grupos de visitantes espontâneos que se interessem por um tema em especial. As visitas pensadas a partir das trilhas temáticas convidam para uma conversa em torno do tema da exposição, gerando assuntos sobre patrimônios imateriais, cartografias afetivas da cidade, atores patrimonializadores, quem patrimonializa? Quem é o inspetor? Intervenções e diálogos com as cidades. O Agendamento das visitas de grupos para conhecerem a exposição “Patrimônio em disputa” deverá ser feito por telefone, nos números indicados: 30736331 ou 30736340.
Na virada do século XX para o século XXI os museus, estes lugares de memória, foram convidados a repensarem seu papel na sociedade, a partir de diferentes conquistas dos momentos sociais que lutaram pela redemocratização nos processos políticos e, também, provocados pelas demandas surgidas com os processos de descolonização. Para o Museu do Homem do Nordeste (Muhne) não foi diferente, era preciso construir este lugar para além das representações do Nordeste Brasileiro pensado como unidade regional da nação, que forjava uma identidade comum para todas as pessoas nomeadas de nordestinas, como se fosse possível todas herdarem e construírem simultaneamente um só nordeste.
Durante o século XX a Museologia, as Artes e as demais Ciências Humanas trouxeram muitas contribuições para pensarmos modelos de museus que pudessem atender os sonhos gerados por estes diferentes movimentos sociais a partir da ideia de participação e criaram formas novas para nomear este lugar de memória: museu laboratório, museu fórum, ecomuseu, museu comunitário, museu na escola, museu como zona de contato, museu social, entre outros. Estas formas de dizer museu foram fundamentais na construção do projeto de requalificação do Museu do Homem do Nordeste, pois poderiam ajudar a engendrarmos possibilidades para conversarmos a respeito de um Nordeste mais plural, passamos a pronunciar Nordestes.
Como parte deste processo de construir uma requalificação para o Muhne o Museu do Homem do Nordeste criou um grupo de trabalho em História dos Museus e do Patrimônio para pensar exposições que tragam contribuições para o Museu do Homem do Nordeste, a partir de uma perspectiva mais histórica. Procurando através do olhar para as iniciativas dos atores patrimonializadores do Nordeste, da compreensão da maneira pela qual estes personagens foram nomeando quais objetos deveriam ser bens culturais do Nordeste, que seriam identificados como tradicionais. Ao compartilharmos com a sociedade a trajetória da formação do patrimônio cultural brasileiro estaremos também compreendendo como os objetos da coleção do Muhne chegaram até nós. Este conjunto de cinco exposições será importante para que possamos através do diálogo atender às demandas de mudanças pautadas pelo século XX e construirmos este museu como um espaço de diálogos mais plurais sobre os Nordestes ou ainda, a partir do Nordeste.
Esta exposição foi construída de maneira colaborativa, desta maneira montamos um roteiro narrativo que traz este percurso: Destruição e Pilhagem - neste núcleo debate as reformas do início do século XX que trouxeram preocupações para com a preservação do patrimônio. Muitos dos nossos patrimônios estavam sendo pilhados e destruídos, não havia um controle, por exemplo, sobre a entrada e saída de bens culturais e muitas relíquias das Igrejas estavam sendo levadas para o estrangeiro. Algumas atitudes precisavam ser tomadas, uma escolha foi a patrimonialização através da criação da Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais, que funcionou entre 1928 e 1933. Com relação a esta época podemos também destacar as transformações urbanas ocasionadas pelo projeto Bairro Recife Novo. Criação da Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais, neste núcleo estamos apresentando os processos de patrimonialização, destacando o caso do Engenho Megaípe, que foi implodido pelo proprietário com receio das responsabilidades que traria o processo de tombamento. Estaremos apresentando uma lista com os monumentos tombados naquela época procurando discutir com o público quais são os caminhos para patrimonializar, quem são os atores responsáveis pela criação de patrimônios nacionais. No próximo núcleo estaremos tratando da criação do Museu do Estado de Pernambuco, apresentando as escolhas históricas e sociais da formação de uma coleção de objetos que tratavam de temas históricos e etnográficos.
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