Arte, educação, políticas sociais e autonomia na mediação marcaram o curso de “Mediação Cultural Como Vivência Social e Política”, na Fundaj
De três a sete de novembro a Fundação Joaquim Nabuco promoveu o Ciclo de Conferências “Mediação Cultural Como Vivência Social e Política”, tendo como orientador o mestre em artes visuais e bacharel em artes plásticas, Fábio Tremonte, de São Paulo, voltado para profissionais de arte e educação, além de mediadores e monitores dos espaços expositivos da Fundaj.
Com o limite de 25 vagas, as aulas tiveram o propósito de desenvolver um direcionamento teórico e prático sobre mediação e instigando o debate sobre educação, artes, seus aspectos sociais e políticos, com base em projetos de artistas que levam em conta o espaço urbano e as propostas pedagógicas de cunho experimental. Foram tratadas as conexões entre arte e educação e orientações para exercitar a autonomia dos mediadores, com exposição de obras e projetos de artistas brasileiros e estrangeiros, como Graziela Kunsh, Caio Honorato e Allan Kaprow.
O orientador estabeleceu correlações entre cultura e movimentos urbanos, partindo de projetos artísticos com inclinações políticas e sociais, além de tratar da autonomia do mediador, não só em espaços expositivos, mas nas mídias de comunicação, em ativismos etc. Afirmando que sua experiência é mais voltada ao campo da educação do que da política, ressaltou a importância de trazer propostas de arte-educadores, pois estes sempre tem algum projeto voltado ao âmbito social. “Sempre escolho artistas que são ativistas, que não possuem apenas embasamento teórico, mas que estejam engajados, de fato, nas causas”, afirmou.
A jornalista e dançarina Aíla Cavalcanti, 23 anos, afirmou que o curso lhe permitirá enxergar melhor a prática do mediador cultural, atividade em que está inserida, instigando a reflexão. Para a estudante de artes visuais, Amanda Souza, 22 anos, mediadora da Fundaj, a participação nos trabalhos a ajudará no seu trabalho e enriquecerá sua bagagem cultgural.
Artista e mediador: autonomia
O papel do mediador nos espaços culturais e a relação entre esses ambientes e seus profissionais com as escolas foram questões muito debatidas, assim como a autonomia dos monitores e a capacitação dos educadores para levar à sala de aula as questões vistas nos museus, e a capacitação de profissionais atuantes em espaços expositivos para lidar com diferentes públicos.
Para Fábio Tremonte, “quando trabalhamos com arte, lidamos sempre com a dúvida, com o subjetivo. A função do mediador é de sanar essas incertezas. Para que a mediação não se torne pouco interessante, cansativa e uma extensão da sala de aula, o mediador precisa envolver-se com a obra e com o público, dar o seu toque na exposição. Sensibilidade para lidar com o expectador, além manter um diálogo leve e pouco padronizado com relação à obra podem tornar a mediação mais prazerosa e espontânea, atraindo o público. estudante de artes visuais e mediador, Ediel Moura, 26 anos, diz que, “na exposição, nós terminamos por facilitar a assimilação da obra, incentivando o consumo da arte, decifrando-a para o público.
Conceituação de arte e estilos artísticos também ganharam espaço durante o curso. Foram apresentados textos e vídeos que falavam, basicamente, sobre legitimação das artes, dependendo do contexto no qual elas estão inseridas e considerando a relevância de obras fora dos padrões, cuja credibilidade não deve ficar presa à fácil compreensão ou à sua capacidade de ser reproduzida. Aí também entra o mediador. Assunto que foi discutido no segundo dia de aula, a partir da citação “Quem tem o poder de legitimar, ou não, o que é arte?”, do artista americano, Allan Kaprow, no texto “A Educação do Não Artista”.
A teoria na prática
Grande parte dos participantes do curto já está inserida no mercado das artes. Segundo a arte-educadora do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), Maria do Carmo Guerra, 44 anos, a abordagem feita pelo mediador determina a aceitação do expectador com relação à exposição, tornando o espaço expositivo um local de diálogo e formação de cidadãos críticos. Porém, é preciso cuidado com relação à intervenção no entendimento da obra. O bom mediador e educador é aquele que explica a obra com um olhar amplo, deixando o público formar suas próprias conclusões. Isso eu aprendi aqui e levarei para os meus estagiários”, salientou.
Para a bacharel em História, Lorena Taulla, 25 anos, o artista e o educador precisam conhecer novos conceitos alternativos, diferentes dos institucionais, o que contribuiu positivamente para sua carreira, sendo o grande diferencial das aulas.“ Exercícios de entrosamento e aproximação entre os alunos foram praticados, a fim de estimular a prática da aproximação com o público.
Para Fábio Tremonte, o aproveitamento das aulas superou todas as expectativas. “Normalmente, quando ministro aulas para turmas de mediadores, embora com resultados satisfatórios, noto um pouco de dificuldade em alcançar os temas abordados. Neste curso que dei agora na Fundaj foi diferente. A turma estava bastante entrosada, vários alunos já possuíam experiência no campo das artes, d política e d mediação, e por isso houve uma absorção profunda do conteúdo. Foi gratificante.
O Ciclo de Conferências “Mediação Cultural Como Vivência Social e Política”, foi uma iniciativa da Educativo do Espaço Cultural Mauro Mota.
(Reportagem: Sérgio Ricardo, estagiário da Ascom - Fundaj)
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